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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

HOMILIA DO CARDEAL-PATRIARCA na Dedicação da Sé 2009

HOMILIA DO CARDEAL-PATRIARCA na Dedicação da Sé 2009
“A Catedral é sinal visível da Igreja Particular como Povo Sacerdotal”

Homilia na Solenidade da Dedicação da Sé Patriarcal
Sé Patriarcal, 25 de Outubro de 2009

1. Nesta celebração da Dedicação da nossa Catedral, a Palavra de Deus proclamada apresenta-nos a Igreja, na beleza do seu mistério, cidade nova, ou seja, nova experiência de humanidade, fruto fecundo da Páscoa de Jesus. Ela tem a dignidade de Cristo ressuscitado, é apresentada como a “esposa do Cordeiro”, na sua beleza brilha a glória do próprio Deus. A Igreja não é só um Povo que louva o Senhor; na sua realidade humana resplandece a própria glória de Deus.
A Igreja é-nos apresentada como cidade fortificada. Jesus tinha prometido a Pedro: “as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela (Mt. 16,18). A garantia dessa solidez são os seus fundamentos: Cristo como pedra angular, os Apóstolos de Jesus como colunas: “Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa e quem nela puser a sua confiança não será confundido” (1Pet. 2,6); “A muralha da cidade tinha na base doze reforços salientes e neles doze nomes: os dos doze Apóstolos do Cordeiro” (Apoc. 21,14). Estes dois textos dizem-nos que a solidez da Igreja assenta na perenidade da Páscoa de Cristo e na sucessão apostólica. Aliás, a apostolicidade da Igreja é a primeira expressão de Cristo morto e ressuscitado. É por isso que a verdadeira Igreja de Jesus Cristo será sempre a Igreja apostólica.
A Catedral é um sinal vivo da apostolicidade da Igreja diocesana, assente na solidez do ministério do Bispo, sucessor dos Apóstolos do Cordeiro. Durante este Ano Pastoral, teremos a graça de sentir ao vivo e de um modo mais forte, esta apostolicidade da Igreja com a visita pastoral do Sucessor de Pedro, Sua Santidade Bento XVI, à Igreja de Lisboa. Só na comunhão com Pedro, o vosso Bispo é garantia dessa solidez da Igreja diocesana, que, por isso mesmo se afirma e define como comunhão universal com todas as Igrejas católicas do mundo. O Santo Padre reavivará em nós o que procuramos e desejamos todos os dias: a unidade na verdade, a universalidade da caridade, a urgência da missão. O anúncio do Evangelho aos nossos concidadãos, com o ardor dos apóstolos de Jesus, é uma urgência e uma exigência da missão da Igreja no tempo presente.

2. A Catedral evoca, para nós, o mistério do templo, não apenas, nem sobretudo, do templo material, aliás cheio de história e carregado de mensagem em cada uma das suas pedras, mas do templo como experiência de encontro e de comunhão com Deus, presente no meio do Seu Povo, na pessoa do seu Filho Jesus Cristo, nosso Bom Pastor. A Igreja é o lugar do encontro e da intimidade com Deus, porque é o lugar de encontro com Jesus Cristo, onde, com a força do Espírito, se renasce para a vida. E é essa experiência de encontro que o templo significa e anuncia. Aí se pode encontrar o Senhor, escutar sempre de novo a Sua Palavra, deixar que nos transforme o coração, aprender a desejar a plenitude da comunhão. A fecundidade da Igreja é sacramental. A Catedral é o lugar da afirmação mais pujante da riqueza sacramental da Igreja; evocá-la é escutar o desafio lançado a toda a Igreja, pelo Santo Padre, com o Ano Sacerdotal.
A Igreja é sacerdotal na profundidade do seu existir, da sua vocação e da sua missão. Nela, exprime-se continuamente o amor infinito de Deus pelos homens, manifestado radical e definitivamente em Jesus Cristo. A Igreja é fruto contínuo da fecundidade renovadora da Páscoa de Cristo, através da acção criadora do Espírito Santo. Em toda a fecundidade da sua Palavra e da sua Páscoa, Cristo é Sacerdote, o único sacerdote. Todos os que se unem a Ele na consagração baptismal ou na consagração para o ministério sacerdotal, participam do seu sacerdócio. A igreja é o fruto precioso dessa fecundidade sacerdotal. É bom recordar a maneira como o Concílio define a Diocese ou Igreja Particular (cf. C.D. nº11): é uma porção do Povo de Deus, quer dizer, não é a Igreja toda, mas é o todo da Igreja, pois nela acontece a plenitude da Igreja. E isto porque é confiada a um Bispo, sucessor dos Apóstolos, para que seja o seu Pastor, e que exerce esse sacerdócio apostólico em comunhão com os presbíteros a quem impôs as mãos. São muitos os sacerdotes, mas é só um o ministério pastoral, como sacramento de Cristo Bom Pastor. Pontos centrais desse ministério pastoral são a construção da Igreja comunhão, porque reunida no Espírito Santo, o anúncio do Evangelho e a celebração da Eucaristia. A Catedral é o anúncio e desafio desse ministério pastoral do Bispo, com o seu presbitério, pois ela sublinha a prioridade do Evangelho, a centralidade da Eucaristia, a beleza de uma Igreja unida em comunhão.

3. Cristo exerce continuamente o seu poder sacerdotal através do sacerdócio apostólico, para que toda a Igreja seja Povo Sacerdotal. O Apóstolo Pedro lembra-o aos cristãos da primeira geração: “Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituirdes um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1Pet. 2,4-5). Jesus já anunciara à samaritana que esse culto espiritual, liturgia discreta nos sinais físicos e densa da atitude interior dos crentes, é o que agrada a Deus e é o culto do futuro (cf. Jo. 4,23-24). Para que toda a Igreja, Povo Sacerdotal, possa oferecer esse culto a Deus, precisa do sacerdócio ministerial, que actualiza, em cada momento, o próprio sacerdócio de Jesus Cristo. Nem o Povo de Deus, Igreja do Senhor, pode oferecer esse culto novo sem a mediação sacramental do sacerdócio apostólico, nem este tem razão de ser, se não for a edificação permanente do Povo Sacerdotal, tornando-o capaz de oferecer a Deus esse culto espiritual. Ao convidar a Igreja para uma descoberta mais profunda do sacerdócio ministerial, o Papa convida a Igreja para uma meditação sobre o seu próprio mistério de identificação total com Jesus Cristo, sacerdote perfeito e pontífice da Nova Aliança.
A Catedral, como Igreja Mãe, sinal visível da comunhão da Igreja diocesana, desafia-nos a todos a encarnar a urgência do anúncio do Evangelho e a fazer da Eucaristia o centro do ser e da missão da Igreja. É nesta Igreja que está a cátedra do Bispo, sucessor dos Apóstolos, e o altar maior, que se prolonga em todos os altares onde as nossas comunidades oferecem a Deus o culto espiritual, que é louvor digno da santidade de Deus e sacrifício redentor para todos nós, peregrinos da Pátria Celeste, que precisamos de merecer a graça da redenção.


† JOSÉ, Cardeal-Patriarca

1 comentário:

Rodrigo disse...

Meu seu blog é espetacular, show, not°10 desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog
Um grande abraço e tudo de bom
http://maximumforma.blogspot.com/

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