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terça-feira, 22 de novembro de 2011

«PSICANÁLISE E DIALÉCTICA MATERIALISTA» - JOSÉ BLEGER



«PSICANÁLISE E DIALÉCTICA MATERIALISTA»
  JOSÉ BLEGER
TRADUÇÃO: M. FRANCO DE SOUSA
CAPA: CORREIA DE PINHO
DIRECÇÃO: LIMA RODRIGUES
159 Págs.
SÉRIE CULTURA CONTEMPORÂNEA
GALERIA PANORAMA
LISBOA-s/d
TÍTULO ORIGINAL:
«PSICOANALISIS Y DIALECTICA MATERIALISTA»
 2ª Edição
Editorial Paidós
BUENOS AIRES-1969


O autor, no prólogo à 1ª edição, quer que esta obra seja considerada na sua totalidade, como uma introdução e, como tal não deverá ficar por aqui. Constitui, antes, um começo. Porém não teve inícío como livro; integrou-se lentamente na tentativa de esclarecer, o próprio autor, quanto à psicologia psicanalítica e, assim, pode considerar-se também, como parte de uma biografia correspondente aos últimos seis ou sete anos dedicados totalmente a estudar, investigar, aprender e utilizar a psicanálise, vividos em todas as direcções da ´praxis` mais exigente: livros, aulas, seminários, tarefa terapêutica, ensino e a própria psicanálise.
Cada capítulo é um momento desse processo ou uma síntese elaborada em momentos mais lúcidos deste desenvolvimento, em que o autor via resolvidas determinadas interrogações ou colocados possíveis raciocínios ulteriores.
O que atrás foi referido, explica, entre outras coisas, que se encontrem algumas repetições de conceitos, mas que o são apenas aparentemente, pois que retomam e integram, se aprofundam e esclarecem, em contextos e momentos diferentes da espiral dialéctica da aprendizagem e da investigação. Neste sentido os capítulos seguem-se cronologicamente e constituem, no conjunto, a crónica de uma investigação. Na primeira edição, com excepção dos capítulos 5 e 6, todos foram escritos sem intenção de imediata publicação.A publicação destes estudos justifica-se pelo que os problemas nele tratados tocarem alguns pontos nevrálgicos do momento em que se encontrava o desenvolvimento da psicologia, e ainda porque as correntes científicas inspiradas e orientadas pelo materialismo dialéctico, tocavam nessa altura, o ponto álgido em que estabelecem contacto com a necessidade da psicologia. Orienta o Autor o desejo de contribuiur para recolocar e problematizar os factos e o propósito de brindar - especialmente com os que que se iniciam na psicologia e na psiquiatria - à possibilidade de novos caminhos.
O Autor afirma cumprir o grato dever de exprimir o seu agradecimento a todos os Membros do Instituto de Psicanálise e muito particularmente ao Dr. Enrique J. Pichon Rivière, pois que muitas das ideias expostas na obra foram elaboradas a partir dos seus ensinamentos, e alguns desenvolvimentos apresentados nesta obra se basearem nas suas teorias e hipóteses. Contudo, a responsabilidade por estes estudos cabem apenas ao Autor, pois o apreendido passou activamente pela experiência e a ideologia pessoal no grau máximo que resultou possível.


Decidida uma segunda edição do livro o Autor não encontrou razões para o modificar e conservar o que foi escrito, mantendo desse modo o que expôs, e continuando a acreditar firmemente que a posição sustentada é correcta e frutífera.


ÍNDICE
PRÓLOGO DA PRIMEIRA EDIÇÃO
PRÓLOGO DA SEGUNDA EDIÇÃO
INTRODUÇÃO - EPISTEMOLOGIA E PSICANÁLISE
CAPÍTULO 1 - GEORGES POLITZER. A PSICOLOGIA E A PSICANÁLISE
CAPÍTULO 2 - ESQUEMAS REFERENCIAIS UTILIZADOS POR FREUD
                      2.1 - A física mecanicista
                      2.2 - O evolucionismo
CAPÍTULO 3 - PSICOLOGIA DINÂMICA
                      3.1 - Dinâmica
                      3.2 O conceito de força
CAPÍTULO 4 - DRAMÁTICA
CAPÍTULO 5 - DRAMÁTICA E DINÂMICA EM PSICOLOGIA DOS INSTINTOS
CAPÍTULO 6 - A SESSÃO PSICANALÍTICA
                      6.1 - ENQUADRAMENTO CONCEPTUAL E METODOLÓGICO
CAPÍTULO 7 - DESARTICULAÇÃO DA DIALÉCTICA NA TEORIA PSICANALÍTICA
                      7.1 - Lógica formal e dialéctica em psicanálise
                      7.2 - Descoberta da alienação e da contradição na e sua elaboração nocional
                      7.3 - Transposição do movimento dialéctico em movimento mecânico e da conduta em
                              instintos 
CAPÍTULO 8 - DIVISÕES ESQUIZÓIDES EM PSICOPATOLOGIA
                      8.1 - Introdução
                      8.2 - Objectivos
                      8.3 - Divisão esquizóide
                      8.4 - Alienação
                      8-5 - Alienação e divisão esquizóide
                      8.6 - Esquizoidia
                      8.7 - Alenação e psicopatologia


Bibliografia geral


http://www.6tesis.com.ar/articulos/el_psicoanalisis_y_el_materialis.htm
http://www.investigacion.cchs.csic.es/rihp/Temas6/psicoanalisis
http://es.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Bleger
http://psicopsi.com/pt/bleger-jose/
http://www.cartapsi.org/mexico/psimar5.htm

           

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

«MARXISMO E ESTRUTURALISMO» - LUCIEN SEBAG



«MARXISMO E ESTRUTURALISMO»
  LUCIEN SEBAG
TRADUÇÃO: FELICIANA TORRES
EDITORIAL PÓRTICO
LISBOA- s/d
TÍTULO ORIGINAL: «MARXISME ET STRUCTURALISME»
PAYOT
PARIS-1964
(Edição de bolso-1967)


Lucien Sebag (Tunes, 1934-Paris, 1965) suicidou-se em 9 de Janeiro de 1965. Tinha trinta e um anos. A tentativa de assinalar as lacunas, as tensões que marcaram a sua existência, apenas nos levaria a reconstruir esta em função do seu fim. Evidentemente que este género de exercício é sempre possível, mas também se pode considerar a sua vida como uma narrativa interrompida no meio de uma frase, mesmo no momento em que ia culminá-la.
O seu projecto foi sempre filosófico. De formação marxista, Sebag não podia encarar este projecto fora de uma acção política que lhe daria o seu sentido pleno. O desfasamento que todavia descobriu pouco a pouco entre a acção real e a acção ideal levou-o a duvidar da oportunidade do seu militantismo. Era preciso compreender este desfasamento, portanto repensar a sociedade antes de trabalhar para a transformar.
O estruturalismo, na medida em que concordava com a corrente geral da ciência, surgiu-lhe como a única alternativa para o pensamento marxista; a psicanálise e a etnologia forneceram objectos privilegiados à sua reflexão. (Tenha-se presente que Lucien Sebag era seguido pelo psicanalista Jacques Lacan e que o suicídio ocorreu devido a uma grande e louca paixão por Judith, a filha de Lacan).
«MARXISMO E ESTRUTURALISMO», a única obra que publicou em vida, repensa em termos filosóficos esta evolução que de seguida se resume:
De 1953 a 1955, Lucien Sebag, militante activo do Partido Comunista Francês, contribuiu para o nascimento da oposição comunista nas diversas células de estudantes (principalmente a de filosofia). A resposta não se fez esperar muito tempo: a direcção do PCF desmantelou a oposição, que se arriscava a conquistar uma influência demasiado grande no panorama político e criou a U.E.C. (Union des Étudiants Communistes); Sebag não se inscreveu nela e prosseguiu uma actividade clandestina. Excluído do Partido, esteve até 1960 ligado a vários movimentos de extrema-esquerda. Não se tratava de uma vida abstracta: algumas rupturas foram-lhe bastante penosas.
Foi então que, por volta de 1956 descobriu a psicanálise, tal como era pensada na época por Jacques Lacan. Era passar de uma história da sociedade comandada por uma infra-estrutura essencialmente económica para a história individual, regida por outra infra-estrutura: a do inconsciente. Mas uma relação tornava-se inversa: o sujeito produtor de sentido tornava-se primeiramente um sujeito tomado no sentido; a ordem própria do simbólico tinha as suas razões que a razão conhecia mal.
Esta racionalidade secreta apenas para ser descoberta nas relações de um indivíduo com a família ou a sociedade, mas no projecto de culturas inteiras: era esse o programa proposto pela obra de Claude Lévi-Strauss, que abriu a Sebag não só um campo, mas também um método, em que as antinomias consciente-inconsciente, individual-colectivo, superestrutura-infraestrutura perdiam a sua pertinência em proveito de uma coerência lógica que unificava todos os níveis da investigação. Todavia, um novo desfasamento surgia à distância, problemático para as ciências do homem, entre o observador e o objecto da sua pesquisa sobre o qual se recusa a actuar. Já não se tratava para Sebag senão de compreender. Fora do domínio da linguística, o estruturalismo alcançou os resultados mais espectaculares no estudo das sociedades sem escrita. Sebag apaixonou-se por este campo privilegiado.
A partir de 1961 empreendeu o estudo da mitologia dos índios Pueblos. De Janeiro de 1963 a Janeiro de 1964 esteve com Guayaki do Paraguai e os Ayoréu da Bolívia. Um primeiro estudo sobre os sonhos de Baipurangi, jovem índia Guayaki, surgiu alguns meses depois do seu regresso...
Teria realizado a síntese com que sonhava? Os trabalhos etnológicos especializados ter-lhe-iam permitido descobrir modelos aplicáveis à sociedade em que vivemos? Teria podido reduzir o desfasamento entre o compreender e o agir? Teria considerado, pelo contrário, que, nas condições históricas em que estamos, o divórcio entre o pensamento e a acção não podia reduzir-se ao tempo de vida de um homem e teria portanto persistido numa atitude científica? Estas perguntas e outras sem resposta e sem fim, que fazemos sobre a continuação da vida de Sebag, são as mesmas que continuamos a fazer a todos nós.






domingo, 20 de novembro de 2011

Do ´PRÓLOGO` à obra «O REI DOS REIS» - PHILIP YORDAN

                                                                     POMPEU


                                                                  MITRÍADES VI








No ano que posteriormente se designaria por 67 a. C. , o cônsul romano Cneus Pompeius, vulgo Pompeu, foi incumbido de varrer do Mar Mediterrâneo os piratas que o assolavam e cujas rapinas haviam feito subir vertiginosamente, em Roma, o preço dos cereais. Ao fim de quarenta dias Pompeu livrou dos piratas aquele mar, mas não se contentou com vitória tão fácil. As aclamações que essa simples façanha lhe valeu em Roma inflamaram-lhe a ambição política. Apoiado pelo seu grande amigo Júlio César, Pompeu lançou-se à reconquista de todas as províncias da Ásia Menor que Roma dominara e deixara perder às mãos dos Persas. Dessa maneira. o Império Romano ia estender-se a terras que jamais tinham vivido sob o signo da águia.
Também aqui Pompeu se mostrou invencível. O pior inimigo que Roma possuía naquela parte do mundo, o rei Mitríades VI, foi estrondosamente derrotado e repelido para a Crimeia. Em 64 a. C. a Síria tornava-se província romana e um ano depois o fogoso cônsul cingia Jerusalém, a Cidade Santa da Judeia, com um anel de ferro.
A Judeia resistiu mais encarniçadamente do que qualquer dos outros objectivos da grande onda de conquista desencadeada por Pompeu. As legiões romanas cercaram a cidade murada durante três meses; vezes sem conto viram repelidos os seus ferozes ataques e as suas fileiras dizimadas pelos Judeus, na defesa amarga e heróica da Cidade Santa. Mas acabou por suceder o inevitável: abrindo largas brechas nas muralhas, as tropas invasoras irromperam através delas, numa torrente irresistível, e a cidade caiu em seu poder.
Pompeu encontrava-se na vanguarda das legiões vitoriosas que penetraram aos magotes na praça do Templo de Jerusalém. A indiferença do cônsul para com a própria segurança era fruto da sua raiva contra a desesperada resistência dos Judeus - imprevista para os Romanos - como das lendas que corriam sobre os grandes tesouros ocultos no Santo dos Santos do Templo. No seu grande corcel negro, o famoso cabo de guerra fez, desdenhosamente, com que os cascos do animal pisassem os cadáveres dos defensores e, sempre montado, subiu os largos degraus do Templo, atravessou o Salão dos Pagãos, o Salão das Mulheres, o Salão dos Sacerdotes, passou pelo altar dos sacrifícios e chegou até às portas fechadas do santuário interno, o Santo dos Santos.
As poucas mulheres que restavam com vida e o punhado de sacerdotes que tinham sido poupados olhavam com horror, enquanto o romano fazia parar o animal e contemplava as portas que davam acesso ao santuário. Atravessando a cavalo os salões externos, Pompeu profanara o Templo como nenhum outro antes dele o fizera. Atrever-se-ia agora à injúria final, invadindo o Santo dos Santos, que só os sacerdotes mais venerandos e sábios tinham pisado até então? Sim. Pompeu era capaz disso, porque era capaz de muito mais. Arriscar-se-ia mesmo a provocar a cólera de qualquer deus para chegar aos montões de diamantes e rubis e às estátuas de ouro maciço que, segundo lhe tinham dito, estavam escondidos no Santo dos Santos. O cônsul saltou da sela, fazendo tinir a armadura e seguiu na direcção daquelas portas hostis.
Ouviu-se um gemido, e uns doze sacerdotes, na maioria idosos e decrépitos, agruparam-se no caminho de Pompeu, barrando-lhe a passagem. O cônsul, com a boca franzida por um gélido sorriso, contemplou durante um momento e deu uma ordem incisiva. Alguns dos soldados arremessaram as azagaias, outros avançaram com as espadas largas e curtas, os gládios. O caminho para o Santo dos Santos estava aberto!
E assim Cneus Pompeius, o homem que deveria tombar anos mais tarde às mãos traiçoeiras de um dos sues próprios centuriões, derrotado, desonrado e fugindo dos seus antigos fieis amigos - que depois se voltaram contra ele - foi o primeiro pagão a entrar no Santo dos Santos do grande Templo de Jerusalém. Não encontrou ouro algum, nem diamantes, nem rubis: em vez dessas riquezas, seus olhos depararam com um salão de piso de pedra, na extremidade do qual se via estendido um simples véu de seda.
No primeiro choque de desapontamento, Pompeu praguejou; depois atravessando o aposento com um sorriso metálico, estendeu a espada, rasgou o véu e derrubou-o. O tesouro devia estar, sem dúvida, atrás desse pano.
Mais uma vez, porém, não havia tesouro algum, nem pedras preciosas, nem ídolos de ouro incrustados de gemas riquíssimas. Apenas um altar sem adornos, e sobre ele um pergaminho com inscrições hebraicas.
O conquistador romano ficou de pé, uns instantes, reflectindo no rosto aqulino uma profunda decepção; depois, com outra praga, saiu do santuário, segurando numa das mãos de grossos dedos o tesouro dos Judeus, que supusera valer um milão de talentos ou mais, uma riqueza incalculável, e que, afinal, não passava de um simples pergaminho.
Os ajudantes de Pompeu notaram-lhe a expressão de ira no rosto moreno, mas não fizeram perguntas E quando ele abandonou o Templo em largas passadas, derrotado na própria  hora do seu triunfo, com todo o orgulho destruído pela ambição lograda, seguiram-no em silêncio.
Lá fora, na escadaria, um judeu idoso e curvado que milagrosamente escapara à lanças e aos gládios, acocorou-se e estendeu a mão ossuda. Cego pela ira e pela desilusão, sem saber exactamente o que fazia, Pompeu atirou-lhe com o pergaminho e continuou. 
O maior tesouro da Cidade Santa, a Torá ou Lei de Moisés, foi, desta forma, devolvido aos judeus, e tal facto serviu para lhes minorar a mágoa da servidão nos cinquenta anos seguintes em que Jerusalém e a Judeia sofreram o jugo romano.

sábado, 19 de novembro de 2011

«O REI DOS REIS» - PHILIP YORDAN - PORTUGALIA EDITORA




«O REI DOS REIS»
Uma história de Jesus e Suas palavras inspiradoras
 ROMANCE
 PHILIP YORDAN
Tradução: JOSÉ CAMACHO
PORTUGÁLIA EDITORA
LISBOA-Janeiro 1962
221 págs.


TÍTULO ORIGINAL:
«KING OF KINGS»
by SAMUEL BRONSTON, PRODUTIONS, INC.




A vida de Jesus é o tema que mais tem inspirado escritores, pintores, escultores, músicos e artistas de todo o género. O cinema desde cedo foi atraído, como não podia deixar de ser, pela sugestão irresistível desse mesmo tema.
Este livro possui o interesse de ser não o argumento sobre o qual se baseou a grandiosa obra de Samuel Bronston, produzida pela Metro Goldwyn Mayer, mas o inverso, isto é a recriação literária de alguém que, tendo visto o filme, nos conta o que viu, tal qual um repórter a quem fosse dado o privilégio de assistir aos acontecimentos que iluminaram a história da Judeia, há cerca de dois mil anos
Esse repórter, PHILIP JORDAN, estava presente, quando POMPEU, o cônsul romano conquistou a Cidade Santa e ousou entrar no SANTO DOS SANTOS do TEMPLO DE JERUSALÉM. A tragédia dos Judeus folheia uma nova página.
Mas PHILIP JORDAN vai ser espectador de factos ainda mais espantosos. A conquista da Judeia é apenas o seu primeiro quadro da sua odisseia. Depois conhecerá Lúcio, o centurião romano, o homem que formara o carácter e a consciência na servidão militar e no princípio indiscutível de que as verdades de Roma, as ordens de César, são as únicas ordens deste mundo. Habituado a obedecer, mesmo quando a Razão o aconselha em contrário, Lúcio Catão encontra-se em Jerusalém naquela noite em que Belchior, Baltasar e Gaspar seguem a Estrela que lhes anuncia o nascimento do novo Rei da Judeia.
Um obscuro centurião como tantos outros das legiões imperiais, entra na História ao introduzir junto de Herodes os três Reis Magos. Vai conhecer Jesus dentro em pouco, quando Herodes lhe ordena o massacre dos inocentes de Belém: vê-o na manjedoura, junto de sua Mãe: e sente pela primeira vez, aquela estranha, inexplicável força que o impede de levantar a espada sobre a criança rodeada por um halo de luz.
Lúcio voltará a encontrar Jesus, doze anos depois; e é ainda a mesma estranha força que o impele a salvar a mesma criança que vira no seu berço de palhas. Mas acreditaria alguma vez (se um profeta lho dissesse) que seria ele o advogado de Jesus, quando o divino Mestre comparece perante os tribunais romanos? Nessa hora começará a desaprender tudo quanto até então havia aceitado como lei. Surpreende-se a combater Roma, a Infalível, embora saiba que vai ser vencido, e este não é o menor dos prodígios num homem que, como soldado romano, estava habituado a combater por causas antecipadamente ganhas.
No entanto, no mais fundo da sua alma, uma doce voz lhe dizia que aquela Causa iria vingar no Tempo, nos séculos que haviam de vir!...


NOTA: As dezasseis fotos que acompanham este livro, assim como a ilustração da capa, foram amavelmente cedidas pela Metro Goldwyn Mayer e são extraídas do grandioso filme realizado pela mesma empresa.


http://www.tcm.com/mediaroom/video/63505/King-Of-Kings-Philip-Yordan-A-TCM-Featurette-.html


terça-feira, 8 de novembro de 2011

O ´Caso` DREYFUS - A ´Carta Aberta` de ÉMILE ZOLA - E o ´pretexto` para a formação do «SIONISMO»

     
          ´CARTA ABERTA` ao PRESIDENTE DA REPÚBLICA FRANCESA, por ÉMILE ZOLA
                                                                 «J'ACCUSE...!»



              1ª Página do Jornal  «L'AURORE», (´Deuxième anné - Numero 87 - Cinq centimes
 Jeudi  18  Janvier  1898) (´Segundo ano- Número 87 - Cinco cêntimos - Quinta-feira 18 de Janeiro 1898)

                                                                    A C U S O


                                         CARTA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA


                                                             por  EMÍLIO ZOLA




  Imagem feita em ´scanner` do ´fac-simile` propriedade minha, pedindo desculpa por ter sido dobrado!


  Nesta primeira parte encontra-se apenas parte do imenso texto escrito pelo corajoso EMÍLIO ZOLA!




                                 O ´ANTI-SEMITISMO` ESPALHAVA-SE EM FRANÇA!...




O ´CASO`  (´L'AFFAIRE`), como ficará a ser chamado e conhecido na História, tem início em 1894: Um acontecimento banal vai levar um Capitão, de seu nome Alfred
Dreyfus, a ser condenado por traição, degradado, e condenado à deportação perpétua
sendo degredado para a tristemente famosa Ilha do Diabo, frete à costa da Guiana Francesa!
Em 1896, um Coronel francês, PICQUART, tem a honesta frontalidade de revelar que 
DREYFUS foi acusado e declarado culpado sem razão! 
Esta importante revelação faz com que a opinião pública comece a comover-se, tanto mais devido ao facto de DREYFUS ser Judeu rico e alsaciano...
A esquerda francesa não duvida mais da sua inocência. EMÍLIO ZOLA, amigo íntimo
do malogrado JAURÈS, decide escrever uma carta aberta ao recém-eleito Presidente 
de França. Essa carta publicada no jornal «L'AURORE», surge como um demolidor artigo, intitulado ´J'ACCUSE` - ´EU ACUSO`, demonstrando que o Ministro da Guerra acobertou com a sua autoridade toda uma série de ilegalidades!
ZOLA, foi conduzido perante o Tribunal, sendo o intrépido escritor condenado a um
ano de prisão!
A FRANÇA apaixona-se e divide-se em dois campos, dado o anti-semitismo se confundir com o nacionalismo!...
Em 1899, o ´Processo´ é revisto em Rennes, porém o desfecho será uma nova condenação...Amnistiado em 1900, Dreyfus terá ainda de aguardar seis anos por uma verdadeira reabilitação! Durante a Grande Guerra servirá a sua Pátria no Campo de
Honra como brilhante oficial de Artilharia!


Este facto levou os judeus europeus a reflectir que seriam sempre vítimas nas nações europeias, mesmo que o seu passado fosse de grande empenhamento pelas respectivas ´pátrias`... Em 1895, THEODOR HERZL, natural da Hungria escreve a obra
que está na origem do ´SIONISMO`: «Der Judenstaat» («O ESTADO JUDEU»)! Em 1897
Herzl organizou o 1º Congresso Sionista, que decorreu em Basileia, na Suiça!


http://skocky-alcyone.blogspot.pt/2009/06/herzl-and-zionism.html



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

«MANUAL DE HISTORIA DE LA IGLESIA»- OBRA COLECTIVA - SOB A DIRECÇÃO DE HUBERT JEDIN (10 TOMOS)

«MANUAL DE HISTORIA DE LA IGLESIA»
(«MANUAL DE HISTORIA DA IGREJA»)
Publicado sob a direcção de HUBERT JEDIN
Seccion de Historia
BIBLIOTECA HERDER
BARCELONA
Título OrIginal: «HANDBUCH DER KIRCHENGESCHICHTE»
VERLAG HERDER


Obra colossal, elaborada a seguir ao Concílio Vaticano II, por um conjunto de eminentes historiadores, que Hubert Jedin ( uma das maiores autoridades sobre o Concílio de Trento ) coordenou e teve sucesso na independência, verdade e esforço ecuménico!



TOMO PRIMEIRO
«INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA IGREJA» - Hubert Jedin
«DA IGREJA PRIMITIVA AOS COMEÇOS DA GRANDE IGREJA» - Karl Baus
631 págs.



TOMO SEGUNDO
«A IGREJA IMPERIAL - DEPOIS DE CONSTANTINO ATÉ FINS DO SÉCULO VII»
Karl Baus, Hans-Georg Beck, Eugen Ewig e Hermann Josef Vogt
1083 págs.


TOMO TERCEIRO
«DA IGREJA DA PRIMITIVA IDADE MÉDIA À REFORMA GREGORIANA»
Friedrich Kempf, Hans Georg Beck, Eugen Ewig e Josef Andreas Jungmann
759 págs.

TOMO QUARTO
«A IGREJA DA IDADE MÉDIA DEPOIS DA REFORMA GREGORIANA»
Hans-Georg Beck, Karl- August Fink, Josef Glazik, Erwin Iserloh e Hans Wolter
1008 págs.


TOMO QUINTO
«REFORMA PROTESTANTE» - «REFORMA CATÓLICA» E «CONTRA REFORMA»
Erwin Iserhold, Josef Glazik e Hubert Jedin
939 págs.


TOMO SEXTO
«A IGREJA DO TEMPO DO ABSOLUTISMO E DA ILUSTRAÇÃO»
Wolfgang Müller, Quintin Aldea, Johannes Beckmann, Louis Cognet, Patrick J. Corish,
Oskar Köhler, Heribert Raab, Burkhart Schneider e Bernhard Stasiewski
882 págs.


TOMO SÉTIMO
«A IGREJA ENTRE A REVOLUÇÃO E A RESTAURAÇÃO»
Roger Aubert, Johanes Beckmann, Patrick J. Corish e Rudolf Lill
1073 págs.


TOMO NONO
«A IGREJA MUNDIAL DO SÉCULO XX»
Gabriel Adriányi, Pirre Blet, Johanes Bots, Viktor Dammertz, Erwin Gatz, Erwin Iserloh, Hubert Jedin,
Georg May, Joseph Metzler, Luigi Mezzardi, Franco Mollinari, Konrad Repgen, Leo Scheffczyk,
Michael Schmolke, Bernhard Stasiewski, André Tihon, Norbert Trippen, Roberto Trisco, Ludwig Volk,
Wilhelm Weber, Paul Ludwig Weinacht
1060 págs.


TOMO OITAVO
«A IGREJA ENTRE A ADAPTAÇÃO E A RESISTÊNCIA»
Roger Aubert, Günter Brandmann, Jakob Baumgartner, Mario Bendiscioli, Jacques Gadille,
Oskar Köhler, Rudolf Lill, Bernhard Stasiewski e Erika Weinzierl
835 págs.


TOMO DÉCIMO
«A IGREJA DO SÉCULO XX EM ESPANHA, PORTUGAL E AMÉRICA LATINA»
Quintin Aldea, Ana Maria Bidegan, Eduardo Cárdenas, José Dammert, Óscar de Figueiredo, Hernann
González, Raimundo Grigoriou, Maria Antonieta Huerta, Elbio Lopez, Antonio Montenegro, Luis Pacheco.
José Miguel Romero, Iván Tavel, J. Vaz de Carvalho, Juan Carlos Zuretti
1364 págs,


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

«UM COMUNISMO DIFERENTE?» - ANNIE KRIEGEL (1926-1995)




Na capa fotos de Enrico Berlinguer (Compromisso histórico), Santiago Carrillo (Eurocomunismo)  e Georges Marchais (União da Esquerda).


Os comunistas mudaram? O Partido reputado de secreto, intransigente, exilado do interior, reveste-se agora de novos atractivos. Em Roma, Madrid e Paris, comunistas sorridentes estendem a mão a quem a quiser apertar. Estaline foi enterrado. a ditadura do proletariado está morta, a estrela do Kremlin empalideceu. Viva o eurocomunismo! Mas não representará o eurocomunismo simplesmente o preço que os Partidos Comunistas  terão de pagar para continuarem a merecer credibilidade?
Segundo Annie Kriegel, à pergunta: «Que farão os partidos comunistas se...», não corremos qualquer risco em responder: «o que sempre fizeram...»

«UM COMUNISMO DIFERENTE?»
 ANNIE KRIEGEL (1926-1995)
Tradução de António Mega Ferreira
Capa de José Cândido
Colecção ´ARQUIVOS DE SEMPRE`
EDIÇÕES ANTÓNIO RAMOS
LISBOA-1978
Título da edição original: «Un autre communisme?»
Librairie Hachette, 1977
(Prefácio da Autora à edição portuguesa)


Reconhecida especialista da história do socialismo e do movimento operário, assuntos a que dedicou várias obras, Annie Kriegel debruça-se nesta obra sobre o tema. à época, perturbante que consistia no que é o eurocomunismo. Desse ´comunismo diferente`, a antiga militante do Partido Comunista Francês tenta três definições:
Será o eurocomunismo uma variedade nova da família comunista, tendo como preocupação maior reconciliar socialismo com liberdade? Será uma estratégia revolucionária de conquista do poder, à escala regional? Ou representará uma tentação comum - tentação de rever o conceito de ´internacionalismo proletário`, a caminho do ´nacional-comunismo`?
Com a mordacidade que lhe é particular, mas sobretudo como profunda conhecedora de toda a organização de um partido em que militou até 1956, Kriegel analisa cada uma destas três possíveis vias do eurocomunismo. Examina em seguida os seus obstáculos e as suas ameaças para, numa atitude lucidamente céptica, concluir que o «eurocomunismo é. por enquanto, um processo de diferenciação no seio do movimento comunista internacional, que, por si próprio, não modifica ainda o dispositivo das forças à escala internacional».
Concorde-se ou não com as teses então defendidas por Annie Kriegel, condenemos ou não a sua manifesta intolerância, «UM COMUNISMO DIFERENTE?» impõe-se como ensaio metódico e exaustivo que era um dos mais controversos temas dessa época. Recorde-se que no seu IX Congresso de Abril de 1978 - o primeiro na legalidade desde 1932 ., o Partido Comunista Espanhol renuncia ao ´leninismo`, declarando-se simplesmente ´marxista, democrático e revolucionário`.
Lembremos ainda que os dois outros grandes partidos comunistas da Europa Ocidental - o PCI e o PCF - acompanhavam atentamente essa ´oficialização do eurocomunismo`.

sábado, 30 de julho de 2011

«CIENCIA Y GOBIERNO» - ´CIÊNCIA E GOVERNO` - C. P. SNOW



«CIENCIA Y GOBIERNO»
(´CIÊNCIA E GOVERNO`)
C. P.  SNOW
TRADUÇÃO: MANUEL ESCALERA
BIBLIOTECA BREVE
EDITORIAL SEIX BARRAL, S. A.
BARCELONA - 1963
TÍTULO ORIGINAL: «SCIENCE AND GOVERNMENT»
HARVARD UNIVERSITY PRESS
CAMBRIDGE, MASS. , 1961




SIR CHARLES P. SNOW foi um novelista de reputação. Em «THE AFFAIR» (1960), as suas personagens são convincentes académicos, burocratas, políticos e homens de ciência.
Pelas sua actividades profissionais que abrangem a ciência e o governo, foi encarregado durante a II Guerra Mundial de seleccionar as pessoas para as investigações científicas britânicas com fins militares, ´Civil Service Comissioner`, director da ´English Electric Company`, etc. - e pela sua habilidade em fazer chegar aos seus concidadãos profanos os problemas do homens de ciência, era o mais indicado para abordar em público a candente questão das relações entre ciência e política nas sociedades avançadas, tema do presente ensaio.
Com esse fim escolheu o trágico exemplo das diferenças surgidas nos anos da guerra entre Sir Henry Tizard, incumbido oficialmente para que a Inglaterra conseguisse estar na linha dianteira do desenvolvimento do ´radar` e F. A. Lindemann (Lord Cherwell), assessor científico de Churchill, que provocaram erros, tais os bombardeamentos estratégicos da Alemanha. A história narrada neste livro é uma chamada de atenção sobre o facto de que decisões capitais tenham de ser tomadas por ´homens que não possuem um conhecimento em primeira mão daquilo em que estribam essas decisões ou de quais podem ser as suas consequências`.


NOTA: O Autor estudou pormenorizadamente o ´arquivo` TIZARD, que constituiu a sua principal fonte escrita de referência!


http://books.google.pt/books?id=XAgAAAAAMBAJ&pg=PA39&lpg=PA39&dq=tizard+c+p+snow&source=bl&ots=1MBT00J5Wn&sig=pXHkpHT9Q8YxyzfWg8Y8PeJ5J1M&hl=pt-PT&ei=s-kzTrvbG4S3hQfkisHeCg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&sqi=2&ved=0CBcQ6AEwAA#v=onepage&q=tizard%20c%20p%20snow&f=false





quinta-feira, 28 de julho de 2011

«EM DEFESA DO PENSAMENTO CIENTÍFICO» - ´UM INCIDENTE / OS CONDICIONALISMOS DO ENSINO SUPERIOR` - ARMANDO CASTRO





«EM DEFESA DO PENSAMENTO CIENTÍFICO»
´UM INCIDENTE / OS CONDICIONALISMOS DO ENSINO SUPERIOR`
 ARMANDO DE CASTRO
Revisão tipográfica: JAIME MENDES
Capa e direcção gráfica: ARMANDO ALVES
COLECÇÃO SITUAÇÕES - 2
EDITORIAL INOVA
PORTO - 1973




       «Se é impossível encontrar em cada homem uma essência universal que seria a natureza 
       humana, existe contudo uma universalidade humana de condição.
       Não é por acaso que os pensadores de hoje falam mais facilmente da condição do homem
       do que da sua natureza. Por condição entendem mais ou menos distintamente o conjunto dos
       limites ´a priori` que esboçam a sua situação fundamental no universo.
       As situações históricas variam: o homem pode nascer escravo numa sociedade pagã ou senhor 
       feudal ou proletário. Mas o que não varia é a necessidade para ele de estar no mundo, de lutar,
       de viver com os outros e de ser mortal.»


                                                                                           JEAN-PAUL SARTRE




Impossibilitado por despacho procedente do Ministério da Educação Nacional de leccionar no ensino superior, no ano lectivo de 1973-74, quando já leccionava ininterruptamente desde 1970-71, Armando Castro (Armando Fernandes de Morais e Castro), neste livro, entrega a público as peças fundamentais do respectivo «processo». É não só para uma avaliação do aspecto mais genérico que a decisão assume, pois o livro visa também chamar a atenção para a importância dos ramos disciplinares que essa mesma acção impede, Efectivamente, era a primeira tentativa sistemática efectuada em Portugal tanto no domínio do ensino da Gnoseologia, ciência que estuda as leis da ciência e de desenvolvimento do conhecimento humano em geral, como em particular da Epistemologia, ciência que estuda o conhecimento científico. 
Ora, como o próprio autor argumenta na exposição dirigida ao ministro da Educação Nacional, constante deste volume, a não se tratar de proibir de facto uma ciência determinada por um determinado professor, que restará senão pensar que o impedimento é motivado ou pela inércia derivada característica das estruturas dominantes nos meios universitários, ou, mais do que  a simples inércia derivada da incompreensão, dada a novidade teórica da ciência ensinada, pela intenção de obstar ao ensino da Epistemologia?
Mas o livro, além de ser a perspicaz discussão do despacho de indeferimento, é também uma introdução, ainda que sintética à disciplina que o Autor ministrava. Nele se aborda, entre outras, a questão da importância que assume a luta epistemológica nas ciências do homem, as razões da actual ´explosão` na  atenção dispensada ao conjunto de disciplinas que estudam os problemas humanos, o atraso epistémico destas ciências em relação às ciências da natureza, qual a via para a conquista de critérios de cientificidade no próprio estabelecimento de escalões que regulem o recrutamento de professores do ensino superior oficial...
E, além disso, oferece ao leitor a visão do que é um curso de Epistemologia, quer pela bibliografia aconselhada nos cursos que deu, e aqui referida, quer pelos sumários das lições e dos pontos de exame que aplicou.




ÍNDICE
1. EXPOSIÇÃO ENVIADA A SUA EXCELÊNCIA O SENHOR MINISTRO DA EDUCAÇÃO NACIONAL EM 25 DE SETEMBRO DE 1973
2. DOCUMENTOS QUE ACOMPANHAM ESSA EXPOSIÇÃO
3. CÓPIA DO REQUERIMENTO DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO CONTENCIOSO NO SUPREMO TRIBUNAL     ADMINISTRATIVO, CONTRA O DESPACHO DE S. EXA. O SENHOR SECRETÁRIO DE ESTADO DA ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR
4. RESPOSTA AO NOVO FUNDAMENTO INVOCADO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA QUANTO A DECISÃO DE 6 DE JULHO, SEGUNDO OFÍCIO DA INSPECÇÃO DO ENSINO PARTICULAR DE 5 DE NOVEMBRO DE 1973




                                                         ARMANDO DE CASTRO



domingo, 24 de julho de 2011

«PENSAR A CIÊNCIA» - ´Colóquio para professores de Filosofia`



    «PENSAR A CIÊNCIA»
´Colóquio para professores de Filosofia realizado na
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade 
Nova de Lisboa em Setembro de 1984`
Manuel da C. Leite, A. M. Nunes dos Santos, Manuel Esquível,
Fernando Mouro, Luis J. Archer, Luis Fraser Monteiro, A. César 
de Freitas, José Carlos T. de Oliveira, Joaquim von Haffe Peres,
Luís Moniz Pereira
Revisão do texto: José Manuel Soares
Capa: Armando Lopes
GRADIVA -PUBLICAÇÕES Lda. - 1988
Depósito Legal nº 19550 /88




O inegável crescimento do peso da ciência e da tecnologia no mundo contemporâneo coloca novos desafios em praticamente todos os domínios com especial destaque para o filosófico.
Tendo em atenção a responsabilidade específica do ensino filosófico no sistema educativo português, na altura em que foram produzidas estas comunicações, os problemas decorrentes daquele crescimento científico e tecnológico são particularmente importantes.
PENSAR A CIÊNCIA é o resultado de um colóquio levado a cabo no sentido de reflectir, em Portugal e em português, sobre este tema. O facto de o colóquio se centrar sobre o conhecimento científico e, de modo privilegiado, sobre as relações entre ciência e filosofia é, obviamente, intencional. Desde há muito se entende que o acréscimo do peso da ciência e da tecnologia no mundo contemporâneo transporta desafios que, para além dos pertencentes ao próprio domínio (os problemas internos à ciência), se prolongam para domínios diversos, designadamente o filosófico.
Se adicionalmente se levar em consideração a importância (com a inerente responsabilidade) do ensino da filosofia, no sistema de ensino português, sobretudo pela expressão que alcançava no ensino secundário (1984), um colóquio deste tipo ver-se-à desde logo, independentemente da inevitável heterogeneidade no tratamento dos temas, suficientemente justificado.
Assim, contando com a presença de importantes personalidades nacionais, o colóquio desenvolveu uma problemática que está longe de interessar apenas a professores de Filosofia a quem se dirigia originalmente. As intervenções foram recolhidas e reescritas neste volume que se afigura de grande importância para aferir a situação da cultura portuguesa.


ÍNDICE


Apresentação
Até que ponto uma ciência poética
Análise matemática - Itinerários
Sobre a física de Aristóteles
A genética e o futuro - Pressupostos para a sua inteligibilidade
Física e filosofia - Princípios e perspectivas
O método axiomático em matemática
O infinito na matemática e na física
Teoria das catástrofes e lógica da percepção
Máquinas humanas



sexta-feira, 22 de julho de 2011

«AS DUAS CULTURAS» - C. P. SNOW (Em Apêndice: «CIÊNCIA E GOVERNO»)




«AS DUAS CULTURAS»
 C. P. SNOW
TRADUÇÃO: Dr.ª IDALINA PINA AMARO
CAPA: HOMERO AMARO
Em Apêndice: «Ciência e Governo»
COLECÇÃO VECTOR - V 01
PUBLICAÇÕES DOM QUIXOTE
TÍTULOS ORIGINAIS:
«THE TWO CULTURES: and A SECOND LOOK»
CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS
1959, 1963, C. U. P.
CDU - 501
«SCIENCE AND GOVERNMENT»
HARVARD UNIVERSITY PRESS
1960, 1961 - Presidente e ´Fellows`do Harvard College
CDU - 623.73.




A expressão «as duas culturas» - usada originalmente por C. P. SNOW em 1959 - em breve passou a fazer parte das muitas línguas europeias em que a obra foi traduzida e discutida.
A análise do abismo que separa a «cultura» dos cientistas da «cultura» literária de inspiração clássica, e o seu diagnóstico dos perigos decorrentes da ausência de comunicação entre as duas, tornou-se um dos temas mais discutidos de todo o mundo culto. A tal ponto que alguém chamou a As Duas Culturas «o trampolim necessário para que se repensem com frescura e sentido de urgência os problemas educacionais e a sua importância para o futuro da nossa sociedade». Concorde-se ou não com Snow, é impossível ignorá-lo, pois, como ele próprio escreve, «a inocência é o pior dos crimes».


No ensaio que completa este volume, Snow analisa os perigos que advêm, no mundo moderno, do facto de os homens que presidem aos destinos dos povos raramente compreenderem as consequências das suas decisões mais importantes, isto é, daquelas que pressupõem a utilização das grandes conquistas da ciência. De aí a necessidade, cada vez mais premente, de reformar profundamente os nossos conceitos educativos, de forma a vir a dar aos homens de ciência um maior sentido das suas responsabilidades humanas e aos homens de formação «clássica» - que ainda constituem a a maioria dos quadros de administração pública - uma compreensão mais exacta dos caminhos que tecnologia moderna vai abrindo ao mundo.


NOTA: Existe uma nova Edição/reimpressão datada de 1996, Editorial Presença - Pontos de Referência.


Em memória de SNU ABECASSIS!




http://divulgarciencia.com/categoria/c-p-snow/





quinta-feira, 21 de julho de 2011

«FACTORES DE EFICIÊNCIA EM INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA» - JAIME PINTO





«FACTORES DE EFICIÊNCIA EM
 INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA»
  JAIME PINTO
EDIÇÕES COSMOS
LISBOA - 1969

Pequeno livro - na sua extensão de páginas. Livro grande - julgado quanto à oportunidade e relevância do assunto tratado. Grande livro, se meditarmos acerca dos períodos e das páginas de densa, constante e judiciosas críticas e se nos debruçarmos sobra a sua formulação doutrinária, esta concernente a uma actuante e operante investigação científica em nosso país, na altura em que foi editado. Deste passo, livro de crítica e doutrina.
Pequeno livro, ele continua na editora «EDIÇÕES COSMOS», embora num ângulo mais especializado, o pensamento de uma outra grada figura de Cidadão. de Homem de Pensamento e de Ciência: o Professor Bento de Jesus Caraça. Relembremos o que o Mestre escreveu, em Maio de 1941, no prefácio de apresentação de «Biblioteca Cosmos»:

 ...«É toda uma vida nova a construir, dominada por um humanismo novo» ...«quando falamos de humanismo novo, entendemos como um dos constituintes essenciais este elemento de valorização - que o homem, sentindo que a cultura é de todos, participe, por ela, no conjunto de valores colectivos que há-de levar à criação da Cidade Nova.»

Naquela época, se em Portugal os círculos científicos, os estudantes, as revistas de ideias, a imprensa diária estivessem atentos aos problemas nacionais, na sua mais alta expressão, o aparecimento deste livro poderia vir a ser o cerne para a discussão dos problemas do ensino da Ciência e da Investigação Científica em nosso país. A isto válida objecção poderia ser feita: em termos sociológicos, o facto de os projectores da informação serem quase sempre apontados para um desafio de futebol, um campeonato de canções, deixando na penumbra, quando não na escuridão, os fundamentais problemas nacionais, nada mais é do que uma das facetas do nosso subdesenvolvimento - os subdesenvolvimento cultural.
Reconheçamos a pertinência desta objecção, mas acreditamos, também, que começavam então a a aparecer, com uma nova tomada de posição na panorâmica nacional (necessidade de se passar a um tipo de economia industrial) , solicitações para a consciencialização dos nossos problemas de base.

No prefácio de um velho livro do «Século das Luzes»  deparamos com uma síntese admirável acerca da missão criadora do livro:
   
                       «Vai livro, segue estradas e caminhos; continua por meses, anos, séculos.
                        Provoca a discussão, a crítica. Incendeia o debate - para além da nossa
                        curta vida. Dá vida à Vida:»

«A FILOSOFIA NO SÉCULO DA CIÊNCIA» - FERNANDO PINHO DE ALMEIDA




«A FILOSOFIA NO SÉCULO DA CIÊNCIA»
 FERNANDO PINHO DE ALMEIDA
 ATLÂNTIDA EDITORA, S. A. R. L.
COIMBRA - 1970

Pretende o autor acentuar neste ensaio o desinteresse que a filosofia manteve durante o século XX, duma maneira geral, pela ciência e pelas suas surpreendentes e desconcertantes revelações. Estas têm servido para um desenvolvimento extraordinário da técnica, do aspecto material da civilização, mas não têm contribuido, de maneira apreciável, para uma autêntica compreensão do mundo e portanto para uma ética dela resultante, - e isto certamente por carência da filosofia.
Na análise que neste livro é feita aos existencialismos, subjectivos, emotivos e portanto indiferentes à mensagem objectiva da ciência, e também ao materialismo dialéctico que em princípio a procura e enaltece, mas que muitas vezes um dogmatismo extrínseco, pragmático e de origem político-social desvirtua - tenta o autor vincar o seu ponto de vista.
Acredita ele que nessa altura do século (1970) já se torna possível um certo filosofar sobre os dados das ciências, que se estão nitidamente interpretando, filosofar esse que se inspirará nos métodos científicos e por eles de disciplinará. E como aplicação e concretização das suas ideias julga encontrar no universo uma força criadora, uma capacidade de resolver problemas, enfim, aquilo a que, se quisermos, poderemos chamar um fundo mental.

ÍNDICE

I - Metafísica no Século XX?
II - O Existencialismo Sartreano e a Ciência
III - O Existencialismo Sartreano e a Metafísica
IV - Comentários sobre «Que é a Metafísica?»  de Heidegger
V - Os dados subjectivos na construção metafísica
VI - Um grande pensador português (´Fidelino de Figueiredo`)
VII - A Dialéctica da Natureza
VIII - Reflexões sobre a Lei da transformação da quantidade em qualidade
IX - Análise crítica da Lei da interpenetração dos contrários
X - Reflexões sobre a Lei da negação da negação
XI - O Realismo, o Idealismo e a sua síntese
XII - O Princípio da Causalidade
XII - Racionalismo e Indeterminismo
XIV - Uma nova concepção racionalista do Universo
XV - A Metaciência

quarta-feira, 20 de julho de 2011

«25 DE ABRIL» - ´Liberdade e Esperança` - Augusto Vieira



«25 DE ABRIL - LIBERDADE E ESPERANÇA»
  AUGUSTO  VIEIRA
  EDITORIAL VOUGA - 4
EDITORIAL VOUGA, S.A.R.L.
AVEIRO, Maio de 1974




Do Autor, Augusto Vieira, a contra-capa refere ser licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e com o curso complementar de Ciências Histórico-Jurídicas; enveredou pela Magistratura, tendo desempenhado funções de Delegado do Procurador da República em várias comarcas, entre elas a de 
Lisboa. Ingressando na magistratura judicial, ao ser promovido à 1. classe, pediu licença ilimitada e fixou-se em Aveiro, onde exerce a advocacia. Coube-lhe a primazia, após o regime deposto, de ser o primeiro advogado, num caso de ´abuso de liberdade de Imprensa` , contra a C.P., vindo a dirigir o jornal «O LUTADOR», onde se patenteiam os seus princípios democráticos e populares.


O mais importante neste pequeno livro de 125 págs. , reside no facto de ter sido editado logo após um
mês do 25 de Abril!


25 DE ABRIL - LIBERDADE E ESPERANÇA, é uma colectânea de textos que traduzem a vivência do momento histórico que galvanizou o povo português. É actual e ´talvez sirva` para desentorpecer o espírito dos que vierem a lê-lo; por outro lado, a apresentação dos programas de alguns dos mais discutidos partidos políticos, numa mesma publicação em livro, acrescida do sabor, - ignorado nestas paragens - , da discordância aberta com as mais proeminentes figuras do momento nacional, dá, a singularidade de fenómeno, para a maioria de ´nós` , a este 25 de Abril - Liberdade e Esperança, que viria a lume com o título de 25 de Abril apenas, caso, e já composto, não o tivesse precedido a publicação de outro trabalho da autoria de cinco jornalistas.


Quem poderia, decididamente, pensar, meses atrás - dias antes do 25 de Abril de 1974, será melhor dizer, - que um programa democrático, outro socialista, um outro comunista, etc. , viriam emparceirar, à luz do sol lado a lado, com as declarações de altas patentes da Forças Armadas?


Nem no silêncio da noite o cidadão comum poderia aventurar-se a prever que um livro deste género viria a estar exposto, amanhã, logo, agora, nas montras das livrarias. E é claro que muitos cidadãos viviam alheios à problemática do tempo presente, mal nos dando conta de que mesmo a dois passos, para lá dos Pirinéus, as ideologias, - esquerda, centro, direita, mais as múltiplas intermédias, - coexistiam, sem grandes dificuldades. E é claro que, - quando chegava, - tudo isto chegava ao nosso conhecimento como uma avalanche de neve em pleno Himalaias; era um assunto sobre o qual se reflectia ou se discreteava sem a necessária concentração interior.


O Autor e a Editora, fazem votos de que nesta terra, agora realmente livre, vários trabalhos aparecerão sobre o 25 de Abril e que todos eles sejam, se mais não forem, uma espécie de treino, exercício de aquecimento para outra obras de tomo.




ÍNDICE


I - QUE ACONTECEU REALMENTE?
II - A HISTÓRIA
III - A INFORMAÇÃO
IV - PRIMEIRAS LEIS DO NOVO REGIME
V - PARTIDOS POLÍTICOS
VI - PERSPECTIVAS

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