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domingo, 16 de novembro de 2008

RAYMOND ABELLIO E «PARA UM NOVO PROFETISMO» E O «FIM DO ESOTERISMO»



AS RELIGIÕES DESEMPENHAM HOJE, NOS DOIS PÓLOS TELÚRICOS, UM PAPEL DE UNIFICAÇÃO DAS MASSAS. A POUCA DISTÂNCIA DO EPICENTRO ESPIRITUAL, A IGREJA CATÓLICA VÊ, PELO CONTRÁRIO, A SUA MASSA DIVIDIDA. A CRUCIFIXÃO DA IGREJA ROMANA FUNDARÁ A SUA VERDADEIRA CATOLICIDADE E ASSINALARÁ O NASCIMENTO DA VERDADEIRA RELIGIÃO DE CRISTO DO PERÍODO DE EVOLUÇÃO PÓS-DILUVIANO.

Quando, em 1907, a encíclica PASCENDI quis condenar o modernismo católico, definiu-o como o «local de encontro de todas as heresias». Esta expressão foi seguramente introduzida pelos redactores da encíclica,sem que lhe pesassem o sentido, que aliás não devemos forçar, e, no entanto, se nele reflectirmos, como ela adquire uma ressonância singular! O que caracteriza propriamente uma heresia? É ser um ramo adventício que cresceu no tronco de uma ortodoxia. Toda heresia é, porém, exclusiva, e não condena somente a doutrina reinante, mas também a doutrina vizinha; dez, vinte ramos heréticos não chegam a formar um tronco, não se pode juntar num feixe disciplinado e de peso esta floração de indisciplinas. Mas eis que a encíclica afirma precisamente o contrário, ao parecer observar que teria sido possível, nesse ínicio do século XX, erigir em sistema o próprio conjunto das proposições heréticas que brotaram desde há dois mil anos de todos os nós profundos do cristianismo; isto como se um resultado tão espantoso não implicasse um poder de síntese de tal maneira novo que estaria seguramente destinado ao êxito, êxito esse que condenaria a própria condenação. É ir longe de mais. Na realidade, o modernismo jamais teve força para se fundar como sistema, limitando-se a suscitar um estado de espírito crítico, um ANTI. Pouco importa, foi um símbolo. O Ocidente conteve SEMPRE um conjunto de tendências -que poderíamos agrupar sob a designação de espiritualidade «libertária» -essencialmente intelectuais, activistas, e, por conseguinte, pré-luciferinas ou pré-sáttwicas ( conforme os homens ), que até agora a Igreja de Roma só pôde conter ou fazer sobreviver de maneira latente nos seus mosteiros, enquanto não tivessem chegado os tempos últimos. Perante elas, a sua reacção foi fatalmente variável, pois não podia nem destruí-las, nem organizá-las.


«PARA UM NOVO PROFETISMO», Raymond Abellio, Arcádia, Lisboa, 1975.

« (...)A construção da filosofia final do Ocidente constitui para Abellio, uma obra admirável, e a sua convergência com a Tradição, mesmo que o Ocidente ainda não tenha consciência disso, «será uma das características maiores da próxima assunção».Os tradicionalistas orientais há muito que saíram da história; os ocidentais, pelo contrário, têm ainda que vivê-la. Os primeiros são de certo modo os depositários da tradição; os segundos são obrigados a conquistá-la por um esforço autónomo. Os esoteristas «anti-ocidentais, como Guénon e Evola, comprazem-se, assim, segundo Abellio, «em denúncias reaccionárias que nada mais são que o produto da sua impotência para viver as complementaridades e desposarem dialecticamente o poderoso movimento compressivo da idade «negra»

(...)Contra a simples crítica externa dos textos, e em contraposição ao carácter nocturno das vias MÍSTICA ou DEVOCIONAL,Abellio reabilita a RAZÃO como instrumento dialéctico de progressão gnóstica, para o que (...) se fundamenta no método fenomenológico husserliano. Husserl teria assim ultrapassado a própria razão e projectado para além da lógica «natural» uma «lógica transcendental» que em nada se distinguirá do «supramental» de Aurobindo ou da intuição iluminativa de Guénon. A história do Ocidente, desde que este se tornou autónomo com Galileu e Descartes, é caracterizada pela revolução da razão que nos faz passar de Descartes a Husserl, que se liberta definitivamente do antigo dualismo cartesiano para conquistar a unidade de um EU e de um mundo transfigurados. Ora a TRANSFIGURAÇÃO DO MUNDO NO HOMEM constitui precisamente o problema chave e o FIM do esoterismo...Esta convergência de Ocidente e Oriente prepararia assim uma espécie de unidade planetária das manifestações do espírito. Que o mundo tenha, pois, entrado num período de re-integração é o que para Abellio não oferece dúvidas, apesar das confrontações internas por que esse mundo ainda terá de passar e que serão, porventura, as mais convulsivas da sua história.

R.G.F.

http://skocky-ocirculohermetico.blogspot.com/2011/01/para-um-novo-profetismo-ensaio-sobre-o.html

1 comentário:

Desarraçado disse...

Like! Já li esse Livro 2 ou 3 vezes. Vale a pena! :)

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