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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

«GUERRA JUNQUEIRO FALSO POETA» -´Análise à «Velhice»` - Arthur Botelho (Artur Botelho)




«GUERRA JUNQUEIRO FALSO POETA»
        ´ANÁLISE À «VELHICE»`
     Arthur Botelho (Artur Botelho)
1º Milhar
1923
Editores: António Marques
              Salvado Pinto
Depósito: Rua do Correio, 46
Porto
526 págs.


Depois de referir a «EUROPÍADA» - ´Poema épico sobre a Grande Guerra` , de Artur Botelho, pessoa de quem ouvi a meu Pai os maiores encómios, pois o conhecera de perto quando em serviço na CP, ainda antes da 2ª Guerra Mundial. O exemplar da «EUROPÍADA» que possuo e referi no ´post` anterior, leva o autógrafo de meu Pai, datado de 1938! 
Tendo Artur Botelho falecido em 1940, ano em que a França se rendeu a Hitler, sendo um homem de esquerda moderada, velho republicano com bigode e barbicha ao jeito de Afonso Costa, imagino  a amargura que este Democrata sentiria à data!...
Meu Pai era homem de esquerda, de ´ideias avançadas` como então se intitulavam os defensores de ideias socialistas, tendo estabelecido relações de funda amizade com Artur Botelho devido às ligações de ambos ao ´Movimento Mutualista` que os animava!
Nasci em 1941 e já não o conheci, mas a  memória e o respeito que meu Pai lhe devotava calaram sempre no meu coração e ainda sem conhecer os «LUSÍADAS` , já lia com entusiasmo a «EUROPÍADA»...
Sendo a minha família, da parte materna, do Concelho de Freixo-de-Espada-à-Cinta, minha mãe falava-me desde tenra idade de Guerra Junqueiro que várias vezes a ajudou, quando ainda adolescente, a subir para montar o cavalo! Assim, Guerra Junqueiro tornou-se um Poeta que me deliciava e cuja obra li com muito prazer! A sua introdução à «Velhice de Padre Eterno», intitulada «Aos Simples», que muitos confundem com a obra «Os Simples», do mesmo Autor, comovia-me até às lágrimas...
Então qual a razão e convicção que terá levado Artur Botelho a escrever «Guerra Junqueiro Falso Profeta», indo ao arrepio de quase todos os críticos e mesmo de Sampaio Bruno, falecido em 1915, e que prefacia a sua primeira obra «Alma Lusitana», verso, datada de 1914?! (Ora, ser prefaciado por Sampaio Bruno é  indica-nos estima pela pessoa de Artur Botelho e isso vindo de uma das maiores figuras do Pensamento Português!...) ...Remar contra-corrente exige coragem e determinação, sendo que encontrei uma referência na Internet acerca da obra de Junqueiro, de elogio rasgado ao Autor da «Velhice» e que refere a unanimidade das opiniões, acrescentando: «excepto Artur Botelho e seus discípulos»!...Então Botelho tinha discípulos?! É coisa que nunca saberei, pois as referências à sua pessoa e obra são, na prática, inexistentes! Contudo, é de crer que o menosprezo de Junqueiro por Artur Botelho, referido na página 8 desta obra, o levasse a passar de uma reverência a Junqueiro  a uma ´re--leitura` da sua obra que lhe vai permitir uma acerrada e verrinosa crítica...
«Press-net do Douro», transcrevendo a nota referida no ´post` anterior  inserta em «Notícias do Douro», baseada no «Dicionário dos mais Ilustres Transmontanos e Alto-Durienses», refere uma obra que não me foi possível encontrar e que provavelmente nunca terá sido editada, como aconteceu a duas obras anunciadas: «O Mártir». poema e «Mãe Sacrificada», drama religioso, em 3 actos, de que também não encontro rasto...

«Guerra Junqueiro Falso Poeta» - ´Análise à «Velhice»`, livro com 526 págs. e índice, contém LXI capítulos, escritos em modo e estilo densos e que obrigam a uma constante atenção, quer às críticas à substância, quer à forma pelas quais Junqueiro se exprime, indicando, alternativas, correcções, referências a autores clássicos, e isto em modo muito irreverente...
O ataque mais feroz dirige.se a Agostinho de Campos, autor da «Antologia» sobre Junqueiro! Até ao capítulo XXVII - «Fantasmas», a crítica assenta apenas na «Velhice», após o que surgem criticas às outras obras ou esboços de obras, incluindo a tão estimada por Fernando Pessoa: «PÁTRIA»!...

Não me conferindo a minha formação ser crítico literário, longe disso, limito-me a transcrever algumas linhas do início do Capítulo I , sabendo desde já que não tenho veleidades a que alguém nisso repare, se bem que sempre aqui afirmei ser meu único propósito divulgar obras e autores que li e também as mais variadas ideias, procurando manter a imparcialidade ... possível! Uma coisa desde já afirmo, só falo do que sei e, quando quero informar-me na Internet sobre algo, evito sempre a consulta da ´versão portuguesa` de um ´site` muito prestigiado, pois contém muitas de lacunas e erros!...

Segue uma breve transcrição das primeiras linhas:

«De todos os nossos literatos contemporâneos, é Guerra Junqueiro, o que goza de maior renome. Não há homem ilustre que não se curve e sinta pequenino em frente do gigante de pensamento, cognominado o ´maior génio da raça latina`. Mas outros, achando ainda pouco, chamam-lhe o ´maior poeta da humanidade, em todos os tempos`, como o grande tribuno Alexandre Braga, em um dos seus formidáveis discursos parlamentares.
Quer dizer: O Ramayana, a Ilíada, a Eneida, a Bíblia, a Divina Comédia, a Jerusalém Libertada, o Paraíso Perdido e os Lusíadas são inferiores à obra divina de Guerra Junqueiro.
Os críticos mais ilustres quedam-se, extáticos, ante esta rara divindade, e dizem de joelhos, que os seus versos são tudo o há de mais belo e perfeito, acrescentando não existir ninguém que seja capaz de lhe fazer a mais ligeira correcção.
....
Há muitos homens de letras e ciências que se enganam em seus juízos.
Eu também sou homem e penso; portanto, não abdico dos ditames da minha razão diante de ninguém.
No pleno gozo das minhas faculdades mentais, julgo-me no direito de dizer o que sinto, embora isso vá de encontro ao que já é considerado por todos como um dogma.
Vou pois, olhar para os versos de de Junqueiro ´com olhos penetrantes, com olhos de ver`. Pode ser que o ´telescópio`da minha razão consiga descobrir algumas manchas nesse astro brilhante.»

.....






Quanto ao conjunto das obras de Artur Botelho deixarei para outra oportunidade, dada a extensão deste ´post`!

http://td.dodouro.com/noticia.asp?idEdicao=66&id=5186&idSeccao=553&Action=noticia
http://www.dodouropress.pt/index.asp?idedicao=66&idseccao=553&id=5186&action=noticia
http://dlac.utad.pt/SiteLiteratura/estudoguerrajunqueiro.pdf
http://a2b3c4d5.no.sapo.pt/guerra_junqueiro.htm



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

«A EUROPÍADA» - ´Poema épico sobre a Grande Guerra` - Artur Botelho (Artur Pereira Botelho de Araújo)

  A EUROPÍADA

CANTO  I

I        

            Eu canto a Grande Guerra que, no mundo,
      Correu como um tufão de fogo  insano, 
Das altas regiões do céu profundo
 Às entranhas da terra e do oceano;
        E os seus chefes de génio mais fecundo,
    Que, vibrando num alto ideal humano,
Tiveram, a sublime e ingente glória
De levar tantos povos à vitória



Antes de referir este maravilhoso livro, com poemas heróicos, que pertenceu a meu pai e que já fazia parte da sua biblioteca antes do meu nascimento gostaria , com a devida vénia e liberdade, usar a notícia de «Notícias do Douro», por sua vez retirada de: «Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses» (III Vol. ), coordenado por Barros da Fonte, 656 págs. ! Se o faço e refiro o seu ´link` é porque se torna importante fornecer alguns elementos que não se encontram na Internet, incluindo imagens e que considero importante disponibilizar ao público interessado:






  «A EUROPÍADA»
´Poema épico sôbre
              A
  Grande  Guerra`
 Artur  Botelho (1883-1940)
(Artur Pereira Botelho 
        de Araújo)
Capa dura
Editor: Alfredo Araújo
Travessa de Miraflor
Porto, Janeiro de 1935
662 págs. 
25 Cantos que perfazem 2.500 Oitavas
(seguidas de uma página de ´ERRATA`)
Obra inicialmente editada em  vinte fascículos,
sendo o primeiro saído em Janeiro de 1935 e
o último em Abril de 1937.
Foi seu Editor Alfredo Pereira Botelho 
de Araújo, irmão do Autor.
Acabou de se imprimir este Poema aos 27 dias
do mês de Abril de 1937 nos grandes Ateliers 
Gráficos «Minerva», de 
Gaspar Pinto de Sousa & Irmão
Vila Nova de Famalicão
NOTA: Artur Botelho é Autor de uma obra polémica,
             intitulada: «Guerra Junqueiro Falso Poeta» 
                                 ´Análise à Velhice`

Artur Botelho, nesta obra em que procura o Espírito de Camões, mostra à saciedade o entusiasmo dos Patriotas Republicanos na participação do nosso Corpo Expedicionário (C.E.P.), na Guerra que se travou entre 1914-1918 - Grande Guerra - contra o militarismo e autoritarismo do Impérios Centrais, lutando pela Liberdade e Democracia!




                                                       
                                                     
       Frontispício com fotografia                                                  Capa do primeiro fascículo
         e autógrafo do Autor                                                                                                                             





 Canto I    (duas primeira oitavas)              
Páginas 564 e 565 (CANTO XXII - 6 oitavas) - narram  combate ao largo dos Açores entre um submarino alemão e um navio de guerra da  Marinha Portuguesa, encarregado de escoltar um comboio de navios que tranportavam material para a Inglaterra; seu Comandante era Carvalho Araújo, natural de Vila Real, Distrito de origem de Artur Botelho!
(«Do qual um homem de alma rebrilhante,
Carvalho de Araújo, é comandante.»)



«nasceu em Aleites, freguesia de Mouçós, concelho de Vila Real, em 1883 e faleceu em 26.1.1940. Edgar Ferreira assinou em A Voz de Trás os Montes de 4 de Abril de 2002, uma nota biográfica sobre esta personalidade que a seguir se reproduz: Aprendeu a ler com sua mãe Maria Adelaide Pereira de Araújo grande admiradora de Camões. Seu pai chamava se António Botelho. Influenciado, profundamente, pela leitura camoniana tornou se um verdadeiro apaixonado da Pátria a ela dedicando seus versos distribuídos em várias obras: Alma Lusitana (primeiro livro escrito em 1914); Mar Tenebroso (drama heróico); Camões; A minha aldeia; Guerra Junqueiro Falso Poeta; etc. Não é fácil narrar todos os passos da sua vida repleta de muitas aventuras, estudo, trabalho e idealismo. Só lhe faltou a cadeira de Matemática para ser formado pelo Instituto de Comércio. Desempenhou várias profissões: carregador de barcaças, no Porto de Lisboa; sargento no exército; mineiro no Alentejo; carregador na CP e chefe de secção dos Serviços de Exploração, na mesma empresa, no Porto. Na estação de S. Bento, são dele as duas oitavas heróicas gravadas numa artística placa de bronze, como homenagem dos ferroviários à grande aventura de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em 1922 primeira travessia aérea do Atlântico Sul, de Lisboa ao Rio de Janeiro. Terminou a sua produção Literária com a publicação, em 1935, de "A Europíada" documento importante para a história de toda a Primeira Grande Guerra, de 1914 a 1918 (vários versos são dedicados ao nosso herói Carvalho de Araújo). A obra está dividida em 25 Cantos que perfazem 2500 oitavas. Com o contínuo crescimento da nossa cidade, não será impossível dentro de vinte a trinta anos que Alvites faça parte integrante do território da "Cidade das Tílias". Artur Botelho, depois de Camões, é considerado o segundo grande poeta épico português; merecia ser, devidamente homenageado no nosso País. O Concelho de Vila Real tem o dever de honrar tão insígne figura da versificação com pequenas mas vibrantes manifestações, tais como: a Câmara Municipal mandar colocar um busto, no centro de Alvites; uma lápide na casa onde nasceu e outra, com o acordo do Pároco se a lei canónica o permitir na Ermida, Capela ou Igreja onde foi baptizado; atribuir o seu nome a uma rua da cidade; o assíduo colaborador do "Nosso Jornal", Agostinho Chaves, quando achar oportuno, referenciá lo na rubrica "Figuras da nossa terra". O Pelouro da Cultura com a colaboração do reconhecido pesquisador e apreciado apresentador, Dr. Elísio Neves dedicar-lhe uma sessão nas "Conversas ao Café".»





In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,

coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura. 

Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt 

http://www.dodouropress.pt/index.asp?idedicao=66&idseccao=553&id=5186&action=noticia

domingo, 4 de novembro de 2012

PORTUGAL E O FUTURO...E O FUTURO DE PORTUGAL? (uma impressão...)



«PORTUGAL E O FUTURO»
´Análise da Conjuntura Política`
António de Spónola
Editora Arcádia
1974
244 págs.

           Proclamação da Junta de Salvação Nacional




«...E O FUTURO DE PORTUGAL?»
     Henrique de Sousa e Melo
Edição do Autor
Distribuição da
Agência Portuguesa de Revistas
Lisboa - 1974
Impresso em Agosto de 1974

             Discurso à maioria silenciosa




   «SPÍNOLA»
´O Anti-General`
Eduardo Freitas da Costa
(Cunhado de Fernando Pessoa)
Fernando Pereira
Lisboa - 1979

http://skocky-alcyone.blogspot.pt/2008/11/s-os-ventos-da-histria-conferncia-de.html

http://skocky-alcyone.blogspot.pt/2012/10/a-nacao-una-organizacao-politica-e.html

http://circulohermetico.blogspot.pt/2010/01/vencedor-em-breda-fotos-e-comentarios.html

http://skocky-alcyone.blogspot.pt/2009/08/descoberta-de-uma-conspiracao-accao.html

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

«A REVOLUÇÃO CULTURAL CHINESA» - Alberto Moravia






«A REVOLUÇÃO CULTURAL CHINESA»
    Alberto Moravia
Tradução: Fernando Moreira Ferreira
Colecção ´Estudos e Documentos` - 58
Publicações Europa-América
Liboa - 1970
228 págs.
Edição: 4058/1517
Impresso em Braga em Julho de 1970
Título original:
«La Revoluzione Culturale in Cina»
Casa editrice Valentino Bompiani


O talentoso e conhecido escritor, Alberto Moravia, homem de esquerda e que nos últimos anos de vida foi deputado do PCI ao Parlamento Europeu, decidiu no verão de 1967 fazer uma visita ao extremo oriente e deteve-se algum tempo na República Popular da China, onde no ano anterior se iniciara a tão famosa «Revolução Cultural»!...
Das impressões que colheu nessa visita surgiu esta obra que, analisada com o recuo que nos proporcionam quatro décadas, se afigura hoje deveras uma obra ´impressiva` e que denota como que a narração do que Moravia queria ´ver`!... Porém quem, como eu, a leu logo em 1970 ficou encantado pela descrição que Moravia nos faz, ajudado sem dúvida pelo seu talento de grande escritor! Não fora isso e dado o recuo que nos proporcionou a História, poderíamos pensar que para lá de se tratar de um livro apologético, quase se poderia enquadrar no fenómeno que à época os soviéticos denominavam;  «As Raízes da Sinofilia Ocidental»...Penso que por isso o título da versão em língua inglesa é mais apropriado ao que aqui se escreve: «The Red Book and the Great Wall. An impression of Mao's China»!
Contudo ainda hoje a obra tem uma grande utilidade e interesse, não só pelo que aí é narrado como pelo ´pathos` que a informa.

Afirma Moravia, procura diminuir as pessoas de Estaline e Kruchev ao fazer a comparação com Mao! Mao, o educador, Mao, o dialecta, pretende o poder ideológico através da pesrsuasão e da educação. Assim, ele não deseja que Liu Chao-Chi seja morto, mas sim que ele mude de ideias, ou seja, que se reconheça herético e abjure a heresia. Ora o que se passou já a partir de 1969, vem deitar por terra estas afirmações, sendo Liu Chao-chi afastado de modo brutal, bem como outros dirigentes, abrindo-se assim um maior fosso em relação à URSS e nos outros países, com a formação de Partidos ditos m-l, a perturbação no movimento comunista que, a prazo, se irá desmoronar!...

A editora assim apresenta o livro:

«A Revolução Cultural chinesa é o mais importante acontecimento que ocorreu no mundo comunista depois da destalinização. Foi assunto do dia-a-dia, tratado em todos os jornais; fez correr a tinta nas revistas; deu origem a uma avalancha de confusos noticiários; irrompeu nas mãos de toda a gente sob a capa vermelha do ´pequeno livro de Mao`. Convém sublinhar, no entanto, que se trata de um dos fenómenos contemporâneos mais obscuros, mais distantes da nossa sensibilidade e até incompreensível para os próprios peritos em assuntos políticos.
Tudo neste fenómeno foi tratado, desde as tentativas de interpretação dos seus pormenores doutrinários até aos seus aspectos ideológicos - mas poucos comentadores ´presenciaram` a Revolução Cultural chinesa.
Foi esta a principal preocupação de Alberto Moravia na sua mais que memorável visita à China: ´ver` a Revolução, interpretá-la. decifrar o enigma das enormes estátuas de Mao, de gesso branco, rodeadas de flores, como se fossem estranhos altares de uma estranha religião...
Eis aqui a China de hoje, essa esfíngica e colossal realidade que parece desafiar o Ocidente para lhe dizer que o bem-estar, afinal, não basta.»

terça-feira, 30 de outubro de 2012

«O M. R. P. P. instrumento da contra-revolução» - J. L. Saldanha Sanches

«O Povo Libertará Saldanha Sanches»
(Nos muros de Lisboa, ´antes` do 25 de Abril!)





«O  M. R. P. P.
instrumento da contra-revolução»
J. L.  Saldanha Sanches (1944-2010)
(José Luis Saldanha Sanches)
Cadernos Ulmeiro, nº 6
2ª edição
Lisboa, 1975
140 págs.
Impressão: Fevereiro de 1976


´Em memória` de um homem de grande verticalidade, 
 lucidez de espírito e muita coragem, que se encontrava 
preso em 25 de Abril de 1974, com Processo a correr 
em Tribunal Plenário, por ter lutado pela Liberdade e 
Democracia quando ainda se vivia em Ditadura!...


Tendo a primeira edição deste ´pequeno-grande` livro sido feita em 1975, resultado  do que Saldanha Sanches escrevera e datara de 18 de Novembro desse ano, precisamente uma semana após a declaração da Independência de Angola e uma semana antes do 25 de Novembro, achou o Autor por bem, dados os acontecimentos ocorridos na última data referida e também os de 18 e 19 de Janeiro de 1976, que se procedesse a uma segunda edição com Prefácio datado de 1 de Fevereiro de 1976, acrescentada de uma «Adenda»!...

Trata-se de um livro denso e rico em informação, para se poder entender uma Organização surgida em 1970 a partir da Esquerda Democrática Estudantil, o M. R.P. P. (Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado), e a sua acção anterior e posterior ao 25 de Abril, sabendo-se que o Autor, militante prestigiado do MRPP, estava preso à data de 25 de Abril!...


Do «Prefácio» à 2ª Edição:

«A necessidade de fazer uma segunda edição deste livro, torna possível acrescentar alguma coisa ao que nele se contém. Assim farei, embora, quanto ao essencial, me não pareça necessário ir muito além do que já tinha dito.
Os últimos meses, tornaram apenas mais evidente o que antes já era visível; o crescente isolamento e decadência do MRPP, a crise irreversível que o vai fazendo perder posições, e que já nada pode esconder. Num comício que teve lugar antes da publicação deste livro, o seu secretário-geral foi até ao ponto de falar na «grave crise», que atingira o MRPP. E para quem conheça o habitual e já muito conhecido ultra-triunfalismo, que sempre caracterizou o MRPP, pode avaliar o significado desta confissão. (...) No espaço de tempo imediatamente a seguir ao abandono (com posterior expulsão, acompanhada das mais assustadoras invectivas) do autor deste livro, ainda se procurou levantar o abalado moral dos activistas, explicando que tudo  o que estava errado, era da culpa da «linha negra» (...) E no comício já referido o «grande educador» anunciou que afinal o «partido» não seria «fundado». Desde Janeiro que 75 tinha sido designado «ano da fundação» e tal tinha sido prometido inúmeras vezes. (...) Embora uma das grandes especialidades do MRPP seja comemorar aparatosamente vitórias inexistentes, dir-se-ia que o MRPP cansado das sua próprias comédias, recua perante a maior de todas elas, e que todas as outras se deveriam destinar a preparar.

(...)Mas a questão não é apenas da irresponsabilidade de uma criatura que descobre de repente (já numa idade em que as «loucuras da mocidade» costumam ter fim) que é o «grande dirigente e educador do proletariado português», a ponto de pensar que até 1970 tudo o que houve foi o mais vil revisionismo. É principalmente o carácter profundamente provocatório do MRPP, que em especial desde o 25 de Abril, isto é desde a crise mais acentuada do poder burguês, parece ter um especial condão para ter em cada particular momento, a posição que à burguesia mais lhe convém que ele tenha. O cada vez maior carinho que por exemplo um jornal como «O Dia» (perfeito covil de fascistas que nem se dão ao trabalho de disfarçar) tem pelo MRPP, mostra até que ponto a burguesia vai percebendo tudo.(...)»


-PREFÁCIO À 2º EDIÇÃO (Lisboa, 1 de Fevereiro de 1976)
-NOTA INTRODUTÓRIA
-O MRPP PERANTE O 25 DE ABRIL
-A EVOLUÇÃO DA SITUAÇÃO POLÍTICA
  E AS ANÁLISES DO MRPP
-A «CLANDESTINIDADE» DO MRPP
-A LINHA ESPONTANEISTA E ANARQUISTA
  EM MATÉRIA DE ORGANIZAÇÃO
-LINHA DE MASSAS E MÉTODOS DE TRABALHO
-ERROS POLÍTICOS E DEGENERESCÊNCIA POLÍTICA
-DA TOMADA DO PODER AO APOIO AO VI GOVERNO
(Lisboa, 18 de Novembro de 1975)
«ADENDA»
-SOBRE  OS ACONTECIMENTOS DO 25 
  DE NOVEMBRO E A POSIÇÃO DO MRPP


(Quem, como o detentor deste «espaço», privou com o falecido Aventino Teixeira, e sabe quais os seus «contactos», tudo o que é referido e analisado por Saldanha Sanches corresponde à verdade e denota uma profunda capacidade de análise!...)

Para uma homenagem remeto para:

http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2010/05/14/saldanha-snches-faz-agora-parte-da-historia/#more-11704




quarta-feira, 24 de outubro de 2012

«SOCIALISMO SEM ROSTO» (´O Advento do Terceiro Modelo`) - Thomas Molnar






«SOCIALISMO SEM ROSTO»
  Thomas Molnar (1921-2010)
Tradução: Álvaro Figueiredo
Capa: José Antunes
Colecção ´Alternativas e Experiências` nº 6
Editora Ulisseia s/d (1976?)
203 págs.
Título original:
«Le Socialisme sans Visage: l'avènement du tiers modèle`
(a versão portuguesa não refere 
 a segunda parte do título original)
Presses Universitaires de France
Paris - 1976
187 págs.


Thomas Molnar, húngaro de nascimento e que, após prisão nazi e posterior ocupação da Hungria pela URSS, decidiu fugir para o que habitualmente se designa por Ocidente e assim passar a chamada ´Cortina de Ferro` ! 
Em Bruxelas conclui a sua preparação académica e parte para os EUA, onde se vai doutorar! Aí acaba por morrer, não sem. que depois da libertação e autonomia das chamadas ´Democracias Populares` , viesse a receber uma alta condecoração da Hungria!
O autor de «A Contra-Revolução» era um intelectual de grande erudição, católico integrista e adversário do Concílio Vaticano II e muito particularmente do Papa Paulo VI, que acusava de simpatia pela URSS (tenha-se em conta a política de apaziguamento a Leste conduzida pelo Cardeal Casaroli!...). Em suma um contra-revolucionário assumido e muito bem preparado!...

Para Thomas Molnar, à época em que escreveu «Socialismo Sem Rosto», ao contrário do que tinha sido dito por muitos pensadores, o mundo não evoluía para a convergência dos sistemas liberal capitalista e marxista. A evolução para o «socialismo de rosto humano», era um logro e o que seria de esperar era a monolitização do Estado, que tem por componentes o exército, um nacionalismo cioso e um socialismo sem teoria precisa, até sem ideologia. 
É de ter em conta que numa época em que a maioria dos pensadores censurava o Estado tentacular, Thomas Molnar via a raiz do mal político no enfraquecimento do Estado e das instituições, gerado pela ideologia liberal; pois não se assistia nos regimes comunistas à conquista do Estado por um partido, processo paralelo ao domínio exercido pelos grupos de pressão (ao quais o autor chama «feudalidades») sobre os Estados democráticos do Ocidente?!
Os então regimes nascentes (muito particularmente os do ´Terceiro Mundo`) rejeitavam simultaneamente as concepções liberal ´e` marxista, dois modelos ultrapassados, e procuravam construir um Estado forte.
Thomas Molnar interroga-se aqui, será que o «terceiro modelo» irá acabar por aclimatar-se nos países ocidentais (convém aqui chamar a atenção para a enorme diferença entre «terceiro modelo», aqui referido e «terceira via», designação forjada pelo ex-ministro das Finanças da Primavera de Praga, Ota Sik!...)
T.M. estava atento ao que se passara na Bolívia com o General Torres e no Peru com o General Alvarado... e claro com o 25 de Abril de 1974 em Portugal, que par ele se contavam entre os diversos casos que ilustram a sua perspectiva!...

´LE PETIT LIVRE ROUGE` - «CITATIONS DU PRÉSIDENT MAO TSÉ-toung» (Mao Zedong)

«Prolétaires de tous les pays unissez-vous !»
(´Proletários de todos os países uni-vos !`)
«Étudier les oeuvres du président Mao, suivre ses enseignements 
et agir selon ses directives .» (Lin Piao - Lin Biao)
(«Estudar as obras do presidente Mao, seguir os seus ensinamentos
e agir segundo as suas directivas .») - (Lin Piao - Lin Biao)

                                                                 Capa: Foto Keystone



«CITATIONS DU PRÉSIDENT MAO TSÉ-TOUNG»
               ´LE PETIT LIVRE ROUGE`
«CITAÇÕES DO PRESIDENTE MAO TSE-TUNG»
                ´O PEQUENO LIVRO VERMELHO`
Collection ´Politique`
Dirigée par Jacques Julliard
Éditions du Seuil
Paris, 1967
D.L.: 1º TR. 1967
Nº 1945 (4)-282


O ´livro vermelho` (´livre rouge`) das citações do presidente Mao Tse-Tung não é apenas uma mera antologia do ´maoismo`, esta expressão chinesa do marxismo-leninismo. Tornou-se também um documento excepcional: lido e comentado em múltiplas circunstâncias da vida quotidiana, brandido por centenas de milhares de braços a quando das manifestações dos ´guardas vermelhos`, tornou-se o livro por excelência dos chineses durante a vigência da ´revolução cultural´ : simultaneamente como arma política e símbolo da Revolução cultural!
No ocidente teve grande fortuna, particularmente durante os acontecimentos de Maio 68!

Vide: «La Chinoise» (´A Maoista`) de Jean-Luc Godard, filme de 1967



http://skocky-alcyone.blogspot.pt/2008/11/crise-francesa-de-maio-junho-de-1968-i.html
http://skocky-alcyone.blogspot.pt/2008/11/crise-francesa-de-maio-junho-68-i-i.html
http://skocky-alcyone.blogspot.pt/2008/11/bibliogarfia-crise-maio-junho-1968-c.html

«CITATIONS DU PRÉSIDENT LIOU CHAO-CHI» (Liu Shaoki) - Em memória - Pierre Belfond


´Le Nouveau Petit Livre Rouge`
´O Novo Pequeno Livro Vermelho`
´le livre interdit du Khrouchtchev chinois`
´o livro interdito do Kruschev chinês`





  «CITATIONS DU PRÉSIDENT
   LIOU CHAO-CHI» (Liu Shaoki)
(´Citações do Presidente Liu Chao Chi`)
Prefácio de Maurice Ciantar
Traduzido do chinês por Yves Dulaurens
Éditions Pierre Belfond
Paris - 1969
189 págs.
D.L. : 1º TRIMESTRE 1969




«Até à sua eleição à Presidência da República em 1959, pouca gente, quer na China como no estrangeiro, conhecia o nome de Liu Chao-Chi (Liu Shaoki). Foi necessário acontecer o início da Revolução Cultural. a 25 de Maio de 1966, para que a opinião pública mundial se familiarizasse com o seu nome.
Afinal quem é Liu Chao-Chi?

Será o ´Kruschev chinês`, que intentou meter Mao Tse-tung (Mao Zedong) «no caixote do lixo da História»? Na verdade existiram de modo bem acentuado duas Chinas, uma delas anterior  e a outra posterior à Revolução Cultural, porém como diz o próprio Liu Chao-chi: «Ninguém neste mundo pode de facto evitar ser mal compreendido: cedo ou tarde os mal-entendidos se dissiparão».

Este livro constitui o contra-balanço necessário ao «Pequeno Livro Vermelho» de Mao Tsé-tung, foi interditado na China da época. Uma única edição, pirata, viu o dia em Hong Kong e é essa da qual o presente livro constitui uma edição apresentada por Maurice Ciantar».




http://skocky-alcyone.blogspot.pt/2009/08/citations-du-president-liou-chao-chi.html


«A NAÇÃO UNA» - ´Organização Política e Administrativa do Territórios do Ultramar Português` - General Norton de Matos (II)






            «A NAÇÃO UNA»
´Organização Política e Administrativa
                           dos
   Territórios do Ultramar Português`
            Com um Prefácio do
              Prof.  Egas  Moniz
                Prémio Nobel
Paulino Ferreira, Filhos, Lda
Lisboa - 1953
335 págs.
Impresso pela Editora em Abril de 1953

INDÍCE GERAL DO VOLUME

PRÓLOGO do Prof. Egas Moniz
DISCURSO do Prof. Barbosa Magalhães
DISCURSO do Prof. Egas Moniz
EXPLICAÇÃO do General Norton de Matos

A NAÇÃO UNA
       ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E ADMINISTRATIVA DOS
       TERRITÓRIOS DO ULTRAMAR PORTUGUÊS

EXORTAÇÃO
      AOS NOVOS DE PORTUGAL

DESÍGNIO
EVOCAÇÃO

CAPÍTULO I
      A POSSE

CAPÍTULO II
     A CONSPIRAÇÃO

CAPÍTULO III
       A PRIMEIRA TRANSFORMAÇÃO DE ANGOLA
            Passagem da Organização Administrativa militar para
                a Organização Administrativa civil

CAPÍTULO IV
       A SEGUNDA TRANSFORMAÇÃO DE ANGOLA
              As Estradas

CAPÍTULO V
      A TERCEIRA TRANSFORMAÇÃO DE ANGOLA
           Proibição do comércio de pólvora e armas e o
              desarmamento da Província

CAPÍTULO VI
     A QUARTA TRANSFORMAÇÃO DE ANGOLA
            Assistência médica aos indígenas e melhoria das
                 suas condições de vida

CAPÍTULO VII
    O CONGRESSO DE MEDICINA TROPICAL

CAPÍTULO VIII
      A QUINTA TRANSFORMAÇÃO DE ANGOLA
           Proibição de bebidas alcoólicas

CAPÍTULO IX
      A SEXTA TRANSFORMAÇÃO DE ANGOLA
          O novo indígena: - da condição de trabalhador recrutado para
              a de novo proprietário e cultivador rural. O aumento da
              produção. Os géneros pobres

CAPÍTULO X
      A SÉTIMA TRANSFORMAÇÃO DE ANGOLA
          A Educação e a Instrução

CAPÍTULO XI
      A OITAVA TRANSFORMAÇÃO DE ANGOLA
            A vida de família e conforto dos europeus. Habitações,
             transportes, comunicações, segurança e ordem pública

CAPÍTULO XII
     A ORGANIZAÇÃO FINANCEIRA
        O pouco que pude fazer como Governador Geral; o que fiz
              como Alto Comissário da República

CAPÍTULO XIII
       ORGANIZAÇÃO E MONTAGEM DAS INSTITUIÇÕES
                 ADMINISTRATIVAS

CAPÍTULO XIV
      CONCESSÕES DE TERRENOS E OUTRAS

CAPÍTULO XV
      A QUESTÃO RACIAL

CAPÍTULO XVI
      EXPLANAÇÃO DO DESÍGNIO - A) UNIDADE NACIONAL
           Números I  a VII do Desígnio

CAPÍTULO XVI (Continuação)
     B) ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO
          Outros Nºs. do Desígnio:
        VII e IX: Desenvolvimento do Território Ultramarino. A fase comercial
        X: Regime aduaneiro
        XI: Regime financeiro e tributário
        XII. A moeda da Nação
        XIII: Organização bancária
        XIV: A Balança Comercial
        XV: O Fomento
        XVI: A marinha mercante
        XVII: A Agricultura
        XVII: A Industrialização
        XIX e XX: Os agentes em geral e os agentes técnicos
        XXI a XXVI: Elementos e acções essenciais: a assistência médica; o combate
                              ao alcoolismo; a urbanização; o ensino e a educação;
                              as missões científicas
        XXVII: O combate à emigração dos indígenas
        XXVIII: O estudo e a prospecção exaustiva do Território Nacional
        XXIX e XXX: O estudo dos povos que habitam os territórios de
                               Além-mar. Os bantos
        XXXI e XXXII: Um registo civil obrigatório e Estatísticas
                                  completas e sempre em dia
        XXXIII: A defesa militar e diplomática da Nação e da sua Unidade
        XXXIV: A organização da garantia da ordem interna
        XXXV: As relações exteriores
        XXXVI: E assim a NAÇÃO UNA surgirá

Este ´post`é o complemento do anterior ´post` sobre os Ventos da História, a Conferência de Baku e o Acto Colonial!

http://skocky-alcyone.blogspot.pt/2008/11/s-os-ventos-da-histria-conferncia-de.html
   


domingo, 21 de outubro de 2012

«MAOÍSMO EM PORTUGAL» - José Manuel Jara




«MAOÍSMO EM PORTUGAL»
´Ideologia anarquista
 contra-revolucionária
 e paródia burguesa do marxismo`
Anexo - «Ser ou não ser contra os monopólios»
José Manuel Jara
Textos de intervenção - 7
Edições Sociais
Julho de 1975
Lisboa
79 págs.


O autor na obra de propaganda e informação anterior «A Farsa dos pseudo radicais em Portugal», editada logo após a Revolução dos Cravos e destinada a combater um grupo alargado de movimentos da extrema esquerda, face aos danos que poderiam causar à Aliança com o MFA, dirige-se nesta outra publicação ao Maoísmo, e isto numa data precisa: após as eleições para a Assembleia Constituinte (25 de Abril de 1975) e o assalto do COPCON a locais pertencentes ao MRPP (28 de Maio de 1975), com a prisão de Arnaldo Matos e outros!
Porém, se o MRPP tinha uma atitude um tanto agressiva e provocadora, denunciada pelo saudoso J. L. Saldanha Sanches, ex-Militante da organização e expulso, acusado de pertencer à denominada «Linha Negra», existiam outros movimentos maoístas que não era meros descendentes da Esquerda Democrática Estudantil (EDE). Eram grupos que remontavam à cisão do ´camarada Campos`, entenda-se Francisco Martins Rodrigues, que com outros militantes forma uma frente, a «Frente de Acção Popular» (FAP), expressão do «Comité Marxista Leninista Português» (CMLP)!
Dado o prestígio dessas personalidades vindas da força que, formada em 1921, o  «Partido Comunista Português (PCP),sempre na vanguarda da luta contra o Regime Corporativo do Estado Novo, de contornos Fascistas, tornava-se necessário travar um combate em duas frentes (daí o Anexo): os Maoístas e os Partidos Democráticos que se opunham às nacionalizações!

Na «Introdução» o autor afirma:
«Vivemos uma Revolução. O processo revolucionário avança na construção de um Estado Democrático ao serviço do povo, avança  na destruição do poder dos monopolistas e dos latifúndios.
A unidade POVO / MFA  é, desde o 25 de Abril, o eixo da Revolução Democrática e Nacional. O movimento popular de massas, organizado pelos Partidos verdadeiramente democráticos e revolucionários e a vanguarda revolucionária das Forças Armadas são as duas componentes que definem a originalidade da Revolução Democrática, rumo ao Socialismo.
....Se a aliança tem duas componentes, ambas devem caminhar ombro a ombro na luta diária pelo aprofundamento de uma revolução que encaminha irreversivelmente o País, com salienta a Plataforma (Plataforma de acordo dos Partidos com o MFA).
....
Fazendo da sua estratégia o anticomunismo e o anti-sovietismo, dentro de uma linha na aparência de ´esquerda` e, ainda por cima, ´marxista-leninista`, são um peão da burguesia bastante útil no combate ao PCP e ao processo revolucionário.»

Nesta publicação o autor volta a elencar os movimentos maoístas e dá em organigrama uma explicação muito elucidativa das cisões surgidas após a fundação da FAP / CMLP (quero deixar bem explícito o meu respeito pelo saudoso Francisco Martins Rodrigues!...). Dadas as muitas divergências e erros táctico-estratégicos vão surgir uma legião de organizações que a par da EDE/MRPP, para quem não viveu a época de forma empenhada e militante se tornam nos dias de hoje um verdadeiro emaranhado de interpretação e descrição que quase roça o ´esotérico` !...
Basta atentar nas frentes eleitorais que vão surgir nas eleições para a Assembleia Constituinte, saídas das vária organizações maoístas, para se perceber que se tinham tornado verdadeiros ´grupúculos` (além do MRPP, temos: UDP, AOC, PUP, FEC-ml...)!...

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

«A FARSA DOS PSEUDO-RADICAIS EM PORTUGAL» - José Manuel Jara


Do Autor: 
´A TODOS OS VERDADEIROS DEMOCRATAS`

Bruto:
           Conhece-los?
Lúcio:
Não, meu senhor. Trazem os chapéus enterrados
   até às orelhas, e meio rosto ocultam em seus mantos,
de modo que não pode reconhecê-los pelos traços.
                                       Shakespeare (Júlio César)





«A FARSA DOS PSEUDO-RADICAIS»
´Estudo político e teórico sobre os grupos
maoiostas e trotskistas perante a Revolução´
Jodé Manuel Jara
Textos de Intervenção - 1.
Edições Sociais
2ª edição
Maio 1974
Lisboa
53 págs.

«Propomo-nos retratar os pseudo-radicais maoistas e trotskistas de Portugal.
A mistificação que estes grupos fazem em relação ao marxismo leva muito boa gente a, por vezes, com eles simpatizar. Pareceu-nos, pois, indispensável uma demarcação rigorosa entre marxismo e as variantes pseudo-marxistas destes grupos.
Este texto teórico pretende ser um contributo para que todos possamos separar o trigo do joio com clareza, já que a utilização emblemática das «frases marxistas» lança o descrédito no socialismo científico e nos seus verdadeiros defensores.
Pesamos que este breve estudo será, pela sua oportunidade, bem aceite. Os que são visados, prognosticamos, não darão como resposta mais do que um «espernear ideológico», «cheio de som e de fúria, mas significando nada».
Como método achamos melhor começar por análises político-ideológicas concretas, fundamentadas nos primeiros documentos após o 25 de Abril, fazendo de seguida uma síntese teórica. A análise que aqui se faz é válida para a imprensa tipo «Comércio do Funchal», «O Tempo e o Modo» e «O Jornal do Centro». »

(Nota: Os referidos jornais pertenciam a grupos «maoistas»...)

1 - M.R.P.P. - Movimento reorganizativo do partido do proletariado
2 - P.C.P. (M.L.) - Partido comunista de Portugal (marxista-leninista)
3 - O.C.M.L.P. - Organização comunista marxista-leninista portuguesa
4 - C.C.R.M.L. - Comités comunistas revolucionários marxistas-leninistas
5 - L.C.I. - Liga comunista internacionalista
6 - P.R.P. - Partido Revolucionário do Proletariado
7 - U.R.M.L. - União revolucionária marxista-leninista

Outras organizações do mesmo género desapareceram ou mudaram para os nomes referidos: o comité marxista leninista de Portugal (o bolchevista) dissolveu-se; o comité marxita leninista português mudou para o nome de «P.C.P. (M.L.)»; o grupo «O Comunista» udou de nome e passou a editar o jornal «O Grito do Povo», sendo o O.C.M.L.P.

8 - C.A.R.P. (M.L.) ?

(Nota: O autor decerto sabia que a sigla anterior significava para os organizadores: Comités de Apoio à Reconstrução do Partido (Marxista-Leninista) - esta nota é minha e apenas a indico para esclarecimento, pois me limito a transmitir os documentos e não interferir com a minha opinião!...Sem dúvida o autor estava ligado ao Partido Comunista Português e procurava contrariar a chamada esquerda radical que prejudicava a «Aliança Povo-M.F.A.».Essa atitude, é compreensível por questões táctico-estratégicas!)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

«O MARXISMO - LENINISMO» - Jean Roux («Précis historique et theorique de Marxisme-Léninisme»)

«Uma obra que tem como objectivo oferecer uma visão de conjunto sobre os principais autores que escreveram sobre o marxismo (precursores, adeptos, simpatizantes ou adversários...) e sobre o conteúdo, o valor e a importância das sua obras principais.

OS GRANDES TEÓRICOS
Os precursores - O marxismo-de Marx e de Engels - O leninismo, ou marxismo da época imperialista - Estaline e a interpretação estalinista do marxismo - Depois de Estaline: Mao Tsé-tung, Fidel Castro...

AS GRANDES TESES
O materialismo dialéctico - O materialismo histórico - Marxismo, religião, moral, família, educação - A estética marxista - O marxismo e o Estado - O marxismo e a questão nacional e colonial - O marxismo e a linguística - Teoria e táctica do movimento comunista internacional


                                                           Versão portuguesa (1973)



   «O MARXISMO-LENINISMO»
´Um compêndio da sua história e teoria`
           Jean Roux
Tradução: José Przrak
Capa: Sebastião Rodrigues
´O Homem e o Tempo`
Editora Meridiano, Limitada
Lisboa - 1973
457 págs.
Robert Laffont - 1971 (2ª edição)


Quando o editor decidiu editar esta obra (1973) ainda estávamos antes do 25 de Abril e achou-se necessária e indispensável um livro deste teor, pois que, à parte alguns especialistas ou políticos responsáveis, a imensa maioria da população, incluindo mesmo a camada intelectual, não somente não sabia praticamente nada sobre os principais teóricos do marxismo-leninismo e sobre as suas teses, como se encontrava penetrada de ideias feitas, em regra falsas, a seu respeito.
O propósito da presente obra consistiu em apresentar em duas partes, facilmente assimiláveis, o essencial do marxismo- leninismo considerado no seu aspecto histórico e, depois, sob um ponto de vista doutrinal. 
Não se pode compreender o marxismo no seu conjunto, senão depois de se ter estudado a «génese» das suas teses, isto é, a personalidade dos homens que a pensaram ou criticaram e os problemas que eles tiveram de enfrentar.
Este propósito impôs, em primeiro lugar, um plano fundamental sobre os diversos pensadores que se sucederam historicamente e, para cada um, sobre as obras que têm escritas, na sua ordem cronológica.
A importância de cada estudo biográfico foi função da importância histórica ou doutrinal da personagem que é objecto do mesmo, sem que, sob qual for o pretexto, seja lançado o exclusivo contra tal ou tal autor.
Por se pretender conservar nesta obra o seu carácter enciclopédico e imparcial, todo o autor que tenha contribuído de uma maneira notável, para a formação, desenvolvimento ou crítica do marxismo ortodoxo como das suas heresias, foi objecto de um estudo. 
Por isso que, neste livro, se estuda tanto Marx como Proudhon, Lenine como Bernstein, Estaline como Trotsky, Tito como Djillas, Mao Tsé-tung como Krutchev.
Parte-se da hipótese que o leitor da presente obra procuraria não uma apresentação apologética desta doutrina ou das suas derivantes, mas uma visão de conjunto imparcial e independente de todo o qualificativo sobre a personalidade, a vida, as obras e as teses dos principais pensadores meditaram e escreveram a propósito do marxismo!...

Nota: A tradução portuguesa respeita a versão original. quer do ponto de vista do conteúdo quer da qualidade da tradução. Dado haver quem venda gato por lebre, dei-me ao cuidado de cotejar ambas as versões...que saudade da época em que o fiz!...






                                                               Original francês (1969)


«PRÉCIS HISTORIQUE ET THEORIQUE
  DE MARXISME-LÉNINISME»
       Jean Roux
Robert Laffont
Paris - 1969
390 págs.
Depósito legal: 2º trimestre de 1969
Nº de edição.: 3117
Nº de impressão: 188

terça-feira, 2 de outubro de 2012

«DICIONÁRIO POLÍTICO DO OCIDENTE» - António Marques Bessa

«Estará o povo português preparado para se defender da agressão ideológica? E da linguagem utilizada pelo inimigo? É essencial dominar as palavras políticas. Fundamental aumentar a capacidade dialéctica. Este dicionário será a sua arma de defesa e de ataque.» (da contra-capa, 1979)

COLABORAÇÃO ESPECIAL DE:

Prof. Adriano Moreira
Prof. Borges de Macedo
Dr. Jaime Nogueira Pinto
Dr. José Miguel Júdice





«DICIONÁRIO POLÍTICO DO OCIDENTE»
                António Marque Bessa
     Prefácio do Professor Adriano Moreira
Editorial Intervenção, Lda.
Braga - Lisboa
Copyright - 1979 - António Marque Bessa
Edição nº 27
333 págs.

O então jovem político, hoje Professor universitário com vastíssima obra publicada, vem a terreiro das ideias e do esclarecimento e combate político, na esteira de obras por si publicadas - tais: «Introdução à Etologia» (1978). «Ensaio sobre o fim da nossa Idade» (1977) e em colaboração com Jaime Nogueira Pinto, «Introdução à Política» (1977) - , publicar uma obra que na altura se revelava de urgente necessidade: pôr ordem nas ideias!
De resto, António Marques Bessa, logo de início, esclarece que já tinha sido editada em Espanha uma obra sua intitulada «Diccionario político para Occidente», em co-autoria com J. Vargas publicada em 1978 por Alberto Vassallo de Mumbert! Esta obra apoiada e encorajada por A. Vassallo de Mumbert, foi a primeira versão, em espanhol, da obra aqui referida e serviu de base de trabalho para a presente versão portuguesa!
O autor pretendeu elaborar um dicionário que na época se tornava necessário, como de resto aconteceu com «Introdução à Política», pois o ambiente em que as pessoas estavam mergulhadas era de uma extrema confusão e oportunismo, devidos em grande parte à divulgação de uma certa «Escolástica» que se servia da chamada doutrina democrática para levar a água ao seu moinho...

Das 333 págs. que compõem o livro, o que se deve entender por «Dicionário», isto é, os termos da Ciência Política, elencados por ordem alfabética ocupam a esmagadora maioria do espaço e são quase todas da autoria de A.M.B. Nada mais nada menos que da pág.21 à 333! O Autor teve para alguns termos a colaboração de pessoas  de reconhecida autoridades na matéria!

COLABORAÇÃO ESPECIAL DE:

José Miguel Alarcão Júdice (Constituição Portuguesa de 1976; Gonçalvismo).
Jorge Borges de Macedo (Conservadorismo, Marcelismo, Salazarismo, Sebastianismo).
Giovanni Davoli (Civilização).
Rafael Gambra Ciudad (Tradição)
O. Junyent (Hitler, Nacional-socialismo-ideologia, Nacional-socialismo-regime).
Henry Keith (Liberalismo americano).
Padre Manuel Lopez Perez (Doutrina Social da Igreja).
Domingo Manfredi Cano (Brigadas Internacionais, Clientela, Comício).
Jaime Nogueira Pinto (Apartheid, Bonapartismo, Cesarismo, Democracia, Direita nacional,
         Eurosocialismo, Legitimidade democrática, Maquiavelismo, Regime português,
         Salazar, Teocracia, Tirania).
Isidro Palacios Tapias (Conservador)


O Professor Adriano Moreira afirma logo no início de um ´Prefácio` de grande capacidade de síntese e densidade: «As ciências sociais nunca tiveram vida fácil em Portugal, e uma das pequenas razões conhecidas é que os governantes, sem para tanto necessitarem de se proclamar autoritários, não gostam que se divulguem as técnicas que permitem submeter à análise os mecanismos de funcionamento das sociedades civil e política.»

Ao Prefácio segue-se uma introdução de António Marque Bessa:
«UMA LINGUAGEM, UM DICIONÁRIO»

...
«As palavras, arbitrariamente manipuladas, em vez de clarificar as questões em debate, ajudam a manter a ambiguidade, que é o objectivo de qualquer classe política bem sucedida...
...
Ora, o remédio para uma situação como esta parece ser, mais que um dicionário, um guia - um dicionário crítico, para  as pessoas que entendam dever assumir uma atitude crítica perante a linguagem que se utiliza na esfera do poder.
....

Portanto, este Dicionário também se inscreve numa finalidade didáctica: pretende desintoxicar, orientar, apresentar factos, ser uma tabela de referência para o desvario que deu nos cérebros orgulhosos do nosso tempo. É então um dicionário ´contra-corrente`. (A.M.B.)


sábado, 29 de setembro de 2012

«Capitalismo do Século XX» - Roger Garaudy

Roger Garaudy (1913-2012)
Militante do Partido Comunista Francês de 1933 a 1970.
Director do ´Centre d'Études et de Recherches Marxistes`de Paris.
Membro do ´Bureau` (Comissão) Político/a do PCF (1956-1969)
Expulso do PCF após a sua última intervenção no XIX Congresso em 6/2/1970
As dificuldades iniciaram-se com a sua postura de diálogo, nomeadamente em «Perspectivas do Homem» - 1959 e em ´De l'Anathème au Dialogue` - Un Marxiste s'adresse au Concile (1965). Acentuaram-se em 1966 com a sua semelhança de posições às alternativas de Lucien Sève, na ´comunicação`deste último na reunião do ´Comité` Central do PCF em Março desse ano. Garaudy publica ´Marxisme du XX ieme Siècle` (1966)! Em 1967 acerca do dissídio Sino-Soviético toma posição de contenção que o  aproximam de Palmiro Togliatti e escreve ´Le probème chinois`(1967). Os acontecimentos de ´Maio de 68`e a ´Primavera de Praga` que se saldou pela invasão das tropas do ´Pacto de Varsóvia`, levaram-no a participar num encontro de estudantes em Novembro 68 e a escrever obras que o vão levar a uma rota de colisão com o ´aparelho`do PCF, tais: ´La Liberté en sursis`(1968), ´Peut-on être communiste aujourd'hui?` (1968), obra esta que será reeditada no mesmo ano, mas com um Prefácio mais denso, ´Pour un modèle français du socialisme` e finalmente em 1969 com o livro ´Le grand tournant du socialisme`...Após a expulsão, Garaudy explica em ´Toute la vérité` - Mai 1968/Février 1970 (1970), o modo como decorreram os acontecimentos que o levaram à demissão do Bureau Politique em 1969 até à expulsão em 1970!...
Não cabe nesta curta resenha qualquer referência a escritos posteriores, quer numa aproximação ao cristianismo, à lateralização da Europa e finalmente a sua adesão, numa atitude de falta de confiança no homem, ao islão, (tenha-se presente que declarou na altura ser este a única arma capaz de abater o estalinismo) e à absurda negação do ´holocausto`!...


«Capitalismo do século XX»
     Roger Garaudy
Tradução de Jurandir Silva
Capa: Patrícia de Aquino
´Ideias e Fatos Contemporâneos`
 Volume 29
Editora Saga S/A - 1970
184 págs.
Direitos em língua portuguesa
Copyright: Éditions Bernard Grasset
(sem referência de data nem de título original)


A capa do livro refere com realce: «O livro que provocou a expulsão do autor do Comitê Político do Partido Comunista Francês`!...
Ora para quem conhece em profundidade a obra de Roger Garaudy, logo percebe que de facto não se trata de um livro seu, mas apenas da tradução da terceira parte de ´Peut-on être communiste aujourd'hui?`, intitulada ´Réflexions sur les formes actuelles du capitalisme`, que envolve quatro capítulos, reproduzidos na versão brasileira, se bem que por questões provavelmente  de arrumação a primeira parte passe a intitular-se de ´Introdução`, quando no original não há qualquer referência a uma introdução!...Do índice, de resto, consta apenas. em português o elenco do original:

I - O neocolonialismo
II - O Capitalismo monopolista de Estado e as novas contradições econômicas
III - As novas alienações políticas
IV - O Capitalismo monopolista de Estado e o homem
        a) Destino da cultura
        b) O tempo dos homens duplos
        c) Michel Foucault e a ´morte do homem`
        d) A propósito do ´anti-humanismo teórico`de Althusser

Na contra-capa: GARAUDY: o herético, são referidas as posições das tese herética de Garaudy.






´Peut-on être communiste aujourd'hui?`
  Roger Garaudy
Éditions Bernard Grasset
Paris, 1968
394 págs.
Dépot légal: 2e trimestre 1968
Nº édition: 3035
Nº d'Impression: 4347

A obra contém quatro partes!




´Pour un modèle français du socialisme`
  Roger Garaudy
Éditions Bernard Grasset, 1968
Idées actuelles, nrf - 171
385 págs.
Dépot légal: 4e trim. 1968
Nº déd. : 13769
Nº d'imp. : 2747

A obra é uma reposição da anterior, porém enriquecida por um denso prefácio!

Nota: em ´blogs` a publicar irei ter tempo e disponibilidade para abordar o caso Garaudy e mesmo a grosseira resposta de refutação editada na então URSS!...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

CARTA AO PRIMEIRO MINISTRO DE PORTUGAL

CARTA AO PRIMEIRO MINISTRO DE PORTUGAL



Exmo. Senhor Primeiro Ministro


Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.

Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito – todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! – mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.
Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice – da minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco – ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.
A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta – as físicas, as emotivas e as morais – um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais – tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.
Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos , situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças  - sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... – têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.
Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida – tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes  termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher – como o “conservador” Passos Coelho – quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.
Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. – e com isto termino – uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: ”Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.


De V. Exa., atentamente,

Eugénio Lisboa

Ex-Director  da Total, em Moçambique
                                         Ex-Director da SONAP MOC
                                                        Ex-Administrador da SONAPMOC e
                  da SONAREP
                                                          ex-Conselheiro Cultural da Embaixada     
                                de Portugal em Londres
                                          Prof. Catedrático Especial de  Estudos Portugueses (Univ. Nottingham)
              Ex-Presidente da Comissão Nacional da UNESCO
Prof. Catedrático Visitante da Univ. de Aveiro
Doutor Honoris Causa pela Univ. de Nottingham
Doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro
Mesalha de Mérito Cultural (Câmara de Cascais)   

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