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segunda-feira, 24 de maio de 2010

À REVOLTA DO EU E DOS ELES


«Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou!» (Capitão Salgueiro Maia, 25 de Abril de 1974)

A nossa geração, filha de gentes que ultrapassaram o fascismo, cresceu imbuída pelos vapores da Revolução dos Cravos. Tanto de Esquerda como de Direita, foram-nos transmitidos, sob várias formas, valores morais e liberais de uma riqueza extraordinária. Fomos educados ao ar livre onde as ruas eram de todos, sem receios, onde aprendemos a improvisar jogos e brincadeiras em grupo, crescemos com histórias de união, de justiça, de fraternidade, fossem escritas ou até na televisão, como o Robin Wood, o Dartacão e os Três mosqueteiros, e porque não mesmo o Verão Azul. Foi-nos ministrado um Ensino de transição, mas sempre vocacionado para as causas da Liberdade e da Igualdade, obrigando-nos a pensar por nós mesmos. Em traços gerais, melhor ou pior consoante os casos, esse foi o legado da geração dos nossos pais. E qual tem sido o nosso às gerações que se seguiram...?

É verdade que foi a mesma geração da Liberdade que levou este país até onde ele está hoje. A mesma geração que se subverteu contra a tirania e elevou as instituições democráticas, também ela as envenenou com a timocracia actual, com o compadrio e o facilitismo, com a disparidade sócio-económica. Mas foi essa mesma geração que criou também os mais variados dispositivos de cidadania para se assegurar a Democracia. E o que fizemos nós em relação a tudo isso...?

Se a Lei, feita pelos que incentivaram, apoiaram e fizeram o 25 de Abril de 1974, por aqueles que se alimentam de um orçamento de mais de 190 milhões de euros (referente a 2010), fosse realmente justa e democrática, hoje deveria ser possível levar ao banco dos réus e condenar todos aqueles que ao longo de décadas têm abusado indevidamente da gestão da Administração Pública, todos os que têm corrompido e violado o dinheiro do Estado, do Estado que somos todos nós. Essa seria uma Lei tão ou mais importante que muitas outras por que tanto se batalhou. Mas onde temos nós estado enquanto Estado...?

Verdadeiramente, nós, também Povo, somos o Estado. O Estado que fez desaparecer biliões de euros de subsídios europeus sem que a estrutura produtiva do país evoluísse.

Nós somos o Estado que quase erradicou a agricultura, as pescas, a exploração mineira, que vendeu e se alheou da indústria nacional. O estado que deixou de produzir uma boa parte do seu consumo. Nós somos o estado a que isto chegou...! Se o eu cidadão tivesse sido mais forte, talvez este Estado fosse diferente... Se em vez de acomodar o meu belo rabo burguês no sofá frente à televisão, vendo passar as notícias nas legendas do entretenimento, como espectador de um mundo à parte, o mundo do meu umbigo, o mundo das calosidades sedentárias das minhas nádegas, eu tivesse posto em práctica o legado dos meus pais através dos muitos dispositivos que eles criaram, muito provavelmente, hoje, este pardieiro que já foi um país autónomo e com identidade própria, não estaria a ser desfigurado por uma súcia de governantes e legisladores como a que temos tido!... Se eu tivesse, por alguns momentos, pousado a minha Super Bock, apagado a minha Sony Trinitron, erguido as minhas Levi’s do sofá comprado a prestações na Moviflor e tivesse ido votar, tivesse dado uso aos meus direitos de cidadão e não só aos meus direitos de consumidor nas devidas alturas, tivesse participado nas reuniões de condomínio do meu prédio, na sociedade filarmónica ou na associação recreativa e cultural do meu bairro, na minha Junta de Freguesia, nas Assembleias de Município do meu concelho, tivesse sido minimamente activo no sindicato ou na associação profissional a que poderia pertencer, nos movimentos cívicos, humanitários, ideológicos ou apartidários, ou fosse lá do que fosse, de Esquerda, de Direita, do Centro transviado para as pontas, nas associações de estudantes das faculdades, nas associações de pais que me competiam, se eu tivesse participado nos protestos, manifestações, greves, comícios e afins, nas comemorações do 1º de Maio, do 25 de Abril, do 5 de Outubro e do 1º de Dezembro, se eu tivesse participado nas federações, confederações, cooperativas, comissões e corporações que proliferaram às centenas ou aos milhares em tão poucos quilómetros quadrados, se eu tivesse abdicado um pouco do eu consumidor para um pouco me dedicar ao eu cidadão, ao Estado de que faço parte... se calhar, hoje, não seria cúmplice desta energúmena e incompetente classe política!... Mas sou, por erros também meus, sou. E hoje sou um consumidor, também cidadão, de uma república na penúria, de que nem faço ideia da miséria que me está escondida, pois tudo isto deve ser só a pontinha do icebergue...

Apesar de já não haver nada para negociar, de já tudo ter sido sugado pelos eles, de terem atolado o Estado que também sou eu em dívidas, vale a pena protestar, manifestar, bradar, exigir, lutar! Temos que acordar enquanto Estado, chega de distracções. Mesmo que os eles que nos têm governado e legislado já nada tenham para oferecer em troca das nossas exigências, vale a pena. Mais não seja para incentivar e apoiar aqueles que têm os meios e as ideias para levar por diante uma nova revolução. Pois, já terá passado o tempo das vias pacíficas e aproxima-se o tempo necessário da acção, o tempo em que é fundamental pôr termo de vez ao “estado a que isto chegou”! E desejemos que desta vez seja uma acção exemplar, condenando e executando aqueles que têm depravado o Estado, para que no futuro possa surgir uma classe política com consciência de que não pode colocar o pé onde não deve e um Estado que também sou eu mais participativo e activo na sua cidadania, não mais dando razões de cumplicidade! Está na hora da clandestinidade, de voltarmos a ser terroristas como outrora os nossos pais foram para o fascismo!

Talvez um dia no futuro, mais consciente e menos revoltado, me possa arrepender, mas por agora:

ALLEZ, FRENTE LIBERTÁRIA E DEMAIS!!!

Nuno Alexandre de Almeida, 2010

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