Número total de visualizações de página

Os meus blogues

Os meus blogues...

sábado, 30 de julho de 2011

«CIENCIA Y GOBIERNO» - ´CIÊNCIA E GOVERNO` - C. P. SNOW



«CIENCIA Y GOBIERNO»
(´CIÊNCIA E GOVERNO`)
C. P.  SNOW
TRADUÇÃO: MANUEL ESCALERA
BIBLIOTECA BREVE
EDITORIAL SEIX BARRAL, S. A.
BARCELONA - 1963
TÍTULO ORIGINAL: «SCIENCE AND GOVERNMENT»
HARVARD UNIVERSITY PRESS
CAMBRIDGE, MASS. , 1961




SIR CHARLES P. SNOW foi um novelista de reputação. Em «THE AFFAIR» (1960), as suas personagens são convincentes académicos, burocratas, políticos e homens de ciência.
Pelas sua actividades profissionais que abrangem a ciência e o governo, foi encarregado durante a II Guerra Mundial de seleccionar as pessoas para as investigações científicas britânicas com fins militares, ´Civil Service Comissioner`, director da ´English Electric Company`, etc. - e pela sua habilidade em fazer chegar aos seus concidadãos profanos os problemas do homens de ciência, era o mais indicado para abordar em público a candente questão das relações entre ciência e política nas sociedades avançadas, tema do presente ensaio.
Com esse fim escolheu o trágico exemplo das diferenças surgidas nos anos da guerra entre Sir Henry Tizard, incumbido oficialmente para que a Inglaterra conseguisse estar na linha dianteira do desenvolvimento do ´radar` e F. A. Lindemann (Lord Cherwell), assessor científico de Churchill, que provocaram erros, tais os bombardeamentos estratégicos da Alemanha. A história narrada neste livro é uma chamada de atenção sobre o facto de que decisões capitais tenham de ser tomadas por ´homens que não possuem um conhecimento em primeira mão daquilo em que estribam essas decisões ou de quais podem ser as suas consequências`.


NOTA: O Autor estudou pormenorizadamente o ´arquivo` TIZARD, que constituiu a sua principal fonte escrita de referência!


http://books.google.pt/books?id=XAgAAAAAMBAJ&pg=PA39&lpg=PA39&dq=tizard+c+p+snow&source=bl&ots=1MBT00J5Wn&sig=pXHkpHT9Q8YxyzfWg8Y8PeJ5J1M&hl=pt-PT&ei=s-kzTrvbG4S3hQfkisHeCg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&sqi=2&ved=0CBcQ6AEwAA#v=onepage&q=tizard%20c%20p%20snow&f=false





quinta-feira, 28 de julho de 2011

«EM DEFESA DO PENSAMENTO CIENTÍFICO» - ´UM INCIDENTE / OS CONDICIONALISMOS DO ENSINO SUPERIOR` - ARMANDO CASTRO





«EM DEFESA DO PENSAMENTO CIENTÍFICO»
´UM INCIDENTE / OS CONDICIONALISMOS DO ENSINO SUPERIOR`
 ARMANDO DE CASTRO
Revisão tipográfica: JAIME MENDES
Capa e direcção gráfica: ARMANDO ALVES
COLECÇÃO SITUAÇÕES - 2
EDITORIAL INOVA
PORTO - 1973




       «Se é impossível encontrar em cada homem uma essência universal que seria a natureza 
       humana, existe contudo uma universalidade humana de condição.
       Não é por acaso que os pensadores de hoje falam mais facilmente da condição do homem
       do que da sua natureza. Por condição entendem mais ou menos distintamente o conjunto dos
       limites ´a priori` que esboçam a sua situação fundamental no universo.
       As situações históricas variam: o homem pode nascer escravo numa sociedade pagã ou senhor 
       feudal ou proletário. Mas o que não varia é a necessidade para ele de estar no mundo, de lutar,
       de viver com os outros e de ser mortal.»


                                                                                           JEAN-PAUL SARTRE




Impossibilitado por despacho procedente do Ministério da Educação Nacional de leccionar no ensino superior, no ano lectivo de 1973-74, quando já leccionava ininterruptamente desde 1970-71, Armando Castro (Armando Fernandes de Morais e Castro), neste livro, entrega a público as peças fundamentais do respectivo «processo». É não só para uma avaliação do aspecto mais genérico que a decisão assume, pois o livro visa também chamar a atenção para a importância dos ramos disciplinares que essa mesma acção impede, Efectivamente, era a primeira tentativa sistemática efectuada em Portugal tanto no domínio do ensino da Gnoseologia, ciência que estuda as leis da ciência e de desenvolvimento do conhecimento humano em geral, como em particular da Epistemologia, ciência que estuda o conhecimento científico. 
Ora, como o próprio autor argumenta na exposição dirigida ao ministro da Educação Nacional, constante deste volume, a não se tratar de proibir de facto uma ciência determinada por um determinado professor, que restará senão pensar que o impedimento é motivado ou pela inércia derivada característica das estruturas dominantes nos meios universitários, ou, mais do que  a simples inércia derivada da incompreensão, dada a novidade teórica da ciência ensinada, pela intenção de obstar ao ensino da Epistemologia?
Mas o livro, além de ser a perspicaz discussão do despacho de indeferimento, é também uma introdução, ainda que sintética à disciplina que o Autor ministrava. Nele se aborda, entre outras, a questão da importância que assume a luta epistemológica nas ciências do homem, as razões da actual ´explosão` na  atenção dispensada ao conjunto de disciplinas que estudam os problemas humanos, o atraso epistémico destas ciências em relação às ciências da natureza, qual a via para a conquista de critérios de cientificidade no próprio estabelecimento de escalões que regulem o recrutamento de professores do ensino superior oficial...
E, além disso, oferece ao leitor a visão do que é um curso de Epistemologia, quer pela bibliografia aconselhada nos cursos que deu, e aqui referida, quer pelos sumários das lições e dos pontos de exame que aplicou.




ÍNDICE
1. EXPOSIÇÃO ENVIADA A SUA EXCELÊNCIA O SENHOR MINISTRO DA EDUCAÇÃO NACIONAL EM 25 DE SETEMBRO DE 1973
2. DOCUMENTOS QUE ACOMPANHAM ESSA EXPOSIÇÃO
3. CÓPIA DO REQUERIMENTO DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO CONTENCIOSO NO SUPREMO TRIBUNAL     ADMINISTRATIVO, CONTRA O DESPACHO DE S. EXA. O SENHOR SECRETÁRIO DE ESTADO DA ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR
4. RESPOSTA AO NOVO FUNDAMENTO INVOCADO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA QUANTO A DECISÃO DE 6 DE JULHO, SEGUNDO OFÍCIO DA INSPECÇÃO DO ENSINO PARTICULAR DE 5 DE NOVEMBRO DE 1973




                                                         ARMANDO DE CASTRO



domingo, 24 de julho de 2011

«PENSAR A CIÊNCIA» - ´Colóquio para professores de Filosofia`



    «PENSAR A CIÊNCIA»
´Colóquio para professores de Filosofia realizado na
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade 
Nova de Lisboa em Setembro de 1984`
Manuel da C. Leite, A. M. Nunes dos Santos, Manuel Esquível,
Fernando Mouro, Luis J. Archer, Luis Fraser Monteiro, A. César 
de Freitas, José Carlos T. de Oliveira, Joaquim von Haffe Peres,
Luís Moniz Pereira
Revisão do texto: José Manuel Soares
Capa: Armando Lopes
GRADIVA -PUBLICAÇÕES Lda. - 1988
Depósito Legal nº 19550 /88




O inegável crescimento do peso da ciência e da tecnologia no mundo contemporâneo coloca novos desafios em praticamente todos os domínios com especial destaque para o filosófico.
Tendo em atenção a responsabilidade específica do ensino filosófico no sistema educativo português, na altura em que foram produzidas estas comunicações, os problemas decorrentes daquele crescimento científico e tecnológico são particularmente importantes.
PENSAR A CIÊNCIA é o resultado de um colóquio levado a cabo no sentido de reflectir, em Portugal e em português, sobre este tema. O facto de o colóquio se centrar sobre o conhecimento científico e, de modo privilegiado, sobre as relações entre ciência e filosofia é, obviamente, intencional. Desde há muito se entende que o acréscimo do peso da ciência e da tecnologia no mundo contemporâneo transporta desafios que, para além dos pertencentes ao próprio domínio (os problemas internos à ciência), se prolongam para domínios diversos, designadamente o filosófico.
Se adicionalmente se levar em consideração a importância (com a inerente responsabilidade) do ensino da filosofia, no sistema de ensino português, sobretudo pela expressão que alcançava no ensino secundário (1984), um colóquio deste tipo ver-se-à desde logo, independentemente da inevitável heterogeneidade no tratamento dos temas, suficientemente justificado.
Assim, contando com a presença de importantes personalidades nacionais, o colóquio desenvolveu uma problemática que está longe de interessar apenas a professores de Filosofia a quem se dirigia originalmente. As intervenções foram recolhidas e reescritas neste volume que se afigura de grande importância para aferir a situação da cultura portuguesa.


ÍNDICE


Apresentação
Até que ponto uma ciência poética
Análise matemática - Itinerários
Sobre a física de Aristóteles
A genética e o futuro - Pressupostos para a sua inteligibilidade
Física e filosofia - Princípios e perspectivas
O método axiomático em matemática
O infinito na matemática e na física
Teoria das catástrofes e lógica da percepção
Máquinas humanas



sexta-feira, 22 de julho de 2011

«AS DUAS CULTURAS» - C. P. SNOW (Em Apêndice: «CIÊNCIA E GOVERNO»)




«AS DUAS CULTURAS»
 C. P. SNOW
TRADUÇÃO: Dr.ª IDALINA PINA AMARO
CAPA: HOMERO AMARO
Em Apêndice: «Ciência e Governo»
COLECÇÃO VECTOR - V 01
PUBLICAÇÕES DOM QUIXOTE
TÍTULOS ORIGINAIS:
«THE TWO CULTURES: and A SECOND LOOK»
CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS
1959, 1963, C. U. P.
CDU - 501
«SCIENCE AND GOVERNMENT»
HARVARD UNIVERSITY PRESS
1960, 1961 - Presidente e ´Fellows`do Harvard College
CDU - 623.73.




A expressão «as duas culturas» - usada originalmente por C. P. SNOW em 1959 - em breve passou a fazer parte das muitas línguas europeias em que a obra foi traduzida e discutida.
A análise do abismo que separa a «cultura» dos cientistas da «cultura» literária de inspiração clássica, e o seu diagnóstico dos perigos decorrentes da ausência de comunicação entre as duas, tornou-se um dos temas mais discutidos de todo o mundo culto. A tal ponto que alguém chamou a As Duas Culturas «o trampolim necessário para que se repensem com frescura e sentido de urgência os problemas educacionais e a sua importância para o futuro da nossa sociedade». Concorde-se ou não com Snow, é impossível ignorá-lo, pois, como ele próprio escreve, «a inocência é o pior dos crimes».


No ensaio que completa este volume, Snow analisa os perigos que advêm, no mundo moderno, do facto de os homens que presidem aos destinos dos povos raramente compreenderem as consequências das suas decisões mais importantes, isto é, daquelas que pressupõem a utilização das grandes conquistas da ciência. De aí a necessidade, cada vez mais premente, de reformar profundamente os nossos conceitos educativos, de forma a vir a dar aos homens de ciência um maior sentido das suas responsabilidades humanas e aos homens de formação «clássica» - que ainda constituem a a maioria dos quadros de administração pública - uma compreensão mais exacta dos caminhos que tecnologia moderna vai abrindo ao mundo.


NOTA: Existe uma nova Edição/reimpressão datada de 1996, Editorial Presença - Pontos de Referência.


Em memória de SNU ABECASSIS!




http://divulgarciencia.com/categoria/c-p-snow/





quinta-feira, 21 de julho de 2011

«FACTORES DE EFICIÊNCIA EM INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA» - JAIME PINTO





«FACTORES DE EFICIÊNCIA EM
 INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA»
  JAIME PINTO
EDIÇÕES COSMOS
LISBOA - 1969

Pequeno livro - na sua extensão de páginas. Livro grande - julgado quanto à oportunidade e relevância do assunto tratado. Grande livro, se meditarmos acerca dos períodos e das páginas de densa, constante e judiciosas críticas e se nos debruçarmos sobra a sua formulação doutrinária, esta concernente a uma actuante e operante investigação científica em nosso país, na altura em que foi editado. Deste passo, livro de crítica e doutrina.
Pequeno livro, ele continua na editora «EDIÇÕES COSMOS», embora num ângulo mais especializado, o pensamento de uma outra grada figura de Cidadão. de Homem de Pensamento e de Ciência: o Professor Bento de Jesus Caraça. Relembremos o que o Mestre escreveu, em Maio de 1941, no prefácio de apresentação de «Biblioteca Cosmos»:

 ...«É toda uma vida nova a construir, dominada por um humanismo novo» ...«quando falamos de humanismo novo, entendemos como um dos constituintes essenciais este elemento de valorização - que o homem, sentindo que a cultura é de todos, participe, por ela, no conjunto de valores colectivos que há-de levar à criação da Cidade Nova.»

Naquela época, se em Portugal os círculos científicos, os estudantes, as revistas de ideias, a imprensa diária estivessem atentos aos problemas nacionais, na sua mais alta expressão, o aparecimento deste livro poderia vir a ser o cerne para a discussão dos problemas do ensino da Ciência e da Investigação Científica em nosso país. A isto válida objecção poderia ser feita: em termos sociológicos, o facto de os projectores da informação serem quase sempre apontados para um desafio de futebol, um campeonato de canções, deixando na penumbra, quando não na escuridão, os fundamentais problemas nacionais, nada mais é do que uma das facetas do nosso subdesenvolvimento - os subdesenvolvimento cultural.
Reconheçamos a pertinência desta objecção, mas acreditamos, também, que começavam então a a aparecer, com uma nova tomada de posição na panorâmica nacional (necessidade de se passar a um tipo de economia industrial) , solicitações para a consciencialização dos nossos problemas de base.

No prefácio de um velho livro do «Século das Luzes»  deparamos com uma síntese admirável acerca da missão criadora do livro:
   
                       «Vai livro, segue estradas e caminhos; continua por meses, anos, séculos.
                        Provoca a discussão, a crítica. Incendeia o debate - para além da nossa
                        curta vida. Dá vida à Vida:»

«A FILOSOFIA NO SÉCULO DA CIÊNCIA» - FERNANDO PINHO DE ALMEIDA




«A FILOSOFIA NO SÉCULO DA CIÊNCIA»
 FERNANDO PINHO DE ALMEIDA
 ATLÂNTIDA EDITORA, S. A. R. L.
COIMBRA - 1970

Pretende o autor acentuar neste ensaio o desinteresse que a filosofia manteve durante o século XX, duma maneira geral, pela ciência e pelas suas surpreendentes e desconcertantes revelações. Estas têm servido para um desenvolvimento extraordinário da técnica, do aspecto material da civilização, mas não têm contribuido, de maneira apreciável, para uma autêntica compreensão do mundo e portanto para uma ética dela resultante, - e isto certamente por carência da filosofia.
Na análise que neste livro é feita aos existencialismos, subjectivos, emotivos e portanto indiferentes à mensagem objectiva da ciência, e também ao materialismo dialéctico que em princípio a procura e enaltece, mas que muitas vezes um dogmatismo extrínseco, pragmático e de origem político-social desvirtua - tenta o autor vincar o seu ponto de vista.
Acredita ele que nessa altura do século (1970) já se torna possível um certo filosofar sobre os dados das ciências, que se estão nitidamente interpretando, filosofar esse que se inspirará nos métodos científicos e por eles de disciplinará. E como aplicação e concretização das suas ideias julga encontrar no universo uma força criadora, uma capacidade de resolver problemas, enfim, aquilo a que, se quisermos, poderemos chamar um fundo mental.

ÍNDICE

I - Metafísica no Século XX?
II - O Existencialismo Sartreano e a Ciência
III - O Existencialismo Sartreano e a Metafísica
IV - Comentários sobre «Que é a Metafísica?»  de Heidegger
V - Os dados subjectivos na construção metafísica
VI - Um grande pensador português (´Fidelino de Figueiredo`)
VII - A Dialéctica da Natureza
VIII - Reflexões sobre a Lei da transformação da quantidade em qualidade
IX - Análise crítica da Lei da interpenetração dos contrários
X - Reflexões sobre a Lei da negação da negação
XI - O Realismo, o Idealismo e a sua síntese
XII - O Princípio da Causalidade
XII - Racionalismo e Indeterminismo
XIV - Uma nova concepção racionalista do Universo
XV - A Metaciência

quarta-feira, 20 de julho de 2011

«25 DE ABRIL» - ´Liberdade e Esperança` - Augusto Vieira



«25 DE ABRIL - LIBERDADE E ESPERANÇA»
  AUGUSTO  VIEIRA
  EDITORIAL VOUGA - 4
EDITORIAL VOUGA, S.A.R.L.
AVEIRO, Maio de 1974




Do Autor, Augusto Vieira, a contra-capa refere ser licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e com o curso complementar de Ciências Histórico-Jurídicas; enveredou pela Magistratura, tendo desempenhado funções de Delegado do Procurador da República em várias comarcas, entre elas a de 
Lisboa. Ingressando na magistratura judicial, ao ser promovido à 1. classe, pediu licença ilimitada e fixou-se em Aveiro, onde exerce a advocacia. Coube-lhe a primazia, após o regime deposto, de ser o primeiro advogado, num caso de ´abuso de liberdade de Imprensa` , contra a C.P., vindo a dirigir o jornal «O LUTADOR», onde se patenteiam os seus princípios democráticos e populares.


O mais importante neste pequeno livro de 125 págs. , reside no facto de ter sido editado logo após um
mês do 25 de Abril!


25 DE ABRIL - LIBERDADE E ESPERANÇA, é uma colectânea de textos que traduzem a vivência do momento histórico que galvanizou o povo português. É actual e ´talvez sirva` para desentorpecer o espírito dos que vierem a lê-lo; por outro lado, a apresentação dos programas de alguns dos mais discutidos partidos políticos, numa mesma publicação em livro, acrescida do sabor, - ignorado nestas paragens - , da discordância aberta com as mais proeminentes figuras do momento nacional, dá, a singularidade de fenómeno, para a maioria de ´nós` , a este 25 de Abril - Liberdade e Esperança, que viria a lume com o título de 25 de Abril apenas, caso, e já composto, não o tivesse precedido a publicação de outro trabalho da autoria de cinco jornalistas.


Quem poderia, decididamente, pensar, meses atrás - dias antes do 25 de Abril de 1974, será melhor dizer, - que um programa democrático, outro socialista, um outro comunista, etc. , viriam emparceirar, à luz do sol lado a lado, com as declarações de altas patentes da Forças Armadas?


Nem no silêncio da noite o cidadão comum poderia aventurar-se a prever que um livro deste género viria a estar exposto, amanhã, logo, agora, nas montras das livrarias. E é claro que muitos cidadãos viviam alheios à problemática do tempo presente, mal nos dando conta de que mesmo a dois passos, para lá dos Pirinéus, as ideologias, - esquerda, centro, direita, mais as múltiplas intermédias, - coexistiam, sem grandes dificuldades. E é claro que, - quando chegava, - tudo isto chegava ao nosso conhecimento como uma avalanche de neve em pleno Himalaias; era um assunto sobre o qual se reflectia ou se discreteava sem a necessária concentração interior.


O Autor e a Editora, fazem votos de que nesta terra, agora realmente livre, vários trabalhos aparecerão sobre o 25 de Abril e que todos eles sejam, se mais não forem, uma espécie de treino, exercício de aquecimento para outra obras de tomo.




ÍNDICE


I - QUE ACONTECEU REALMENTE?
II - A HISTÓRIA
III - A INFORMAÇÃO
IV - PRIMEIRAS LEIS DO NOVO REGIME
V - PARTIDOS POLÍTICOS
VI - PERSPECTIVAS

segunda-feira, 18 de julho de 2011

«CARTAS AOS HOMENS DO PAPA CELESTINO VI» - GIOVANNI PAPINI

                                                     EDIÇÕES QUADRANTE, LDA - LISBOA


«CARTAS AOS HOMENS DO PAPA CELESTINO VI»
   GIOVANNI PAPINI
´PELA PRIMEIRA VEZ TRADUZIDAS E PUBLICADAS`
VERSÃO PORTUGUESA DE
VINCENZO SPINNELI e
A. GONÇALVES RODRIGUES
EDIÇÕES QUADRANTE, LDA
  LISBOA. s/d
Distribuidora Geral: ´AGÊNCIA NACIONAL DO LIVRO, Lda.`
COIMBRA - Praça 8 de Maio, 21


Para o BRASIL: ´DISTRIBUIDORA CLÁSSICA LATINA`
RIO DE JANEIRO - Avenida Churchill




Dos profundos abismos de uma Europa que tem fome de pão e de justiça. ergue-se a voz clamorosa e ardente de um ´clérigo` que não traiu a sua missão, de um homem quase cego dos olhos do corpo mas cuja visão interior se ilumina de relâmpagos que não parecem já vir deste mundo. Papini torna-se -  literariamente a voz augusta da Igreja imperecível pela boca de um grande Papa imaginário, Celestino VI, cujas cartas latinas finge ter descoberto e traduzido.
Vivendo em época semelhante à nossa, depois da «Grande Perseguição», quando a humanidade, mergulhada no erro e no vício, parecia incapaz de retomar as veredas tradicionais do Cristianismo, o Papa dirige a todos, padres e leigos, ricos e pobres, governantes e governados, homens e mulheres, poetas, historiadores e cientistas, protestantes e judeus, até aos sem-Cristo, até aos sem-Deus, palavras de exprobação e amos, de exortação e esperança, de fortaleza e fé, com eloquência que nunca é retórica banal e por vezes se incendeia da mais veemente e bela inspiração poética.
Nenhum homem do nosso tempo deixará de encontrar nestas páginas uma palavra, uma frase portadora de uma mensagem directa, pessoal. Com efeito estas Cartas distinguem-se tanto pela sua ´catolicidade`, como pelo vigor dramático com que exprimem o terrível dilema do homem actual: ou a recristianização imediata e integral ou o desespero que conduz ao suicídio.
O livro termina com uma admirável ´Oração a Deus` - o coral desta magnífica sinfonia!...






      ESTA PRIMEIRA VERSÃO DAS CARTAS AOS HOMENS DO PAPA CELESTINO SEXTO É DEDICADA
                                                              ´AOS ÚLTIMOS` 
                                               COM DESESPERADA ESPERANÇA




                                                                PREFÁCIO


É inútil, neste momento, contar de novo a vida do Papa Celestino VI. As páginas que a história lhe dedicou são páginas de luz fulgurante sobre o fundo de trevas do seu tempo. Ele foi no juízo dos contemporâneos e dos pósteros, um dos maiores pontífices que jamais colocaram na cabeça a coroa dos três reinos. Deixou memória de papa amoroso e sábio, firmíssimo na fé, tão intrépido que aos olhos dos pusilânimes parecia até, por vezes temerário, na defesa da verdade. Foi ardente, eloquente, transbordante, sempre esbrazeado no fogo de oiro de Cristo. A única culpa que, com singular unanimidade, lhe reconheceram adversários e conselheiros, foi a sua excessiva ingenuidade e candura de ânimo. Morreu mártir, como todos sabem, nos últimos dias da Grande Perseguição.
Estas suas cartas, agora pela primeira vez traduzidas e publicadas, vieram-me à mão por estranho acaso, num pequeno códice sepultado no fundo dos manuscritos de um antigo convento suprimido que escapou ás pesquisas dos historiadores. Trabalhei a versão italiana, quase literal, com toda a deligência, embora o texto latino apresente não poucas lacunas, devidas aos estragos sofridos pelo papel, e contenha palavras quase ilegíveis.
Celestino VI viveu numa terrível idade de procelas e de sangue...quando parecia que Satanás, «o príncipe deste mundo», fazia o derradeiro esforço para precipitar o género humano no desespero homicida e na destruição de tudo o que rege e gera a vida. Parecia então como hoje, que os homens sacudidos e perturbados por terríveis furores de tétrica demência, tinham esquecido ou renegado todo o sentido de justiça, todo o impulso de amor. Mas Celestino não se calou, nem se deixou vencer pelas tentações daquela cobardia que demasiadas vezes se mascara com o honesto nome de prudência. Falou abertamente. Falou a todos e não apenas a quem o reconhecia como Vigário de Cristo. Lançou as palavras do seu grande coração como raios de luz no coração de todos.
Por isso estas cartas, que revelam toda a alma generosa e impetuosa do Pontífice Confessor e Mártir, mesmo nos nossos dias poderão iluminar, consolar, guiar, sacudir, comover, reacender. Não são endereçadas apenas aos cristãos, mas a todos os homens, de todas as condições e de todas as nacionalidades, e particularmente àqueles que pensam e sofrem, a todos os que desejam a salvação por meio da sobre-humanidade cristã.


                                                                             GIOVANNI PAPINI




                                                     EDIÇÕES QUADRANTE - COIMBRA
                                                               SEGUNDA EDIÇÃO, s/d

                                                        COLECÇÃO DOIS MUNDOS
                                                 EDIÇÃO LIVROS DO BRASIL - LISBOA, s/d



domingo, 10 de julho de 2011

«INTRODUÇÃO À POLÍTICA» - ANTÓNIO MARQUES BESSA e JAIME NOGUEIRA PINTO



«INTRODUÇÃO À POLÍTICA»
ANTÓNIO MARQUES BESSA
JAIME NOGUEIRA PINTO
COLECÇÃO ENSINO LIVRE
EDIÇÕES DO TEMPLO
1ª Edição 1977




INTRODUÇÃO


A intenção primeira desta obra foi dar a professores e estudantes da Disciplina de Introdução à Política do 1º ano do Curso Complementar, um instrumento de trabalho acessível e completo. que cumprindo as exigências do Programa Oficial, possa servir também, através da abordagem dalguns temas essenciais da moderna Ciência Política - como as Ideologias e a Classe Dirigente - para dar ao leitor português um panorama mais completo dos problemas respeitantes ao Poder Político.
Deste modo, o presente livro não é um mero texto escolar, mas procura servir a todos aqueles cujo interesse cívico ou curiosidade intelectual solicitam a debruçar-se sobre as questões políticas, na intenção de se estabelecerem sobre as suas linhas fundamentais, terminologia e conceptualização.
A estrutura do volume compreende uma primeira parte histórica, onde ficam registados cronologicamente, o aparecimento e eclosão das doutrinas e instituições que estão na base dos sistemas políticos vigentes no mundo moderno, analisando o seu enquadramento ideológico, económico e social. Atendeu-se particularmente aos fenómenos revolucionários, à sua mecânica, consequências e balanço. Esta matéria, não sendo de estudo obrigatório, constitui entretanto um precioso auxiliar para o entendimento do que se segue, fornecendo muitos elementos complementares para a génese das ideologias e regimes.
A segunda parte - A Ciência do Poder - inclui sucessivamente a análise e estudo da Ciência Política, do Poder Político, do Estado, da Selecção dos Governantes, das Ideologias e da Classe Política, culminando na análise do conceito, descrição e classificação dos Regimes políticos. Aqui de desenvolve mais pormenorizadamente, de acordo com as indicações e alíneas do programa e por ser o sistema presentemente dominante no mundo euroamericano, o estudo dos princípios, instituições e funcionamento do regime democrático.
Na terceira parte, - Sociologia do Poder, - estudam-se as relações do fenómeno político com o quadro social em que se insere, com particular atenção aos fenómenos de conflitualidade e vinculação social. Nestas matérias seguiram-se, praticamente a par e passo, os sumários do Programa Oficial.
Na elaboração e metodologia da obra, os autores encontraram-se perante a alternativa de cumprir à risca o Programa do MEIC, cuja estrutura contém lacunas importantes e é marcada por determinada orientação ideológica, com evidente prejuízo das finalidades didácticas da disciplina, ou optar por uma perspectiva independente, deixando de lado o Programa Oficial. A questão foi resolvida por um critério pragmático, adoptando-se uma estrutura própria de exposição, dentro da qual se incluíram, entretanto. as questões e alíneas do Programa Oficial.
Finalmente, numa matéria tão susceptível de implicações ideológicas, os autores procuraram observar o mais estrito rigor científico, socorrendo-se e apoiando-se nas obras dos especialistas mais autorizados, e tentando respeitar, na exposição de correntes e doutrinas, quer os textos dos seus corifeus, quer um tom de objectividade, no sentido de descrição dos eventos. Não abdicando das suas opiniões ou posições, tiveram o cuidado de que em ponto algum implicassem um obscurecimento ou distorção da exposição da realidade, que deve presidir a todo o trabalho de investigação ou divulgação científica.


                                                                                               António Marques Bessa
                                                                                                  Jaime Nogueira Pinto






ÍNDICE 


I - O PODER NA HISTÓRIA


 - O MUNDO ANTIGO
 - A REPUBICA CHRISTIANA
 - O NOVO PRINCIPE
 - O TEMPO DAS REVOLUÇÕES


II - A CIÊNCIA DO PODER


 - O PODER
 - O ESTADO
 - OS REGIMES POLÍTICOS


III - A SOCIOLOGIA DO PODER





A política é uma ciência, e uma ciência que se aprende. Tem princípios, definições, fundamentos precisos; é contrária ao sectarismo, ao dogmatismo, ao verbalismo sentimentalista e inócuo que abusa da felicidade dos povos e explora a boa vontade dos homens. 
Ciência que é, exige claridade, correcção, objectividade, espírito aberto e despreconceituado; só assim se tornará possível saber das razões que podem levar os homens a procurar alguma felicidade aqui na terra. Tanta quanto se acredite que a política nos pode dar.


http://novadireita.blogspot.com/2006/06/entrevista-antnio-marques-bessa.html

sexta-feira, 8 de julho de 2011

«PORTUGAL NOVO: MOVIMENTOS E PARTIDOS POLÍTICOS»



«PORTUGAL NOVO: MOVIMENTOS E PARTIDOS POLÍTICOS»
 ´O POVO QUER SABER`
Documentos de trabalho ´SEDES`
RAFAEL PRATA
CARLOS SANTOS FERREIRA
VITOR MELÍCIAS LOPES
EDIÇÃO DE «O EMIGRANTE-VOZ DE PORTUGAL»
LISBOA, 1974




INTRODUÇÃO:


Este trabalho aparece sob o impulso de duas ideias contrárias: por um lado, é prematuro; por outro lado é urgente.
Prematuro, porque os movimentos e partidos políticos, vindos do exílio e da clandestinidade, ou apressadamente constituídos após o 25 de Abril, são uma realidade ainda demasiado recente e imprecisa. O panorama partidário português está muito longe de poder ser delineado com rigor: a sua modificação processa-se a ritmo quase diário.
Urgente, porque à alegria festiva da libertação se sucedeu, com espantosa rapidez, a proliferação dos grupos políticos. As paredes estão cobertas de siglas, slogans e de palavras de ordem. Os jornais enchem-se diariamente de manifestos e comunicados, e muitos mudaram de orientação política. Os comícios sucedem-se. Os jornais partidários também. E o Povo interroga-se O POVO QUER SABER -
- agora e já.
Os Autores sentiram a necessidade de se esclarecer e de ajudarem a dar alguma satisfação a esta vontade popular de compreender, pelo menos, a tendência política e as linhas gerais do pensamento dos vários agrupamentos.
Vencendo a natural repugnância de fazerem obra ´prematura` , meteram ombros à obra que era ´urgente` e apresentaram um primeiro estudo sobre o movimento partidário no «Portugal Novo».
Os meios limitados de que puderam dispor e o tempo curto utilizado na investigação explicam as deficiências que as pessoas melhor informadas ou os membros de alguns movimentos e partidos irão encontrar nesta resenha. O trabalho não será exaustivo: estamos ainda longe das sete dezenas de grupos referidas pelo Movimento das Forças Armadas após o 25 de Abril. Algumas informações não serão absolutamente exactas: as fontes consultadas nem sempre eram coincidentes.
O primeiro objectivo dos Autores é que a obra possa ser útil para esclarecer e interessar os portugueses na participação de todos na vida política, que é afinal, a participação de todos na sociedade. Por isso ela surge integrada nesta nova colecção popular.
O segundo objectivo é contribuir para que outros realizem ou ajudem a realizar um trabalho de divulgação mais perfeito, enviando, por exemplo, esclarecimentos, críticas ou documentação que possibilitem suprir as lacunas desta edição. E, por isso, ela surge como um «documento de trabalho SEDES», associação em que os Autores estão integrados. Finalmente, algumas palavras quanto ao método seguido. Resolveu-se incluir todas as forças políticas em presença (movimentos, grupos e partidos) que se pretendem de âmbito nacional, sem os distinguir entre si quanto à sua natureza associativa, porque não existe legislação que defina a extensão e as formas de organização e de actuação de um partido político ou de outras modalidades de associação partidária.
Cada agrupamento foi referenciado pela sua designação (por extenso e em abreviaturas), sede, história breve, e síntese dos principais objectivos, nomes conhecidos de fundadores ou outros membros e órgãos de imprensa próprios. Deu-se maior destaque aos grupos e partidos de maior projecção ou que se apresentam melhor definidos, em relação aos quais se analisou a respectiva posição perante as questões do regime  de propriedade; participação, cogestão e autogestão; planemento económico; reforma agrária; nacionalizações; futuro das colónias.
A sequência pela qual se apresentam os vários grupos obedece a uma classificação nos quadrantes habituais (e imprecisos) da terminologia política da extrema-esquerda à extrema-direita. É óbvio que a escassa informação sobre alguns e a real indeterminação de outros tornam problemático e discutível o critério seguido - como qualquer outro.


                                                                        Lisboa, 13 / 8 / 74


NOTA: Após uma extensa enumeração das associações políticas, seguem-se os seguintes ´Anexos`.


ANEXO I - DOCUMENTO DE TRABALHO SEDES (3-6-74) - «Para um socialismo em liberdade»
ANEXO II - LISTA ALFABÉTICA DE OUTROS GRUOS
ANEXO III - LISTA ALFABÉTICA DE JORNAIS (Esta lista não inclui exclusivamente os órgão oficiais dos
                                                                        grupos indicados,.)


ÍNDICE DE MOVIMENTOS E PARTIDOS POLÍTICOS

segunda-feira, 4 de julho de 2011

«O MARTÍRIO DO HOMEM» - WINWOOD READE




           «O MARTÍRIO DO HOMEM»
´SINGELA E RÚSTICA HISTÓRIA DA RAÇA HUMANA`
            WINWOOD READE
TRADUÇÃO REVISTA POR:
FREITAS DA CÂMARA
321 págs. em letra pequena.
Colecção «QUATRO VENTOS»
EDITORIAL MINERVA
LISBOA, s/d
TÍTULO ORIGINAL: «THE MARTYRDOM OF MAN»
WATT & Co.
THINKER´S LIBRARY, 1872




O nome completo de Reade era William Winwood Reade (1838-1875), historiador , explorador e filósofo britânico, mas, nos seus dois últimos trabalhos: «O MARTÍRIO DO HOMEM» e «O PÁRIA», escolheu definitivamente o seu nome literário: Wimwood Reade. Era sobrinho do célebre romancista John Reade, nasceu em Murrayfield, perto de Cardiff (Inglaterra) em 26 de Dezembro de 1838 e morreu em Winbledon (sul da Inglaterra) em 24 de Abril de 1875. Com vinte e um anos publicou a sua primeira novela: «CHARLOTTE AND MYRA». No ano seguinte, quando cursava ainda o  Magdalen College, de Hertford, lançou dois livros panfletários: «LIBERTY HALL OXON» e «THE VEIL OF ISIS»,. No primeiro relata a vida íntima dos colegiais e o segundo é um debate de história dos Druidas. 
Visitou como explorador, a África em 1862 e em 1865 lançou o romance «SEE-SAW» que é uma história do catolicismo na Itália e o protestantismo na Inglaterra. Voltou ao continente negro em 1868 e cinco anos depois apareceu com «AFRICAN SKETCH BOOK», obra que é uma parte resumida do seu trabalho «SAVAGE AFRICA» (1863). «O MARTÍRIO DO HOMEM» foi publicado em 1872.
Fez a terceira viagem à África em 1873 como correspondente do ´THE TIMES` na guerra dos ´Ashanti` , sendo o único civil que acompanhou a sua marcha e a tomada de Comassie. A história dessa campanha foi por ele escrita em «THE STORY OF THE ASHANTI CAMPAIGN» (1874), juntando, com sarcástico criticismo, as sua reportagens para o ´TIMES`.
Quando enfermo (1875) escreveu «THE OUTCAST» (´O Pária`), pondo em forma romanesca o destino da perseguição atribuída à agressiva profissão de «descrente». Escritores ortodoxos dão acentuada importância ao facto de que, embora Reade mostrasse a sua descrença na imortalidade não se esforçava por «conhecer». «THE OUTCAST» chegou a três edições no mesmo ano da sua publicação. mas não foram tiradas novas edições senão em 1933.
Na longa mas lúcida introdução que fêz de «O MARTÍRIO DO HOMEM» para a edição inglesa, publicada por Watt & Co. de Londres, John M. Robertson abre-a com estas palavras: ´ «O MARTÍRIO DO HOMEM» tem tido uma dupla fama, pelo seu contínuo embate entre duas gerações de leitores e pelo seu constante sucesso apesar da severa e desdenhosa hostilidade literária e da imprensa, Sem uma aprovação crítica de um nome respeitável no mundo das letras, sem um anúncio dos editores, «O MARTÍRIO DO HOMEM» fez o  seu caminho desde o ano da sua publicação e continua sendo vendido, edições sobre edições nestes últimos sessenta anos, Deve haver algum princípio de vitalidade num livro como este para ter tal êxito.»


´Quanto à presente obra, iniciei-a na intenção de provar que a «NEGROLÂNDIA». ou seja o sertão africano, não se acha separado da corrente mestra dos acontecimentos, como os escritores de história filosófica têm sustentado, mas, sim, articulada, através do ISLAM com os países do Oriente, como também que, por meio do tráfico de escravos, ela influiu poderosamente sobre a história da Europa e a história política dos Estados Unidos...Porém, a pouco e pouco, eu fui levado da narração da África à da história do mundo...`
                                                                                                      WINWOOD READE


http://skocky-alcyone.blogspot.com/2009/09/os-condenados-da-terra-frantz-fanon.html
http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=1343












«A HERANÇA DO HELENISMO» - John Ferguson




«A HERANÇA DO HELENISMO»
  John Ferguson
Tradução de António Gonçalves Mattoso
Col. ´História Ilustrada da Europa`
Editorial Verbo
Lisboa - 1973
216 págs.
Nº Ed. - 847
Título original: ´The Heritage of Hellenism`
Thames and Hudson Ltd
Londres, 1973




Este livro é um simples esboço do período helenístico, isto é, da cultura do Mediterrâneo Oriental desde a morte de Alexandre (323 a.C.) até à imposição da autoridade de Augusto, em Áccio (31 a. C.),
com alguns intervalos. Não de trata de história no sentido convencional. É uma impressão, ou uma série de impressões de diferentes aspectos deste período. O Autor procurou estudar a continuidade da tradição; o período helenístico, como se verifica facilmente, é uma época que brota do passado e aponta para o futuro.
O Autor incluiu nesta obra uma grande parte do que expôs nas suas palestras «Os Filhos do Céu» e «Os Filhos do Sol», publicados em ´Nigeria and the classics` , 1964. As traduções de Calímaco figuram no seu artigo «Os Epigramas de Clímaco» , que está inserido em «Greece and Rome», 1970. Todas as outras traduções são do Autor!


´Em 334 a. C. , Alexandre atravessa o Helesponto, da Europa para a Ásia, e o mundo deixa de ser o que era. Segue através da Ásia Menor, passa da Síria ao Egipto, corta a Mesopotâmia e, através de Hamadã, dos corredores do Cáspio, do Indo Cuxe, de Samarcanda, da vizinhança de Tashkent, chega a Caxemira, transpõe o Indo, avança até ao Bias, onde as suas tropas se revoltam...Retrocedeu para Carachi, ladeou a costa por noroeste e voltou por terra, a Susa, no meio das maiores privações.´
´Alexandre deixou a Grécia com o pensamento formado por Aristóteles e Isócrates. Aristóteles era de opinião que os Gregos, e só os Gregos, eram profunda e verdadeiramente humanos...Isócrates lutara pela unidade grega, visto que a unidade é mais facilmente conquistada na oposição a um inimigo comum! Isócrates esperava unir os Gregos renovando a velha cruzada contra os Persas, e, pensou num homem...O seu desígnio vai ser realizado por Alexandre.`
´O período helenístico conserva, difunde e transmite a obra iniciada em Atenas. A difusão modifica-a, não essencialmente, mas em realce, em equilíbrio. A maior mudança relaciona-se com os novos horizontes abertos por Alexandre!
Dá-se uma modificação política. A cidade-estado não basta. Tem de ser enquadrada num império mundial. É o que sucede. O segredo político do período helenístico consistiu em manter os valores da cidade-estado num vasto domínio, misturar centralização e descentralização, combinar os valores positivos da larga unidade política com o forte sentido da responsabilidade local.`


http://skocky-alcyone.blogspot.com/2011/05/fogo-grego-oliver-taplin.html





domingo, 3 de julho de 2011

«O COMUNISMO EUROPEU» - ´O MITO DO EUROCOMUNISMO` - ENZO BETTIZZA





   «O COMUNISMO EUROPEU»
´O MITO DO EUROCOMUNISMO`
         ENZO BETTIZA
TRADUÇÃO: EDUARDO SALÓ
CAPA: PAULO DA CUNHA LEÃO
EDITORIAL FUTURA, 1979
TÍTULO ORIGINAL: «IL COMUNISMO EUROPEU.UNA VERIFICA
DELL'IPOTESI EUROCOMUNISTA»
RIZZOLI EDITORE
MILANO, 1978


Basta uma olhadela, diz o Autor; aos manuais sobre a hipótese eurocomunista publicados sobretudo em Itália, ao longo de 1977, para verificar que essas compilações, embora diligentes e rigorosas, correspondem em muito pouco à realidade. É provável que figurem nas estantes dos estudiosos de amanhã, menos como interpretações ou crónicas de um facto ocorrido do que como expressões típicas de uma esperança destituída de objectivo real.
Verdadeira e próprias antologias do ´wishful thinking`, fundadas, em última análise, na ausência de um sólido
conhecimento do fenómeno comunista na sua totalidade.
Segundo o Autor, os pontos de partida dessas aventadas antecipações, quase sempre surdas às palavras dos próprios dirigentes comunistas latinos e aos profundos contrastes que os dividem, são geralmente dois - um
histórico e o outro mais político.
Em conformidade com o primeiro, os traços de um pensamento eurocomunista primário já se encontrariam em Gramsci; no tocante ao segundo, seria em Berlinguer que se efectuaria o verdadeiro salto qualitativo do estalinismo ocidental, rodeado pelo invólucro flexível togliattiano, para uma concepção aberta da sociedade  e uma práxis reformista leal e definitivamente respeitadora dos valores formais da democracia burguesa.
Defende o Autor, que sustentar que o eurocomunismo, dado adquirido, tem suas raízes em Gramsci, significa legitimar no sentido social-democrático, ou mesmo liberal- democrático uma visão política que foi penetrada, sobretudo. por uma obsessão sistemática pelo poder e pela maneira de o conquistar, totalmente e sem violência, num universo cultural complexo como a Itália. 
Mais, se em vez de forçar a lição gramsciana, exprimindo aquilo que não pode proporcionar, se afirmasse que constituiu a tentativa mais culta e inteligente de enxerto do leninismo no Ocidente, estaríamos mais perto da verdade e, portanto, mais próximos de um diálogo franco, severo, exigente, sobre o comunismo ocidental num sentido amplo.
Atribuindo a Gramsci o que não era de Gramsci e a Berlinguer o que não é de Berlinguer, a análise e diagnóstico foram falseados na origem. Desviou-se a compreensão daquilo que na realidade é o comunismo italiano; do que procura intimamente para além do que afirma; do que historicamente ainda o impede de se tornar, na sua essência psicoideológica, o imaginário partido social-democrático do qual imita a táctica, rejeitando a estratégia.
O Autor, neste seu ensaio, inicia a tentativa de incutir um mínimo de ordem linguística e conceptual na discussão então em curso! Não incluiu no título o vocábulo ´eurocomunismo` , atraente do ponto de vista editorial, mas sem dúvida inadequado para introduzir o leitor na presente obra.
Depois do Autor reflectir escrevendo sobre muitos acontecimentos de 1977. as cimeiras de Madrid e Sófia, a crise Carrillo, a aquiescência do PCI à campanha anticarrillista de Moscovo, o robustecimento da campanha católica na linha de Berlinguer e as razões do malogro da união de esquerda em Paris, resolveu ENZO BETTIZA proceder no sentido contrário: conservar algo do afortunado neologismo, mas decompondo-o e colocando os dois elementos que o formavam numa ordem de sucesssão que se lhe afigura mais justa e neutra. De aí, «O COMUNISMO EUROPEU»!...



sexta-feira, 1 de julho de 2011

«ANARQUISTAS E ANARQUISMO» - JAMES JOLL




«ANARQUISTAS E ANARQUISMO»
  JAMES JOLL
TRADUÇÃO: MANUEL DIAS DUARTE
CAPA: FERNANDO FELGUEIRAS
UNIVERSIDADE NOVA (Colecção)
PUBLICAÇÕES DOM QUIXOTE
1ª edição: Outubro de 1970
2ª edição: Abril de 1977
TÍTULO ORIGINAL: «THE ANARCHISTS»
EYRE & SPOTTISWOODE (PUBLISHERS), LTD.
LONDRES, 1970




Os anarquistas, mais do que nenhuma outra minoria, têm sofrido com o culto do sucesso pelos historiadores, pois nunca fizeram uma revolução bem sucedida e as suas teorias políticas estão cheias de falhas lógicas e de suposições erradas. A simpatia que um tipo de doutrina anarquista possa ter ganho ficou, aliás, desiludida com a violência e o terrorismo, cruel e inconsciente, característico de outra escola de prática anarquista. E, todavia, a teoria e a prática dos anarquistas, durante os últimos cento e cinquenta anos, muitos problemas levantou acerca da natureza da sociedade industrial. Eles alimentaram uma crítica contínua e fundamental do moderno conceito do Estado e modificaram muitas das noções de quase todas as escolas de pensamento político contemporâneas. Atacaram, muitas vezes de uma maneira brutal e directa, os valores e as instituições da ordem social e moral estabelecidos. Muito de tudo isto acabou bastas vezes na futilidade, no burlesco, muitas vezes no trágico. Mas os protestos que os anarquistas apresentaram são expressão de uma necessidade psicológica periódica, de uma necessidade que de modo algum desapareceu com o aparente fracasso do anarquismo como força política e social séria.
O movimento anarquista é um produto do século XIX. É, em parte pelo menos, o resultado do impacte da maquinaria e da indústria na sociedade camponesa e artesã. Medrou no mito da revolução como este foi desenvolvido depois de 1788; todavia, e ao mesmo tempo, foi a falência das revoluções políticas e das reformas constitucionais, para satisfazer as necessidades económicas e sociais, que levou os anarquistas a modificar os seus métodos e objectivos revolucionários. Os valores que os anarquistas procuraram demolir eram os do Estado industrializado, dia a dia cada vez mais forte e centralizado, modelo para o qual, assim parecia nos séculos XIX e XX, todas as sociedades se encaminhavam. Os anarquistas viram-se, desta maneira, obrigados a acumular inimigos: aos latifundiários e padres da velha ordem em breve de juntaram os ditadores revolucionários e os burocratas, que começaram a aparecer, produtos de recentes movimentos empenhados em criar um nova sociedade. Os anarquistas estiveram sempre comprometidos, pelo menos em duas frentes simultaneamente.
Num certo sentido, são os herdeiros de todos os movimentos religiosos utópicos e milenaristas que acreditaram que o fim do mundo estava para breve e confiadamente esperavam o momento em que «a trombeta soará e ficaremos totalmente modificados, num momento, num piscar de olhos». Por outro lado são também filhos da idade da Razão. Eles, mais do que ninguém, levaram a sua crença na Razão e no Progresso e na persuasão pacífica para lá dos limites lógicos. O anarquismo é simultaneamente uma fé religiosa e uma filosofia racional; e muitas das suas anomalias resultam do conflito entre estas duas tendências e das tensões entre as diferentes espécies de temperamento que elas representam.


http://skocky-alcyone.blogspot.com/2011/06/europa-desde-1870-james-joll.html



Pesquisar neste blogue