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quinta-feira, 4 de junho de 2009

«Não lhes faremos a vontade» - Romeu de Melo






  «NÃO LHES FAREMOS 
        A VONTADE»
       ROMEU DE MELO

CAPA: CORREIA DE PINHO
            
            COLEÇÃO
IMAGINAÇÃO E PENSAMENTO

LIVRARIA QUADRANTE 
    DISTRIBUIDORES
     LISBOA - 1970
TIPOGRAFIA PENINSULAR
188 pags.



«...Um dia, os homens concluíram que já não conseguiam, pelo estudo do passado, compreender o mundo em que viviam. Condecoraram a História, por bons serviços prestados, e fundaram a 'Prospectória'. A partir daí, os acontecimentos mais complexos insólitos e inesperados passaram a ser compreendidos através do estudo do futuro .

Convém fazer notar que , de início , a 'Prospectória'  existia sem que as pessoas disso se apercebessem . O tipo de literatura que pela primeira vez a utilizou era então conhecido pelo nome nem sempre respeitado, de 'ficção científica' ou, noutros casos, de  'antecipação' .
  (Prefácio histórico à 'Prospectória da Literatura Correlacional' , no ano 2012 d . C . ).

Romeu de Melo


                                          Índice

Não lhes faremos a vontade

O estranho caso de José Olímpio

A encruzilhada

O encontro

Já sabíamos tudo

A partida

Que se passou na Ordem Psiquiátrica?



«A K » - 'A TESE E O AXIOMA' - Romeu de Melo






      «AK» 
'A TESE E O AXIOMA'
   Romeu de Melo
Porto- 1959
Edição do autor
Composição: 
Tipografia «Primavera, Ltd
169 págs.



O rapazinho estudioso sentiu um estremecimento interior, e ficou a pensar se seria aquele o sinal.

Ele temia um sinal, mas não sabia qual a sua forma nem a sua cor... As suas convicções tinham de ruir, e um monstrozinho interior - a deceção e o descrédito dos outros - havia de surgir-lhe na sua frente, para lhe dizer:

- Acorda! Todos os ideais da tua juventude se consumiram...

- Acorda! Acorda! Já és um homem.

E depois, pensava o rapazinho estudioso, o monstro havia de aparecer na sua frente, bamboleando-se como um arlequim pantomineiro, com os guizos a chocalharem e o seu chapéu de muitos bicos a dançarem-lhe na cabeça. E diria ainda:

- Estás acordado? Então, rapazinho estudioso, vai dizer pelo mundo que os que costumam sonhar - como tu fazias - ainda terão de haver-se comigo. Diz-lhes que lhes aparecerei na frente, para contar- lhes uma história feia, e convidá-los a abrirem os olhos da maturidade e da experiência.

Passados uns minutos de angústia, o menino estudioso revoltou-se contra aquela sua imagem. Quis expulsar de vez o monstrozinho que ele mesmo criara dentro de si, e gritou - lá para dentro do seu íntimo:

- Vai-te monstro! E vai tu dizer, aos jovens de todo o mundo, que eu serei eternamente jovem. Diz-lhes que eu nunca «abrirei os olhos» para desconfiar dos homens, e viver num mundo de esclarecida mesquinhez .
Anda ! - gritou com mais força, para dentro de si . - Vai contar a todo o mundo que jamais serei adulto!


                                                    ÍNDICE

I - AK´
II - O FOGUETÃO
III - A NOVA INCÓGNITA
IV - ACÇÃO E REACÇÃO
V - OS IRMÃOS
VI - O CÉREBRO
VII - A GRANDE FAMÍLIA
VII - O PRESENTE E O FUTURO
VIII - A GRANDE FAMÍLIA
IX - PLANOS E PROJECTOS
X - O GOLPE
XI - O DIÁLOGO
XII - A 'PÁTRIA'

segunda-feira, 25 de maio de 2009

«Arcano» - Tradição - Centro Primordial




«A Tradição é a transmissão 'Inata' e 'Imanente' de um conjunto de 'meios consagrados' que facilitam a tomada de consciência de 'Princípios' da 'Ordem Universal', já que o homem não 'conferiu' a si próprio a sua razão de viver. 

A ideia mais próxima e mais capaz de evocar o que a palavra significa, seria a de uma filiação espiritual de 'Mestre' a 'Discípulo', de uma influência criadora análoga à 'Inspiração', tão consubstancial ao 'Espírito', quanto a hereditariedade ao corpo! 

Trata-se aí de um conhecimento interior 'coexistente' à 'Vida, duma 'coexistência' e, simultaneamente, de uma 'Consciência Superior', reconhecida como tal, de uma 'Consciência', neste ponto inseparável da pessoa que nasce com ela e constitui a sua razão de ser. Sob este ponto de vista, o ser consiste no que transmite, só existe pelo que transmite e na medida em que transmite!... Independência e individualidade surgem como «ilusões vitalistas» que testemunham um distanciamento progressivo e uma decadência contínua em relação a uma 'Sabedoria Original' .

Este estado original pode ser representado pelo conceito de 'Centro Primordial', de que o 'Paraíso Terrestre' da tradição hebraica constitui um dos 'Símbolos'. Porém, faz-se mister compreender que este estado, esta tradição e este centro constituem três expressões da mesma realidade. Em virtude desta tradição anterior à história, o conhecimento dos 'Princípios' foi, desde a origem, um bem comum da humanidade que mais tarde desabrochou nas formas mais altas e mais perfeitas das 'Teologias' do período histórico. 

Todavia, uma degenerescência natural, que gerou especialização e obscurantismo, cavou um hiato crescente entre a mensagem daqueles que transmitem e daqueles que a recebem! Uma explicação tornou-se cada vez mais necessária, uma polaridade surgiu entre o aspeto exterior, ritual, literal, e o sentido original tornou-se interior, isto é, obscuro e não compreendido!

cf.
'Psychologie et Histoire des Religions-
-A propos du Symbolisme du 'Centre'

Par Mircea Eliade

Fora de comércio
Extracto de «Eranos  - Jahrbuch XIX
Rhein - Verlag Zurich
1951

FOTOS DE NUNO CASTRO FERREIRA





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