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quinta-feira, 4 de junho de 2009

'O Elogio da Inquietude' - Fernando Pereira Marques

«O absoluto não é deste mundo e não é comensurável a este mundo»
Emannuel Mounier, ´O Personalismo'








         «O ELOGIO 
    DA INQUIETUDE»
Fernando Pereira Marques
Capa: Miguel Horta
A Regra do Jogo, Edições
Lisboa, 1985
156 págs.
nº da Edição: 24/85
Depósito legal: nº 10.085/85


«Importa libertar as ideologias dos seus trajes usados, desbotados, e aprender a ser radical colocando nos museus as ideias radicais que as revoluções mataram. Provocatoriamente direi que da história do pós-guerra na Europa ocidental um único evento se destaca pela sua radicalidade: Maio de 68, por tudo aquilo que não foi e não teve. Não foi liderado por nenhum partido nem por nenhuma classe, não conduziu à transformação do regime e do sistema, não visava o Poder nem o conquistou, não teve nenhum, a Longa Marcha nem qualquer assalto a palácios de Inverno.»


«A beatitude dos crentes só é compreensível nos domínios do espírito e da contemplação que ficam além - ou aquém? - da Sociedade e da História. É tempo de constatar que Deus morreu, mas também de que não adianta pôr no seu lugar, como fizeram os pensadores burgueses ou os do proletariado, nem a Razão nem o Progresso. O elogio da inquietude, deverá ser, como o da loucura de Erasmo, o da lucidez crítica da contemporaneidade tornar-se, se possível, uma teoria social crítica.»

«As ideias esvaem-se e ficam as liturgias. As palavras secam e tornam-se fantasmas delas próprias. Socialismo, comunismo, social-democracia, liberalismo, sobrevivem e permanecem, presas da inércia e da própria ambiguidade que existe no facto dos homens precisarem, ao viver em sociedade, de referências, mitos, memórias, receosos que estão do desconhecido»

FPM

Há que pedir mais ousadia, como alguém pediu mais luz. Luz, já possuímos a do Sol, que para Turner era Deus e que fazia dizer a Victor Hugo: «Sou latino, Amo o Sol!»



ÍNDICE

O ELOGIO DA INQUIETUDE

I -A HISTÒRIA NÃO É O LUGAR DA FELICIDADE

II - À CONQUISTA DO CÈU

III  - PODER E PODERES

IV - VIVER DIFERENTE

CONCLUSÂO

OBRAS REFERIDAS

Nota: O título deste post tem uma hiperligação feita à revelia de quem fez o mesmo post!!!



«Não lhes faremos a vontade» - Romeu de Melo






  «NÃO LHES FAREMOS 
        A VONTADE»
       ROMEU DE MELO

CAPA: CORREIA DE PINHO
            
            COLEÇÃO
IMAGINAÇÃO E PENSAMENTO

LIVRARIA QUADRANTE 
    DISTRIBUIDORES
     LISBOA - 1970
TIPOGRAFIA PENINSULAR
188 pags.



«...Um dia, os homens concluíram que já não conseguiam, pelo estudo do passado, compreender o mundo em que viviam. Condecoraram a História, por bons serviços prestados, e fundaram a 'Prospectória'. A partir daí, os acontecimentos mais complexos insólitos e inesperados passaram a ser compreendidos através do estudo do futuro .

Convém fazer notar que , de início , a 'Prospectória'  existia sem que as pessoas disso se apercebessem . O tipo de literatura que pela primeira vez a utilizou era então conhecido pelo nome nem sempre respeitado, de 'ficção científica' ou, noutros casos, de  'antecipação' .
  (Prefácio histórico à 'Prospectória da Literatura Correlacional' , no ano 2012 d . C . ).

Romeu de Melo


                                          Índice

Não lhes faremos a vontade

O estranho caso de José Olímpio

A encruzilhada

O encontro

Já sabíamos tudo

A partida

Que se passou na Ordem Psiquiátrica?



«A K » - 'A TESE E O AXIOMA' - Romeu de Melo






      «AK» 
'A TESE E O AXIOMA'
   Romeu de Melo
Porto- 1959
Edição do autor
Composição: 
Tipografia «Primavera, Ltd
169 págs.



O rapazinho estudioso sentiu um estremecimento interior, e ficou a pensar se seria aquele o sinal.

Ele temia um sinal, mas não sabia qual a sua forma nem a sua cor... As suas convicções tinham de ruir, e um monstrozinho interior - a deceção e o descrédito dos outros - havia de surgir-lhe na sua frente, para lhe dizer:

- Acorda! Todos os ideais da tua juventude se consumiram...

- Acorda! Acorda! Já és um homem.

E depois, pensava o rapazinho estudioso, o monstro havia de aparecer na sua frente, bamboleando-se como um arlequim pantomineiro, com os guizos a chocalharem e o seu chapéu de muitos bicos a dançarem-lhe na cabeça. E diria ainda:

- Estás acordado? Então, rapazinho estudioso, vai dizer pelo mundo que os que costumam sonhar - como tu fazias - ainda terão de haver-se comigo. Diz-lhes que lhes aparecerei na frente, para contar- lhes uma história feia, e convidá-los a abrirem os olhos da maturidade e da experiência.

Passados uns minutos de angústia, o menino estudioso revoltou-se contra aquela sua imagem. Quis expulsar de vez o monstrozinho que ele mesmo criara dentro de si, e gritou - lá para dentro do seu íntimo:

- Vai-te monstro! E vai tu dizer, aos jovens de todo o mundo, que eu serei eternamente jovem. Diz-lhes que eu nunca «abrirei os olhos» para desconfiar dos homens, e viver num mundo de esclarecida mesquinhez .
Anda ! - gritou com mais força, para dentro de si . - Vai contar a todo o mundo que jamais serei adulto!


                                                    ÍNDICE

I - AK´
II - O FOGUETÃO
III - A NOVA INCÓGNITA
IV - ACÇÃO E REACÇÃO
V - OS IRMÃOS
VI - O CÉREBRO
VII - A GRANDE FAMÍLIA
VII - O PRESENTE E O FUTURO
VIII - A GRANDE FAMÍLIA
IX - PLANOS E PROJECTOS
X - O GOLPE
XI - O DIÁLOGO
XII - A 'PÁTRIA'

segunda-feira, 25 de maio de 2009

«Arcano» - Tradição - Centro Primordial




«A Tradição é a transmissão 'Inata' e 'Imanente' de um conjunto de 'meios consagrados' que facilitam a tomada de consciência de 'Princípios' da 'Ordem Universal', já que o homem não 'conferiu' a si próprio a sua razão de viver. 

A ideia mais próxima e mais capaz de evocar o que a palavra significa, seria a de uma filiação espiritual de 'Mestre' a 'Discípulo', de uma influência criadora análoga à 'Inspiração', tão consubstancial ao 'Espírito', quanto a hereditariedade ao corpo! 

Trata-se aí de um conhecimento interior 'coexistente' à 'Vida, duma 'coexistência' e, simultaneamente, de uma 'Consciência Superior', reconhecida como tal, de uma 'Consciência', neste ponto inseparável da pessoa que nasce com ela e constitui a sua razão de ser. Sob este ponto de vista, o ser consiste no que transmite, só existe pelo que transmite e na medida em que transmite!... Independência e individualidade surgem como «ilusões vitalistas» que testemunham um distanciamento progressivo e uma decadência contínua em relação a uma 'Sabedoria Original' .

Este estado original pode ser representado pelo conceito de 'Centro Primordial', de que o 'Paraíso Terrestre' da tradição hebraica constitui um dos 'Símbolos'. Porém, faz-se mister compreender que este estado, esta tradição e este centro constituem três expressões da mesma realidade. Em virtude desta tradição anterior à história, o conhecimento dos 'Princípios' foi, desde a origem, um bem comum da humanidade que mais tarde desabrochou nas formas mais altas e mais perfeitas das 'Teologias' do período histórico. 

Todavia, uma degenerescência natural, que gerou especialização e obscurantismo, cavou um hiato crescente entre a mensagem daqueles que transmitem e daqueles que a recebem! Uma explicação tornou-se cada vez mais necessária, uma polaridade surgiu entre o aspeto exterior, ritual, literal, e o sentido original tornou-se interior, isto é, obscuro e não compreendido!

cf.
'Psychologie et Histoire des Religions-
-A propos du Symbolisme du 'Centre'

Par Mircea Eliade

Fora de comércio
Extracto de «Eranos  - Jahrbuch XIX
Rhein - Verlag Zurich
1951

FOTOS DE NUNO CASTRO FERREIRA





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