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segunda-feira, 22 de junho de 2009

'A Literatura de José Régio'



«A LITERATURA
DE JOSÉ RÉGIO»
ÁLVARO RIBEIRO
TIRAGEM ESPECIAL
SOCIEDADE DE EXPANSÂO
CULTURAL
Lsboa - 1969
369 pgs


Álvaro Ribeiro, foi com José Marinho o fundador da chamada 'Filosofia Portuguesa'.
Foi este grande pensador quem levantou na obrinha dos 'Cadernos Inquérito' o 'Problema da Filosofia Portuguesa', dando início a um movimento que não só perdura como se tem  expandido com a adesão de pensadosres da hodierna geração!
Livro porventura único na nossa literatura de pensamento, pela riqueza de sugestões e de caminhos que abre ao leitor inteligente e despretencioso.
Há que considere esta obra como a melhor escrita pelo autor!
A obra do grande escritor, José Régio tem sido objecto de muitos e variados estudos assinados por críticos portugueses e estrangeiros, mas nunca havia sido até agora analisada em conjunto e segundo um critério filosófico.
Ora esta obra apresenta ao público o preencher desta lacuna. Obra valiosíssima de um grande filósofo português contemporâneo: Álvaro Ribeiro.
'A Litertura de José Régio' constitui um marco singular na obra de Álvaro Ribeiro!

                                              
                                                        ÍNDICE

Epígrafe
Dedicatória

    I. LIVRO DE MEMÓRIAS

                 1. Encontro com José Régio
                 2. Escola formal
                 3. Leonardistas e presencialistas
                 4. O magitério de António Sérgio

  II. UMA LITERTURA FILOSÓFICA

                 5. Visão de relance
                 6. Notas de estilìstica
                 7. Poesia   
                 8. Teatro  
                 9. Romance, conto e novela 
               10. Crítica e ensaio                         

III. UMA FILOSOFIA LITERÁRIA

               11. José Régio, filósofo
               12. Dialéctica da mãe e do mestre
               13. A liberdade e o mal
               14. Relações humanas
               15. A República dos Homens
               16. O Reino de Deus







"In Memoriam" de José Régio


Escrito por Henrique Veiga de Macedo

A homenagem que se segue, prestada ao "Poeta da Encarnação" (assim o escrevera num dos seus livros Álvaro Ribeiro), teve lugar na Assembleia Nacional, em 29 de Janeiro de 1970. Do seu autor, H. Veiga de Macedo, há que não esquecer quão ligado esteve a uma obra multifacetada e vastíssima em prol do povo português. Assim, por exemplo, enquanto Subsecretário de Estado da Educação Nacional (entre 23 de Julho de 1949 e 8 de Julho de 1955), altura em elaborou e executou o Plano de Educação de Adultos, no qual se integrou a Campanha Nacional de Adultos. Ou ainda, enquanto Ministro das Corporações e da Previdência Social, entre 8 de Julho de 1955 a 4 de Maio de 1961. Em suma: um homem de "alma lavada e fronte erguida", cuja autenticidade se espelha no vivo e intenso testemunho que dera do Poeta das Encruzilhadas de Deus.

Palavras proferidas na sessão da Assembleia Nacional, de 29.1.1970.


Ainda bem que nesta Casa se evoca, com palavras trespassadas de justiça e emoção, a memória de José Régio e se presta eloquente homenagem à sua preclara figura de intelectual de eleição e à sua multímoda obra de poeta, de prosador, de educador.


Este meu sentimento não nasceu agora, andava já no meu coração. Há bem pouco chegou-me às mãos, com as palavras de uma honrosa e generosa dedicatória do autor, o último livro de Álvaro Ribeiro, esse extraordinário pensador que da vida tem feito sacerdócio todo votado à cultura, à «restauração do perene significado da filosofia» e à «demonstração de que existe uma filosofia portuguesa e, mais ainda, de que existe um modo português de filosofar».

Deixai-me ler, de modo a ficarem bem registadas, como merecem, na nossa inteligência e na nossa sensibilidade, estas afirmações da carta que acompanhou esse livro admirável, intitulado precisamente A Literatura de José Régio:

" Por este mesmo correio, tenho o gosto de oferecer a V.Ex.a um exemplar do meu livro A Literatura de José Régio.


Poeta de alta estirpe intelectual, José Régio foi já comparado a Camões. Morreu, e creio que nenhum funcionário representativo do Estado compareceu ao funeral, aliás religioso. Em vida não foi mais do que um modesto professor liceal; em espírito uma glória da Pátria e um ferveroso servidor de Deus."

Álvaro Ribeiro tem razão, e é sob a impressão forte das suas palavras que ousei pedir licença para interromper a voz autorizada do ilustre Deputado que é a do professor Silva Mendes, velho amigo dos tempos, para mim inesquecíveis, da Campanha de Educação Popular em que pudemos, um e outro, e muitos, muitíssimos mais, trabalhar pela expansão do ensino e pela ascensão cultural do povo português. Não podia de modo algum – agora que estou a retomar contacto com o pensamento e a arte de um dos nossos maiores escritores contemporâneos e me é possível avaliar, uma vez mais, a profundidade do seu espírito aberto e inquieto em busca da verdade –, não podia de modo algum, dizia, deixar de me congratular por ver esta Câmara dar público testemunho da respeitosa veneração e do vivíssimo apreço devidos pelos homens justos, quaisquer que sejam as sua crenças religiosas ou ideias políticas, ao poeta da Encruzilhadas de Deus, ao romancista de A Velha Casa, ao dramaturgo de Benilde ou a Virgem-Mãe, ao crítico, ao ensaísta, ao pedagogo, ao pensador.

Na verdade, «de braços abertos para os seus contemporâneos que se dedicaram a estudos especulativos» – atrevo-me a reproduzir outra afirmação de Álvaro Ribeiro – inscrita no prefácio do livro que o mesmo me ofertou –, na verdade, «de braços abertos para os seus contemporâneos que se dedicaram a estudos especulativos, e de inteligência compreensiva para os seus ensaios mais tímidos ou mais ousados, José Régio mereceu de todos os pensadores sérios a bendição que lhe tem sido recusada por aqueles que se ocupam apenas de literatura. A obra de José Régio anuncia o advento de uma nova arte poética, tal como significou em notável e brunino opúsculo o novel filósofo António Telmo.

Mestre de uma geração ingrata, avançado precursor de uma literatura que ascende para tributos divinos, José Régio contribuiu para o entendimento final de que a palavra vive da sua relação com o pensamento».

Até por isto, numa Assembleia como esta em que a palavra só se legitimará se servir um pensamento e se este servir a vida portuguesa e a dignidade do homem nos seus mais profundos e permanentes anseios e direitos, seria imperdoável não se exaltasse, como está a fazer o Deputado Manuel de Jesus Silva Mendes, o glorioso poeta que foi José Régio. Que foi e que é, pois o seu grito de beleza e de bondade há-de repercutir-se pelos tempos fora, a despertar nos homens de boa vontade aqueles sentimentos puros e aquelas ideias nobres sem as quais não haverá no Mundo nem compreensão, nem paz… nem poesia.

H. Veiga de Macedo


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