AOS MEUS IRMÃOS
COMUNISTAS
FÉLIX BERMUDES
LISBOA - 1949
Distribuidora Bertrand
142 pgs
Composto e impresso na
IMPRENSA LIBÃNIO DA SILVA
Travessa do Fala-Só, 24 Lisboa
Estou seguro que esta obra, dividida em duas partes, a primeira parte dedicada à Filosofia Política, teve a preocupação com sua filha Cesina Bermudes, várias vezes presa pela PIDE. Note-se que a data de pulicação coincide com a campanha do Movimento de Unidade Democrática (MUD), para a eleição do General Norton de Matos à Presidência da República!
Todos sabemos que a espinha dorsal do MUD era o Partido Comunista Português (PCP), bem estruturado e com ramificações por todo o país!
Dêmos então a palavra ao autor, que na primeira parte se dedica às questões políticas e na segunda parte ao ocultismo, que irá ser desenvolvida em «O Homem Condenado a Ser Deus»!
'Irmãos comunistas':
O título desta obra poderia dar lugar a um erro que me apresso a prevenir: não sou, nunca fui nem quero ser político e se alguma vez o fosse, combateria o comunismo. Não posso portanto invocar-vos como «camaradas», mas vou além tratando-vos como «irmãos».
É pela Fraternidade Humana e não pela comunhão de ideias políticas que me sinto estreitamente ligado a vós e a todos os que sofrem. O trabalho que vos dedico apenas aspira a difundir a convicção em que estou de que as actividades comunistas, longe de acelerar como pretendem a elevação geral do nível de cultura, de conforto e de liberdade, a estão, pelo contrário, retardando inexoravelmente.
Se tiverdes para comigo a mesma atitude fraternal, se procurardes compreender a minha boa vontade como eu compreendendo as vossas angústias e as vossas revoltas, alguma coisa teremos produzido, vós e eu, em benefício da Humanidade.
Se não posso, porém, conceder-vos o meu acordo, dou-vos contudo uma compensação: não aprovo tão-pouco os governos autoritários que se julgam dispensados de consultar a opinião pública e de escutar o que diz a alma das nações. Mas, ainda nestes casos de governos anormais que tiranizam os povos, é minha opinião imparcial e sincera que a culpa é mais vossa do que a deles. É o «comunismo», ameaçando os povos com a ferocidade da sua ditadura, quem alimenta as outras ditaduras que procuram opor-se-lhe, neutralizando o medo que vós espalhais pelo medo que elas espalham. Como ides ver, o que venho propor a uns e outros é uma simples trégua de boa vontade, única esperança de libertar o mundo das malhas em que se enredou.
É minha aspiraçao fundamental não ofender seja quem seja, respeitar a dignidade de todos e abster-me de qualquer expressão que possa melindrar os meus semelhantes. Se o não consegui é porque falhei lamentavelmente na construção da obra que projectei. Disso me penitencio desde já, pedindo perdão àqueles com quem não tenha sabido conservar-me fraternal e cortês.
FB
Nota:
A segunda parte contém a tradução do poema 'If' de Rudyard Kipling. Félix Bermudes dá-nos uma tradução segura e adaptada à língua portuguesa, tal com em «O Homem Condenado a Ser Deus», nos oferece uma excelente tradução adaptada à língua portuguesa de «Os Versos Dourados do Pitagirismo», respeitando o cristianismo ao em vez de Zeus usar a palvra Deus!
ÍNDICE
I PARTE
O DRAMA DA VIDA PRESENTE
ENSAIO DE FILOSOFIA POLÌTICA
Advertência
O grande equívoco
Entraves à Fraternidade Humana
Extremismos fatais
A saída do Labirinto
Batendo a outra porta
Fontes do mal
Um esforço sincero
Armistício
«Credo político»
II PARTE
O POEMA DA VIDA ETERNA
Advertência
O Governo Interno do Mundo
Os homens não são iguais
...mas são irmãos
Os nossos corpos
Matemos a morte!
A Lei da acção
O Inferno e o Purgatório
Se...
A Alma errante
Bibliografia
https://wwwimitacaodavida.blogspot.com/2011/04/felix-bermudes-e-melhor-traducao-de-de.html
https://soscapvert.blogspot.com/2009/01/flor-de-ltus-branco.html

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