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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

«A CRISE FRANCESA DE MAIO - JUNHO DE 1968» ( I )

´A IRRUPÇÃO DE MAIO DE 68 OU O PENTECOSTES SEM ESPÍRITO SANTO`          
Alberto Castro Ferreira

 "Sem a presença do Espírito Santo o Pentecostes nada mais é do que vagabundagem intelectual, um delírio que se resolve em fantasmas ou ainda conto de fadas que perdeu a inocência." Georges Gusdorf La Pentecôte sans l'esprit sainl, 1969, p. 189 A década de 60 presenciou a che­gada do homem à Lua. a celebra­ção do Concílio Vaticano II , a idolatria e o assassinato dos irmãos Kennedy, a Guerra do Viemam e do Médio Oriente, a invasão da Checoslo­váquia e as barricadas do Maio de 68 em Paris. Pensar que tudo isso aconte­ceria deixando indiferente toda uma geração de jovens, que pôde ver tudo nos seus televisores e para a qual tudo isso era mais do que notícias ou dados, porque componente das suas vidas em flor teria sido pedir o impossível! M.as talvez todas as causas não bas­tem para explicar o que provavelmente a História registará como o fenómeno mais importante da década: a maior revolução juvenil de todos os tempos, ou, pelo menos, a mais séria crise da consciência geracional!... Vejamos alguns dados concretos. Nos E.U.A., o número de graduados do High School (equivalente ao nosso ensino secundário ou médio), na população compreendida entre 25 e 29 anos, era em 1920 da ordem dos 20%; em 1930 de 27%; em 1940, de 38%; em 1950, de 52%; em 1960, de 61%; em 1965, de 70%. Nas estatísticas de meados dos anos 60, verifica-se que o número de matrimónios, cujos contraentes têm menos de vinte anos, é mais de seis vezes superior ao dos anos 40. Destes matrimónios, 50% produzem-se com gravidez prévia, e 50% também termi­nam em divórcio. E essas uniões juve­nis são 50% de todas as celebradas nos E.U.A.. No mundo económico, surgiu um mercado especificamente juvenil, com um poder aquisitivo crescente e que, à medida que na moda predomina a pro­cura vertiginosa do novo, é determi­nado pela juventude que impõe os seus gostos e modas a outros grupos etários. Mas, acima de tudo, a juventude (e, sobretudo, a estudantil) lançou-se, como poucas vezes acontecera, a mudar tudo. É algo profundameme revolucionário, sem limites precisos nem fronteiras, que rejeita urna configuração filosófica como o Iluminismo, ou económico­-sociológica como o Marxismo. Mais que uma ideologia, é um fenómeno de sensibilidade; talvez como na era ro­mântica. Tudo está implicado: os dog­mas religiosos, os principias éticos, os costumes vitais, o trajo e o cabelo; há uma vontade decidida de recusar o que existe, de o substituir por algo dife­rente, de esclarecer urna nova era e sobretudo urna nova vida. Algo foi reconhecido por muitos: a juventude, e na vanguarda a juventude universitária, é o motor principal da mudança social e política, enquanto outros grupos, outrora dinâmicos, se foram integrando na sociedade urbana e de massas. Um facto é certo: durante a década de 60, os jovens, e em particular os universitários, lançaram-se numa série de acções directas contra as sociedades estabelecidas, em países muito diversos. Muito se escreveu sobre o tema. Muitos dos factos prévios às grandes explosões passaram sem deixar rasto nos arqui­vos; os adultos tinham a propensão para pensar que eram coisas de rapazes, e a ideologia ainda dominante, a mar­xista, pretendeu tirar-lhes importância, porque não condizia com a sua convic­ção do proletariado como único motor revolucionário. Para os partidos comu­nistas, sem que fosse impeditivo de os utilizar ocasionalmente, tratava-se de fenómenos pequeno-burgueses, ou de desvios esquerdistas ou anarquizantes, É uma realidade histórica que os estu­dantes e outros grupos juvenis tiveram e, têm, um papel importante, em cer­tas ocasiões decisivas, na política de paí­ses tão diferentes como o Japão, Coreia, Sudão, Marrocos, Egipto, América La­tina, França, Polónia, Hungria, Checos­lováquia, Jugoslávia, etc. A sua par­ticipação foi relevante na queda de Perón (1955) e Pérez Jimenez (1958), na de Diem, no Vietnam, em 1963, na de Sukarno, em 1966. Os movimentos da Polónia e da Hungria, em 1956, e a Primavera de Praga em 1968, tiveram-nos como protagonistas. Em Maio de 1968, na França de De Gaulle os estudantes ocuparam a Sorbonne durante 34 dias, conseguiram da C.G.T. a greve geral, exigiram a defenestração dos Ministros, provocaram a dissolução da Assembleia Nacional e, criaram. em definitivo. uma emergência nacional que fará sair do poder o próprio De Gaulle, um ano depois. E não adianta dizer que se trata de países subdesenvolvidos, ou de regimes totalitários ou autoritários. Repare-se no caso dos E.U.A. a mais antiga das democracias modernas e a sociedade que fez um esforço maior em matéria de educação, Seymour Martln Lipset, o autor de «Political Man», que era um dos que estava convencido de que as socie­dades industriais iam a caminho da desideologização e da desaparição das lutas sociais ensinava em 1964 na Universi­dade de Berkeley. Nesse ano estalou a revolta em Berkeley; Lipset dedicar-Ihe­-ia um livro, (1) mas perderia a sua Cáte­dra, varrido pela intransigência estudan­til e não apoiado pela cobardia dos seus colegas. Desde finais de 1964, o movimento estendeu-se às principais Universidades americanas (sem excluir Harvard e Columbia), pressionou cons­tantemente a Casa Branca, o Capitólio e o Pentágono, e aquelas grandes ´multiversities` , que pareciam o modelo do futuro, foram na realidade o modelo da subversão estudantil mundial. É claro que o fenómeno da contesta­ção juvenil não é um fenómeno isolado; insere-se numa outra série de reacções paralelas contra a Grande Sociedade burocrática na qual nos coube viver. Viram-se após os anos «60», greves de médicos, de funcionários, de empregados da banca. de políticos e até de sacerdotes. Mas, mesmo aqui, poderia verificar-se uma influência da subversão juvenil: claro «sinal dos tempos». En­quanto os partidos socialistas e mesmo os comunistas, perderam dinamismo e garra, vemos por todo o lado juventu­des contestatárias, guerrilhas urbanas de jovens. e outros focos semelhantes. C. Wright Mills (2) depois de observar o andamento das coisas em Cuba e nos EUA assinalou, pouco antes de morrer em 1962, que não seriam os proletários, mas os estudantes e intelectuais, os prin­cipais iniciadores de novas mudanças históricas. Mas o interessante, como já foi refe­rido, é que a subversão político-social, na juventude, não é em princípio. algo autónomo ou separado do resto. Não existe distinção entre vida pública e vida privada. Não há o reflexo de uma Filosofia, como no século das Luzes. ou de uma mera ideologia, como no século XIX. Há uma nova sensibilidade, uma nova estética, novos comportamentos. uma nova maneira de entender a comu­nidade humana. Existe uma verdadeira mutação vital na juventude; demasiados impactos de bombas atómicas, de via­gens espaciais, de notícias espalhafato­sas, explicam-no de sobejo. Os jovens de 60 nem sempre leram Marcuse ou os seus intérpretes, e quando se meteram a escrever a sua doutrina. como os irmãos Cohn-Bendit (3), não produziram nada importante. E, sem dúvida, pressentem para onde vão; envolvem-no numa estética que lhes é própria, desenvolveram um novo sentido de comunidade. Quem quer que tenha visto representar "Hair" ou haja assistido a um festival de música «pop» sabe o que se quer dizer!... Sem desprezar nenhum factor, parece que nos encontramos ante um sintoma de uma crise mais profunda. Há que recordar os movimentos místicos do Oriente que comoveram a tessitura social da Grécia e de Roma, e que também utilizavam a música e o ritmo como elementos básicos de participação. Já Platão adverte que  ... ´deve ter-se cuidado com a mudança para um novo género musical, que pode pôr tudo em risco. É que nunca se abalam os géneros musicais sem abalar as mais altas leis da cidade` ... ( 5 ). Os 400.000 jovens que se reuniram no grande festival de «Woodstock», em Agosto de 1969, como de seguida em outros locais, gigantescas massas, em plena liberdade de álcool, de sexo, de droga, de palavra, estavam unidos por esses ritmos hipnóticos e obsessivos, que voltam a unir os jovens modernos como acontecia nas tribos primitivas. São um sinal dos tempos, como as colónias «hippies» do Nepal e de Formentera. Cerca dos anos 66-67, produz-se uma renovação mundial da música, O mundo começa a povoar-se de discotecas, mais ou menos elaboradas, nas quais a música amplificada e controlada electronica­mente, cria um ambiente psicológico novo. Uma estranha combinação de linhas melódicas (procedentes. em parte, dos «blues»,  dos «spirituals» e de cantos tradicionais, mais ou menos «camp», de ritmos obcecantes ( a música «rock» ), e de baladas ou canções de intervenção crítica da opressão do pobre ou do negro, etc. fundam uma experiência colectiva de muito «alta voltagem». Grupos inteiros e não pessoas ou famílias, com uma clara personalidade, participam nesse ambiente, modelam nele uma energia colectiva, unem-se na rejeição do mundo exterior. Canções como
«We shall overcome», nascida nas lutas de Berkeley , deram a volta ao mundo. Surge um novo tipo de rapsodos. como Pete Seeger, como Joan Baez, como Glenn Chendler, como Bob Dylan. A música rock'n folk, síntese do ritmo agressivo e do tema social. con­seguiu interessar e preocupar. «Rock + Folk + Protest», igual a ´an empting new sound`. Alguns títulos como «Eve of Destruc­tion» e «Like a rolling stone», converte­ram-se em cânticos de guerra universais. Os Beatles intentaram uma filosofia alteia, e até pretenderam fundar uma nova religião, com a ajuda de Maharishi seu Guru privado. Derek Taylor, o seu agente de imprensa, disse cerra vez: «Eu sou, anti-Cristo, mas eles são tão anti­-Cristo que me escandalizam, o que não é coisa fácil»! É pouco conhecido o livro de John Lennon, que, como se sabe, teve um fim trágico: ´A Spaniard in the Works». Aí surge ´Jesus o Pfico`, um espanhol que come alho, molengão, pequeno e gordo, nitidamente representado de modo blasfemo. Os novos jovens sententem-se gregários entre si, e entendem o trabalho como uma realidade entre outras e não um dever ou uma maldição para toda a vida (6). A condição de solidariedade, de estar juntos (together, togetherness) é muito importante: trata-se de comparti­Ihar a incompreensão, os trabalhos, de sentir a experiência das mesmas coisas, de fazê-las do mesmo modo, enfim, de algo, que sublinha a comunhão e a comunicação. Isso produz-se em grande parte em um ´event`, um acontecimenco entre muitos; mas tem propensão para a permanência, para a comuna ou coló­nia de vida em comum. Estamos na época do Living Theatre e do Happening (7). Georges Gusdorf, ob. cit. pág. 167, a propósico dos grupúsculos de estudan­tes da Primavera de 1968, em França, diz-nos: «Basta evocar aqui o filme de Godard, ´La Chinoise`, que passou nas telas muito antes da revolução de Maio. Aí se via alguns estudantes de Nanterre, confinados num quarto alto e que viviam segundo modalidades rituais da sua invenção, uma espécie de vida comu­nitária sob a invocação e intercessão do ´messias` Mao. As sagradas escrituras, na forma do pequeno livro vermelho (8) forram as paredes e são objecto de lei­turas regulamentadas e de comentários respeitosos. O fervor destes jovens, a sua exaltação contínua, testemunham a espera escatológica da transfiguração do mundo ( ... ) a maioria dos grupúsculos ( ... ) tentaram constituir a Igreja unida da adolescência universitária. Mas uma Igreja, se é que quer durar, não pode construir-se sobre as areias movediças da anarquia. A Igreja das barricadas teve o seu Cohn-Bendit; porém, não teve S. Paulo. De resto, devido aos seus preconceitos doutrinários, teria visto em S. Paulo um perigoso tecno-burocrata, prestes a cristalizar a inspiração em ins­tituição, e, por conseguinte sujeito à ordem burguesa ou ao partido comu­nista, o que, aos olhos dos profetas de Maio, era a mesma coisa». A juventude foi sempre um período de tomada de consciência própria e, por isso mesmo, de rebeldia. Agora porém, um conjunto de factores contribuiu para que tenham fracassado os mecanismos próprios de adaptação que tradicional­mente eram utilizados pelas sociedades. Os três mecanismos mais importan­tes eram a família, a escola, e a Igreja. Este é sem dúvida um momento de perda simultânea da autoridade: do pai, do mestre e do sacerdote. Para o Pro­fessor Feuer, os motivos psico-éticos são factores de mudança social tão importantes como as forças económi­cas (9). Ainda segundo Feuer o equilíbrio geracional rompeu-se. Quanto à Igreja, os grupos religiosos têm propensão a adoptar uma atitude profética e não conformista. Na escola o problema atinge; a sua máxima tensão. Nas Universidades, grupos massivos de estudantes quase sem contacto com os professores vêem prolongar-se cada vez mais o seu período de estudos. São socialmente irresponsá­veis, mas sentem-se excepcionalmente comprometidos, com uma visão idea­lista de um mundo que não lhes agrada. Entregam-se generosamente a causas gerais: os negros, os pobres, os vietrna­mitas, a Humanidade. Os intelectuais, os jovens clérigos, o professorado intermédio, etc., aderem a essas causas enquanto que, em geral, os dirigentes políticos e sindicais as olham com receio. Neste aspecto, como em muitos outros, contrapõem-se a Nova Esquerda e a Velha Esquerda. Falando de Maio de 68, disse Jean Ferniot: «A esquerda matou a revolução. Mas a revolução matou uma certa esquerda (10). Convém ter em conta que, nas sociedades actuais, faz falta uma série de derivativos ao excesso de vitalidade juvenil. A eliminação quase total da guerra criou, nas grandes sociedades industriais, uma série de vazios psicoló­gicos e institucionais. O aumento da criminalidade, da violência, têm a ver com isso. André Fontaine falou a esse respeito de uma situação de guerra civil fria, correspondente à guerra fria inter­nacional (11). Tudo isso coincidiu com grandes aumentos demográficos e da educação: esses estudantes massificados, sem ocasiões de lutar, com uma política burocratizada, e cujo futuro profissional não se vê com clareza, convertem-se em contestatários(l2). Um fenómeno muito interessante são as lutas entre bandos de jovens, numa manifestação irracio­nal; lutas sem motivo, como de rebeldes sem causa. James Dean, precisamente, foi um dos protagonistas, em meados dos anos 50, do filme «Rebel without a cause» que em Portugal passou com o nome «Fúria de viver». Provavelmente desde o período neo­lítico não houve um caso tão grave de rejeição de um ritual de iniciação, atra­vés de uma violência premeditada. como a da geração destes jovens, que se opõe em bloco à tradição, aos limites, à cons­ciência, à integração(13). A contestação é precisamente, a rejeição da integra­çâo; a rejeição total, inteira, das aliena­ções pressentidas ou ressentida (14). Frente à hipocrisia da ordem dada enfrentam a provocação ( provos ) é o nome que tomaram, na Holanda). Além disso há uma influência ( à rebours) da revolução cultural chinesa, gerada como se sabe pela luta pelo poder dentro do partido comunista (15). A revolução cultural do Ocideme ataca sobretudo o niilismo de uma sociedade que só pensa no crescimemo económico. E, logicamente, os jovens tomam cons­ciência face ao facto do poder. Daí o conceito de poder estudantil, de poder juvenil (paralelo ao de poder negro, etc.). A rebelião estudantil e juvenil desemboca numa acção política, mais ou menos coerente. Ora bem, a reacção contra o velho, contra os pais conservadores, pode tomar as mais diversas fórmulas políti­cas, e isso porque ainda não encontrou a sua própria fórmula. Pode produzir comunistas, anarquistas, fascistas, pero­nistas, etc. Nada seria mais errado que ver, no fundo de toda esta agitação juvenil, uma única causalidade, à maneira marxista. Um momento houve em que pareceu que a juventude ia encontrar ideais reno­vadores, a partir da ordem estabelecida. Foi a época dos Kennedy no Ocidente, a da «Primavera de Praga» do outro lado. Os Kennedy foram assassinados, Jacqueline casou-se com Onassis, de quem ficou viúva, o outro Kennedy caiu em desgraça depois do escândalo que deu. Praga acabou como Budapeste. Então ficaram de sobra à juventude, Mao e a sua «revolução cultural», que também iriam ter um fim. O tema político passou à escala mundial. Em todas as partes houve problemas. Na Alemanha começaram a agravar-se com a visita do Xá da Pérsia a Berlim, em 1967, no subsequente confronto com a cadeia de jornais ´Springer` ( 1968 ); na tentativa frustada de assassinar Rudi Dutschke, dirigente do Socialisticher Deutscher Studenbund (S.D.S.) - Liga dos Estudantes Socialistas Alemães ( não confundir com Studenrs for a Democratic Society - S.D.S. .dos EUA, que apoiou a tentativa de candidatura do radical Eugene Mc Carthy, pelo Partido Democrático à presidência dos E.U.A. em 1968. Apesar de forte votação nas primárias, quem conseguiu a nomeação fui H. H. Humphrey, que nas eleições, foi derrotado por R. Nixon ). Fala -se na influência de H. Marcuse nos dirigentes estudantis. Sem dúvida, Rudi Dutschke era quem o conhecia melhor (16)! Em França, todo o mundo seguiu com assombro as jornadas de Maio de 1968, onde, segundo alguns, tudo correu fora dos partidos. dos sindicatos. dos programas e das estratégias (17 ). Há razões para pensar que aquele movimento de incrível amplitude, fracassou por falta de consciência da sua própria força e também de preparação política (18). Há que recordar os incríveis debates do Teatro Odéon e do grande anfiteatro da Sorbonne (19), as excelentes reportagens fotográficas de Philippe Labro (20), para compreender a gravidade da rebelião estudantil, que não se deteve na Universidade, mas antes chegou aos rapazes de 15 e 18 anos, nos Liceus, onde se organizaram, e continuaram a existir e a dar problemas ao governo francês: os Comités de Acção nos Liceus (C.A.L.). A sociedade americana, pouco tempo antes destes acontecimentos, parecia a muitos homens um sonho: o ´American Dream`. E, de repente, tudo muda! Os americanos perdem a fé em si mesmos; descobrem o problema racial, inteiram­-se de que em todos os lados surge o anti-americanismo, enfrentam-se com uma grande guerra de tipo colonial (21). A juventude subleva-se. Qual a explicação de tudo isto? É bem conhecida a de Herbert Marcuse(22), de ampla circulação, se bem que dele pode dizer-se que o que nele há de novo, não é bom, e o que há de bom não é novo(23). Para Marcuse, a raciona­lidade tecnológica produz a existência pacificada, e esta a racionalidade polí­tica, como domínio sistemática da natureza, da sociedade e da cultura. A classe operária aceitou o domínio com satisfa­ção, a troco do consumo. A Ciência tec­nificou-se, e a guerra fria substituiu o velho imperialismo, como motor exter­no, de superação de conflitos interiores, e de promoção técnica económica. Nesta sociedade, dominada e burocratizada, plena de alienações, que até se permite uma falsa tolerância, a única esperança cai sobre a juventude, para voltar a pôr de acordo o Eros e o Logos, se necessá­rio pela violência. Para uma refutação global de Marcuse, cf. M. Bedoya, «Marcuse y el Socialismo», Madrid, 1970. Nos EU.A., dizem-nos os críticos radicais, teoricamente, a Administração é técnica e neutral; praticamente, sem dúvida, acontece ser conservadora e favorável aos interesses criados. O con­trolo democrático funciona mal: a) por faIta de opções (p. ex. os dois candida­tos, Humphrey e Nixon, defenderam a continuação da guerra no Viernam) ; b) por falta de informação adequada (o que foi comprovado logo em seguida pelos documentos Mac Namara). Roberr Paul Wolff confirma este ponto: a liber­dade efectiva está tão organizada que muitos não a alcançam. Deste modo, será que os grandes Sindicatos repre­sentam verdadeiramente todos os traba­lhadores? Nas eleições de 1973, o pode­roso dirigente sindical George Meany referia, com uma frase insultuosa que não se pode reproduzir aqui, que nunca apoiaria Mac Govern. E assim foi - ­pela primeira vez na História, o candi­dato pelo partido Democrático à presi­dência dos E.U.A., não contou com o poderoso apoio da AFL-CIO. O Estado Organização é assim autónomo, não submetido a verdadeiro controlo social (24). São cada vez mais os cidadãos que se submetem ou se resignam. É o que Arthur Miller chamou, em 1967, a ´ldade da Abdicaçâo`. Perante esta resignação, os jovens não acitam a neutralidade: «Join Us» proclamam - participem todos - , em lugar de continuar o jogo da perpétua concor­rência. O seu apelo é para um grande happening, ou acontecimento comuni­tário. De qualquer modo: «Take Sides» - não sejas mero espectador do que faze­mos ou intentamos! O Professor Chades Reich interpreta com optimismo tudo o que aconteceu. Enquanto outros falam de decadência, ele vê um reverdescer da América: Para um dos que estavam quase convencidos de que era necessário aceitar a fealdade e o mal, que era necessário ser um indi­gente de sonhos, é um convite para chorar ou rir. Para quem pensaara que o mundo estava irremediavelmente in­crustado em metal, em plástico, ou em pedra estéril, parece um verdadeiro reverdescer da América (25). Os anos 60 iniciaram-se em França sob o signo da luta, que quase atingiu a guerra civil, entre partidários da Argéiia francesa e partidários da sua indepen­dência. Quando em 1962 o General De Gaulle. que em 1958 foi reconduzido ao poder para manter a Argélia ligada à Franca, aceitou negociar em Évian com a Frente de Libertação Nacional da Argélia (F.L.N.A.) a independência da Argélia, sem dúvida uma página da his­tória se virou face à incredulidade e indignação de muitos franceses (26). Da­qui vai resultar o regresso de 1.000.000 de franceses da Argélia a França, bem como a acção da Organização do Exér­cito Secreto (O.A.S.) que tentará liqui­dar o general. De Gaulie vai opor-se ao «Kennedy Round», tentativa do Presidente J. F. Kennedy de ligar os E.U.A. à economia europeia, nomeadamente à do Mercado Comum, o que de facto significava uma interferência com implicações políticas, procedimento que os americanos sem­pre tentaram desde o Plano Marshall e também no âmbito do «General Agree­ment on Tarifs and Trade (G.A.T.T.). Tudo isto culmina com a célebre deda­ração que De Gaulle pronunciou em 14 de Janeiro de 1963, na qual vetava a entrada do Reino Unido na C.E.E (27). Porém, De Gaulle não se ficou por aqui. Em 22 de Janeiro de 1963. e con­tra a opinião de grande parte da esquer­da, assina com Adenauer, Chanceler da RFA, o Tratado de Amizade entre ambos os paises, destinado a fomentar a cooperação franco-alemã, o que ´de facto`encerra as hostilidades iniciadas em 1939. A França não irá assinar o Acordo de Moscovo sobre a proibição dos ensaios com armas nucleares de 5 de Agosto de 1963, no que será acom­panhada pela R. P. da China. De Gaulle, quer desenvolver a sua ´force de frappe`, pois no exílio de Londres aprendeu a desconfiar dos anglo-saxões. Face à escalada americana no Viet­name, De Gaulle vai mostrar-se desin­teressado e mesmo hostil, não esque­cendo o comportamemo dos E.U.A. quando da guerra da lndochina, que conduziu ao desastre de Dien-Bien-Phu em 1954, bem como do veto e ameaça dos E.U.A. em 1956, durante as hostili­dades com o Egipto de Nasser, a pro­pósito da nacionalização declarada nesse ano do Canal do Suez, que lesava interes­ses franceses e britânicos. No decurso de 1966 a França decla­rará o propósito de sair (até 1de Julho de 1966 ) da integração militar da N.A.T.O., já que ela significava uma subordinação; os quarteis generais da N.A.T.O. terão de ser transferidos para fora da França até 1 de Julho de 1967. Em 27 de Novembro de 1966, De Gaulle reafirma a Wilson o mesmo que dissera a Mac Millan: incompatibilidade exis­tente entre as estruturas económicas da Grã-Bretanha e a sua candidatura ao Mercado Comum! Como é evidente, De Gaulle e o gaul­lismo não param de fazer inimigos! A seguir à guerra dos Seis Dias, De Gaulle anuncia o carácter anexionista da acção israelita desde 6 de Junho e mantém o embargo de armas para o Médio Oriente que, no fundo, se destina a atingir o estado judaico. Em Janeiro de 1969 reafirma o embargo de armas! As FORÇAS ARMADAS e os SERVIÇOS SECRETOS de ISRAEL infligirão à França a enorme humilhação das vedetas da base naval de Cherburgo. Mordechai Citren­baum, à frente de comandos israelitas, consegue entrar na base de Cherburgo disfarçado de Almirante francês, o Almirante ´Limon`, que se faz acompanhar de imensa comitiva. Depois dá-se o que toda a imprensa noticiou: os Israelitas levam para Israel as vedetas embarga­das, mas já pagas! Contudo, De Gaulle em 1966 impede que se realizem em Paris as sessões, parciais ou totais, do chamado «Tribunal Russell» que vai julgar em 1966 e 1967 os crimes de guerra no Vietnam. O presidente de honra é Bertrand Russell e o presidente do executivo é Jean-Paul Sartre. Em virtude da recusa de De Gaulle, o tribunal reunirá em Esto­colmo(28). Mas por toda a França se organizam os Comités Vietnam de Base que vão permirir uma grande agitação e propaganda anti-americanas e servirão para fomentar a subversão nas Univer­sidades e Liceus de França. A decisão de estabelecer relações com a R. P. da China dada a conhecer em comunicado conjunto, datado de 27 de Janeiro de 1964, levantou dúvidas da parte da U.R.S.S. e protestos enérgicos da parte dos E.U.A. (29). Quanto à U .R.S.S. não se esqueça que era já do domínio público a sua luta ideológica, que disfarçava interesses de Estado, com a China. A U.R.S.S. via com apreensão o peso que, necessariamente, este reco­nhecimento dava ao Maoísmo, num país onde os russos tinham, pode dizer-se, duas representações diplomáticas: a nor­mal e o P.C.F ... Estava criado o ambiente para a desestabilização da sociedade francesa e para a irrupção de Maio de 1968!...
Alguns observadores e analistas sugeriram que só foi possível atingir o ambiente criado e atrás descrito, pela intervenção dos Serviços Secretos de Informação de certos países, que cotinuaram a actuar para a desestabilização da sociedade francesa, com discreção como é seu lema mas, decerto com eficácia!...
O ambiente universitário em França ia de mal a pior (30). As reformas" Rueff-Ar­mand " (1959), «Christian Fouchet» (1962-1967) e «Alain Peyrefitte» (1967-1968) abalaram a Universidade ao pretender adaptar o ensino superior às necessidades da nova tecnologia. Nos E.U.A. essa adaptação fez-se naturalmente ao longo dos anos. Em França, diz-nos Touraine " o molde, já velho,não aguentou com a carga; e não foi substituído por um molde novo, apesar de um certo número de modificações parciais ". E logo a seguir diz que não se dis­põe de análises e explicações para este fenómeno. Porem, afirma que:  «A crise da Univer­sidade e a rigidez do sistema de decisão política e administrativa explicam a agitação, a revolta, a ruptura". Logo acrescenta que isto não basta para explicar a formação dum movimento social que, além da Universidade e por meio dela, põe em causa o regime social e político no seu conjunto" , como veio a acontecer.
A perplexidade de Touraine é partilhada e até empolada por Raymond Aron que dedicou um livro expressamente dirigido e dedicado à revolta estudantil : «La Revolution introuvable», Paris, 1968, trad.
port. «A Revolução inexistente», Lisboa, 1969. Até ao fim da vida, R. Aron afirmou que havia factores misteriosos que escapavam a qualquer leitura (31). Na primeira obra cita­da na nota anterior diz na pag.
399 : " ( ... ) Hoje. ainda, toda a tentativa de explicação, em termos de causa e de efeito, deixa um resíduo - um resíduo considerável. Consegue-se, quando muito, compreender - sugerindo esta palavra que se consegue, por um esforço de simpatia, " reviver " o clima destas jornadas e as experiências vividas dos autores ".
Na segunda obra citada a pag. 214 : " ( ••• ) existiram certamente outras razões que não vêm das relações entre os esquerdistas e os comunistas. Porém estas greves prolongadas, de milhões e milhões de operários, continuam hoje ainda relativamente misteriosas, porque nao houve sinais precursores "
Acontece que para além dos factores sócio-político-educacionais já apontados, se assistiu em França durante os anos 60 a uma reposição e reedição de obras revolucionárias, especialmente pela Librairie François Maspero, que funcionou para França mais ou menos como Giangiacomo Feltrinelli -editore, de Milão, funcionou para a Itália ( Feltrinelli te­ria uma morte trágica ao accionar uma carga explosiva ). Desde o início da década come­çaram a ser publicadas obras revolucionárias em colecções de formato de bolso, especialmente a " 10/18 " da «Union Générale D'Editions», e a "Idées" da Gallimard. Era um modo de colocar no mercado, a preços baixos, obras que há décadas não se encontravam! Aumentou tam-
bém a influência da Internacional Situacionista ( I.S. ) com as suas publicações extrema­mente corrosivas, que tudo relativizavam (32). Muito importante foi a edição em 1965, de um manifesto escrito em 1961 em Milão pelo " Núcleo M. " do " Fomento Obrero Revolucio­nário ", intitulado Para um segundo Manifesto Comunista (na década de 70 chegou a ser lançada uma edição em português ). Esta obra foi lançada em edição bilingue, françês­-castelhano, pela casa " Eric Losfeld " de Paris.
Mais deletéria ainda foi toda a série de publicações da área freudo-marxista : Mar­cuse, Reich, etc. veja-se o que nos diz E. Fromm em A Crise da Psicanálise, e isto, na continuação do que já foi referio atrás sobre Marcuse : " ( ... ) Em primeiro lugar, Marcu­se, embora amplamente lido, comete vários erros elementares na apresentação dos conceitos freudianos. Assim, por exemplo, entendeu mal o " princípio de realidade" e " o princípio de prazer" de Freud ( ... ) Será possível que Marcuse comungue na falsa concepção popular, segundo a qual o " princípio de prazer " se refere à norma hedonística de que a finalidade da vida é o prazer? Freud, é claro, não disse nada disso; para ele, o princípio de rea­lidade era uma " modificação" do " princípio de prazer ", não o seu oposto. O conceito freudiano do principio de realidade é que existe em todo o ser humano uma capacidade para rejitar a realidade e uma tendência para proteger-se do perigo que uma satisfação incontrolada dos instintos poderia infligir à pessoa ( ...). ( ... ) Não menos séria é a dis­torção da teoria de Freud no emprego que Marcuse faz do conceito freudiano de repressão ( ... ) a categoria central do sistema de Freud é " repressão" no sentido dinâmico do reprimido ser inconsciente. Ao usar" repressão" para os dados conscientes e inconscientes, todo o significado do conceito de repressão e inconsciente de Freud, se perde. ( ... ) Usando indis­criminadamente o conceito de repressão, Marcuse confundiu a questão central da psicanálise ( ... ) embora se descubra uma bonita fórmula que unifica uma categoria política e uma categoria psicológica através da ambiguidade da palavra. ( ... ) Um outro exemplo do trata­mento dado por Marcuse às teorias de Freud é a questão teórica da natureza conservadora de Eros e do instinto de vida.(...) Ignora que Freud ( ... ) chegou à conclusão justamente opos­ta, ou seja, que Eros «não» participa da natureza conservadora ( ... ). Quando despojado de boa parte da sua verbosidade, Eros e Civilização apresenta como ideal para o novo homem, na sociedade não-repressiva, uma reactivação da sua sexualidade pré-genital, especialmente sá­dicas e coprofílicas. ( ... ) Esse ideal da regressão à organização libidinal infantil con­juga-se com um ataque à supremacia da sexualidade genital sobre os impulsos pré-genitais. ( ... ) Em seu ataque contra o "domínio" genital , Marcuse ignora o facto óbvio de que a se­xualidade genital não está, de maneira alguma, vinculada à procriação ( ... ). Marcuse parece insinuar que, em virtude das preversões - como o sadismo e coprofilia - não poderem re­sultar em procriação, elas são mais "livres" do que a sexualidade genital. ( ... ) De facto Marcuse elaborou uma teoria que é o oposto de tudo o que é essencial no pensamento de Freud ( ... ); isso foi realizado mediante a citação de frases fora do seu contexto ( ...) ou pela ignorância pura e simples da posição de Freud e ( ou ) do seu significado. " (33).
Tudo o que foi referido deve ser ligado às repercussões que teve na sociedade e na cultura francesas a edição, em 1960, da obra Le Matin des magiciens (34), tendo como autores Louis Pauwels e Jacques Bergier, dos quais só o primeiro ainda vive ( «1988»-Pauwels também já faleceu ). Esta obra que tinha o sub-título de Introdução ao Realismo Fantástico iria ter fortuna em França e em todo o mundo ocidental, através de traduções e particularmente através da revista a que deu ori­gem o movimento do Realismo Fantástico, a Planète, cujo primeiro numero saíu no fim de 1961. A Planète , por sua vez passou a sair em vários países, na língua respectiva.
Quem lesse o Despertar dos Mágicos e ( ou ) as primeiras revistas Planète, logo se apercebia que se estava perante um ataque à Religião Cristã e particularmente à Grande Igre­ja, a Católica, como lhe chamou Inácio de Antioquia. O ataque também visava o materialismo his­tórico! Quanto ao ataque ao cristianismo, para quem tenha dúvidas basta transcrever umas tantas linhas do " Dialogue Imaginère ", inserido no nº 2 da revista referida e assinado por Pauwels : " Credes vós que precisamente onde as legiões romanas não aclimataram nunca
a sua religião, na Gália por exemplo, ou na Grã-Bretanha, os soldados de Cristo encontra­ram uma terra virgem de pensamento e deuses? Em mil lugares da nossa velha Europa, nos "lan­des ", nas planícies com menhires, no fundo dos " maquis " e nas margens onde cantava Pan, subsistia a religião indígena vinda da noite das idades, a verdadeira religião do homem oci­dental ". Aqui está uma declaração que soa a " Nova Direita ", ainda que" avant la lettre . De resto não vai depois Pauwels ligar-se à «Nova Direita» e dar-lhe todo o seu apoio? Pauwels, hoje convertido ao catolicismo, como graças a Deus o autor destas linhas, perten­cia à «Grande Loja de França».
Concerteza não foi de todo alheia à sua conversão a auto­-crítica que Jean-Marie Paupert escreveu e editou em livro no princípio desta década de 80 - Péril dans la demeure. Depois de dois livros infelizes e que tanta gente desorientou (35), chegou ao ponto de afirmar na obra acima referida que «être catholique aujour­d'hui c'est être reactionnaire» . É uma autêntica passagem à «enantiodromia», como di­ria o velho Heraclito! Como se pode ver, também Paupert, como outros a seguir ao 2º Con­cílio do Vaticano, veio semear a confusão entre as ovelhas do Senhor!
Porém, a Igreja tem a experiência que lhe confere os dois milénios da sua existên­cia, tem um magistério seguro e, claro está, a assistência do Espírito Santo. O mesmo não acontece ao Partido Comunista Francês ( P.C.F.), nem ao Grande Oriente de França ( G.O.F.). O primeiro formou-se em 1920 no congresso de Tours e nasceu de uma cisão no seio da Secção Francesa da Internacional Operária ( S.F.I.O. ). O segundo tem as suas raízes no século XVIII, com o aparecimento da chamada" Maçonaria Especulativa ". Ambas as organizações dis­põem em França ( 1988 ) de uma instituição que permite o trabalho em comum de muitos dos seus mem­bros, a «Union Rationaliste». Constactando que era preciso fazer face à vaga de irraciona­lismo desencadeado pelo Realismo Fantástico, que, se afectava a Igreja, maior perigo fa­zia correr ao P.C.F. e ao G.O.F., em 1964 é publicado o Dictionnaire Rationaliste, or­ganizado por ordem alfabética, ferozmente anti-clerical, anti-cristão e ... anti -realismo fantástico. Ainda em 1964 começa a ser publicada uma revista com o formato da Planète e que tinha por nome JANUS. O primeiro numero era dedicado ao tema - «Le christianisme entre les poissons et le verseau». Saíram apenas alguns números e a «Janus» não conseguiu o que tan­to desejavam os seus editores - substituir a Planète ... O numero 8 e saiu no Outono de 1965.
Este fracasso levou a «Union Rationaliste» a entrentar pública e abertamente o movimento «Planète», lançando ainda em 1965 um número único com o formato da revista «Planète», intitulado Le Crepuscule de· giciens, que nesse ano teve uma segunda ediçao, com uma carta-prefácio de ]ean Rostand। Alguns dos colaboradores desta última publicação foram-no tam­bém do Dictionnaire Rationaliste. A direcção da Planète, sabendo que tinha público e que nada tinha a temer da Union Rationaliste, respondeu displicentemente, pela pena de Jacques Bergier no nº 25 de Novembro-Dezembro de 1965, através dum pequeno artigo intitulado de propósito "Le Crépuscule des magiciens et le matin des ânes". Acontece que a «Planete se au­to-suspendeu depois de Maio de 68. O último número é o 41, Julho-Agosto 1968. Porém não era intenção de quem a dirigia, suspender a revista definitivamente, antes dar início a um «recomeço», reatar aproveitando o paroxismo ge­rado pelas paixões e desilusões de Maio-Junho. Assim em Setembro-Outubro de 1968 saía a nº 1 da revista Le Nouveau PLANÈTE, inserindo nas últimas páginas um estudo sobre W. Reich e textos do mesmo.

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