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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

«MARXISMO E ESTRUTURALISMO» - LUCIEN SEBAG



«MARXISMO E ESTRUTURALISMO»
  LUCIEN SEBAG
TRADUÇÃO: FELICIANA TORRES
EDITORIAL PÓRTICO
LISBOA- s/d
TÍTULO ORIGINAL: «MARXISME ET STRUCTURALISME»
PAYOT
PARIS-1964
(Edição de bolso-1967)


Lucien Sebag (Tunes, 1934-Paris, 1965) suicidou-se em 9 de Janeiro de 1965. Tinha trinta e um anos. A tentativa de assinalar as lacunas, as tensões que marcaram a sua existência, apenas nos levaria a reconstruir esta em função do seu fim. Evidentemente que este género de exercício é sempre possível, mas também se pode considerar a sua vida como uma narrativa interrompida no meio de uma frase, mesmo no momento em que ia culminá-la.
O seu projecto foi sempre filosófico. De formação marxista, Sebag não podia encarar este projecto fora de uma acção política que lhe daria o seu sentido pleno. O desfasamento que todavia descobriu pouco a pouco entre a acção real e a acção ideal levou-o a duvidar da oportunidade do seu militantismo. Era preciso compreender este desfasamento, portanto repensar a sociedade antes de trabalhar para a transformar.
O estruturalismo, na medida em que concordava com a corrente geral da ciência, surgiu-lhe como a única alternativa para o pensamento marxista; a psicanálise e a etnologia forneceram objectos privilegiados à sua reflexão. (Tenha-se presente que Lucien Sebag era seguido pelo psicanalista Jacques Lacan e que o suicídio ocorreu devido a uma grande e louca paixão por Judith, a filha de Lacan).
«MARXISMO E ESTRUTURALISMO», a única obra que publicou em vida, repensa em termos filosóficos esta evolução que de seguida se resume:
De 1953 a 1955, Lucien Sebag, militante activo do Partido Comunista Francês, contribuiu para o nascimento da oposição comunista nas diversas células de estudantes (principalmente a de filosofia). A resposta não se fez esperar muito tempo: a direcção do PCF desmantelou a oposição, que se arriscava a conquistar uma influência demasiado grande no panorama político e criou a U.E.C. (Union des Étudiants Communistes); Sebag não se inscreveu nela e prosseguiu uma actividade clandestina. Excluído do Partido, esteve até 1960 ligado a vários movimentos de extrema-esquerda. Não se tratava de uma vida abstracta: algumas rupturas foram-lhe bastante penosas.
Foi então que, por volta de 1956 descobriu a psicanálise, tal como era pensada na época por Jacques Lacan. Era passar de uma história da sociedade comandada por uma infra-estrutura essencialmente económica para a história individual, regida por outra infra-estrutura: a do inconsciente. Mas uma relação tornava-se inversa: o sujeito produtor de sentido tornava-se primeiramente um sujeito tomado no sentido; a ordem própria do simbólico tinha as suas razões que a razão conhecia mal.
Esta racionalidade secreta apenas para ser descoberta nas relações de um indivíduo com a família ou a sociedade, mas no projecto de culturas inteiras: era esse o programa proposto pela obra de Claude Lévi-Strauss, que abriu a Sebag não só um campo, mas também um método, em que as antinomias consciente-inconsciente, individual-colectivo, superestrutura-infraestrutura perdiam a sua pertinência em proveito de uma coerência lógica que unificava todos os níveis da investigação. Todavia, um novo desfasamento surgia à distância, problemático para as ciências do homem, entre o observador e o objecto da sua pesquisa sobre o qual se recusa a actuar. Já não se tratava para Sebag senão de compreender. Fora do domínio da linguística, o estruturalismo alcançou os resultados mais espectaculares no estudo das sociedades sem escrita. Sebag apaixonou-se por este campo privilegiado.
A partir de 1961 empreendeu o estudo da mitologia dos índios Pueblos. De Janeiro de 1963 a Janeiro de 1964 esteve com Guayaki do Paraguai e os Ayoréu da Bolívia. Um primeiro estudo sobre os sonhos de Baipurangi, jovem índia Guayaki, surgiu alguns meses depois do seu regresso...
Teria realizado a síntese com que sonhava? Os trabalhos etnológicos especializados ter-lhe-iam permitido descobrir modelos aplicáveis à sociedade em que vivemos? Teria podido reduzir o desfasamento entre o compreender e o agir? Teria considerado, pelo contrário, que, nas condições históricas em que estamos, o divórcio entre o pensamento e a acção não podia reduzir-se ao tempo de vida de um homem e teria portanto persistido numa atitude científica? Estas perguntas e outras sem resposta e sem fim, que fazemos sobre a continuação da vida de Sebag, são as mesmas que continuamos a fazer a todos nós.






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