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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

«DIOS Y EL INCONSCIENTE» - (´God and the Unconscious´) - VICTOR WHITE - Prólogo de C. G. JUNG




«DIOS Y EL INCONSCIENTE»
  VICTOR WHITE
Prólogo de C. G. JUNG
Apêndice de GEBHARD FREI
Versão espanhola de Fr. Acacio Fernandez, O. P.
EDITORIAL GREDOS
MADRID, 1955
Título original: `GOD AND THE UNCONSCIOUS`
HARVILL PRESS
LONDRES, 1952


« ... Há apenas uma diferença essencial entre o funcionamento consciente e o funcionamento inconsciente da
psique: o consciente, a despeito da sua intensidade e da sua concentração, é puramente efémero, acomodado
somente ao presente imediato e à sua própria vizinhança e não dispondo, por natureza, senão dos materiais
da experiência individual, apenas repartidos por alguns decénios. Quanto ao mais, a sua memória é artificial
e composta essencialmente de papel impresso.
Quão diferente é o inconsciente! Nem concentrado, nem intensivo, mas crepuscular até à obscuridade, ele ganha com isso uma extensão imensa e contém, lado a lado, de maneira paradoxal, os elementos mais heterogénios, dispondo, além de uma massa indeterminável de percepções subliminais, do tesouro prodigioso
das estratificações acumuladas no decorrer das vidas dos antepassados, que, só pela sua existência, contribuíram para a diferenciação da espécie.»


                                                                                                          CARL  GUSTAV JUNG






Este livro, notável pela seu interesse teórico e prático, individual e social, psicológico e religioso, difícil
talvez, pelo seu carácter técnico e pela riqueza de conteúdo, requer uma leitura pausada e reflexiva. Uma leitura precipitada ou um exame superficial do mesmo privariam o leitor do seu valor real ou, 
pior ainda, conduziriam a inferências inexactas, a mal-entendidos, mesmo a apelidar o P. White de junguiano incorrigível. 
Talvez a muitos surpreenda a persistência nesta obra duma ideia tão junguiana como a de procurar nas profundidades do inconsciente os restos das verdade espirituais  salvadoras, varridas da consciência do homem ocidental pelo Iluminismo ateu. E por que não na consciência, ou na religião, ou na revelação, poderia perguntar-se? O P. White explica o porquê: porque desapareceram da consciência, porque o homem hodierno não acredita na revelação; e, por outro lado, aquilo que de um modo geral poderíamos chamar processos inconscientes - algo como o ´anima naturaliter christiana` de
Tertuliano, que dava testemunho de Deus de modo espontâneo, contra as negações da alma educada nas academias e na filosofia - foi muitas vezes para o homem moderno uma via para Deus e para a
religião, que tinham sido inconscientemente negados.
Destes factos se fala no livro, sugerindo analogias com doutrinas teológicas, levantando problemas - e
com que engenho e destreza! - a essa mesma teologia, e fazendo avançar a Ciência ( que está reservada a poucos) , Não se trata de fazer uma apologia da psicologia junguiana, da psicologia analítica ou psicologia ´complexa` , ou de ´afundar-se` - como afirmou um ´crítico` - no inconsciente de
JUNG com todos os seus arquétipos.
É, de facto exasperante ler críticas precipitadas e que carecem de objectividade. Mesmo assim e para a época em que foi editado o livro (estava de pé o juramento das 24 teses tomistas impostas pelo
Papa S. PIO X...), A melhor defesa do conteúdo da obra, é a própria obra. Persiste ao longo do
livro toda uma sólida estrutura de distinções tradicionais: facto e valor, imanência e transcendência
de Deus, Deus e imagem de Deus, gnose e fé, etc. !
Porém, poderemos associar Deus de modo absoluto com o inconsciente, pergunta o P. White?! Para alguns, semelhante associação ´parecerá uma tangente ao grotesco e blasfemo`, devido talvez à sua concepção demasiado intelectualista de Deus como o transcendente absoluto que nada tem a ver com este mundo cá de baixo, ou mais provavelmente à divulgação freudiana do próprio inconsciente 
enquanto simples depósito de recalques, ou receptáculo de materiais nocivos e reprimidos. Mas com
JUNG, o inconsciente dilatou-se te tal maneira que chegou a invadir terrenos sagrados e religiosos.
Esta invasão não terá de assustar quem tenha feito a sua formação na escola Tomista, cujos escritos foram condenados logo a seguir à sua morte, porque recorrendo ao naturalismo aristotélico, sabe que as ciências não se distinguem essencialmente pelos objectos materiais, antes por ´rationes cognoscibiles` ; que Deus, objecto da fé, pode ser também objecto de uma investigação racional.
A psicologia profunda de JUNG ensinou-nos mais coisas acerca do homem que acerca de Deus; mas,
ao conseguir que o homem se conheça melhor a si mesmo, facilitou a via para alcançar Deus.
JUNG afirmou que o inconsciente é um ´Grenzbegriff ` (conceito amplo) que abarca todos os processos
psíquicos não-conscientes, isto é, não referidos ao ego.
Numa palavra, qualquer que seja a associação de Deus com o inconsciente, o inconsciente não substitui Deus, antes pelo contrário, veio preencher a substituição de Deus levada a cabo pela
consciência dita ´ilustrada` .


«Quando se exclui o Espírito de Deus da consideração humana, um substituto inconsciente vem ocupar
o seu lugar.» (C. G. JUNG)


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