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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Solenidade de S. Pedro e S. Paulo



“O dom do Ministério Apostólico”

Homilia na Vigília da Solenidade

dos Apóstolos São Pedro e São Paulo

Ordenação de Presbíteros e Diáconos

Igreja de São Paulo, Lisboa, 28 de Junho de 2009

1. Nesta celebração da Vigília da Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, convergem vários elementos, convidando-nos à meditação sobre o ministério apostólico na Igreja: a Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo; o encerramento do Ano Paulino; as ordenações que, além de investirem vários cristãos no ministério dos diáconos, agregam três jovens ao presbitério da Igreja de Lisboa para nela exercerem o ministério do sacerdócio apostólico; o início do Ano Sacerdotal.

O ministério apostólico é a mais forte expressão do amor de Jesus Cristo pela humanidade que redimiu. Até que tudo seja consumado na Jerusalém Celeste, Jesus continua, através do ministério apostólico, a anunciar e a realizar o Reino de Deus, a nova ordem de uma humanidade renovada. Os apóstolos são enviados com o poder de Jesus; a sua palavra tem a força da Palavra de Deus; oferecem continuamente o sacrifício redentor, com Cristo e em nome de Cristo; realizam, em nome de Jesus, maravilhas que ultrapassam os poderes humanos, para que a fecundidade de Cristo transforme os corações. Eles repetem continuamente, para os homens de todos os tempos, aquelas palavras de Pedro: “não tenho prata, nem ouro, mas o que tenho vou dar-to: em nome de Jesus Cristo de Nazaré, anda”.

O ministério apostólico é a força renovadora da Páscoa de Jesus transformada em dinamismo renovador da história dos homens, é a principal concretização do amor continuado de Jesus Cristo pela humanidade. A Igreja que recebemos dos Apóstolos, a Igreja que Jesus deseja e ama, é incompreensível sem o ministério apostólico.

2. Na celebração de hoje ressalta, em primeiro plano, o ministério de Pedro, a quem o Senhor confia o serviço da unidade, de todos a quem foi confiado este ministério. Por isso, Jesus espera dele um amor sem limites, convida-o a segui-l’O até ao dom total da sua vida. Neste momento, o nosso coração une-se àquele que hoje exerce na Igreja este ministério petrino, Sua Santidade Bento XVI. O seu magistério, as linhas de rumo que traça para a Igreja nestes tempos exigentes de início de novo milénio, são a luz que nos guia em obediência crente. A todos os que são escolhidos para exercerem hoje este ministério apostólico é exigida esta obediência crente. Um sacerdote ordenado, no exercício do ministério apostólico de que participa, nunca pode contrapor a sua visão pessoal à palavra de Pedro, a quem Jesus entregou a responsabilidade da palavra decisiva e orientadora em cada momento da história. E esta obediência crente só será perfeita se for expressão de amor, da nossa comunhão de amor com o sucessor de Pedro, exprimindo nessa comunhão o amor com que amamos a Igreja. No dia em que ordeno novos sacerdotes gostaria de garantir ao Santo Padre esta obediência crente e amorosa de todo o presbitério de Lisboa. Só assim participais na exigência pessoal de fidelidade do vosso Bispo.

3. Mas esta celebração realça, igualmente, o ministério apostólico de Paulo. Encerramos o Ano Paulino, mas não podemos terminar a nossa caminhada com Paulo. Se caminhámos com ele, percebemos que isso significa caminhar com a Igreja, sobretudo na identificação com Cristo e na escuta da Palavra, que ele, antes de a proclamar com ardor, escutou do próprio Cristo. Caminhar com Paulo é caminhar com a Igreja, em ordem a um encontro cada vez mais profundo com Cristo, ao ritmo da Palavra. Ele reconhece, na sua vida, a origem transcendente da Palavra que anuncia e que o julga a ele. A urgência da evangelização brota da intensidade de amor do próprio Cristo. Paulo percebeu, como ninguém, que não bastava a primeira evangelização, que originava uma nova comunidade. Nascidas da Palavra, as comunidades cristãs só progrediam na fé e na caridade, continuando a escutar a palavra do apóstolo. As suas cartas pouco nos dizem como realizou o primeiro anúncio; dizem-nos, isso sim, como continuou a alimentar as comunidades com a sua palavra apostólica. Oxalá, durante este ano, tenhamos aprendido isso com o Apóstolo Paulo: as nossas comunidades precisam de ser continuamente alimentadas pela Palavra de Deus, cuja mensagem devemos continuar a perceber, tal como ele fazia, na intimidade com Jesus Cristo.

Também aprendemos com ele a exigência da comunhão com Pedro. Chamado pelo Senhor, com um ministério específico, a evangelização dos gentios, Cristo faz-lhe perceber que, desde o início, isso tem de ser feito em comunhão com Pedro, por mais exigente que essa comunhão se revele. “Ao fim de três anos subi a Jerusalém para ir conhecer Pedro e fiquei junto dele quinze dias”. Só em comunhão se anuncia eficazmente a salvação.

4. O ministério apostólico está, hoje, vivo na Igreja, através do ministério dos Bispos, sucessores dos Apóstolos e dos presbíteros, que comungam do sacerdócio apostólico dos Bispos, através do sacramento da ordem. O Bispo exerce o seu sacerdócio apostólico, para bem de toda a Igreja, em comunhão com os seus presbíteros. O presbitério diocesano é uma experiência de comunhão, com Cristo e com a Igreja: comunhão na Palavra, sempre escutada de novo no coração de Deus; comunhão na Eucaristia, por nós oferecida em nome de Cristo Sacerdote; comunhão na caridade, que nos fará perceber que o sacerdócio apostólico é a principal expressão do amor de Cristo pela Igreja, sacramento da Igreja comunhão de amor.

Queridos Ordinandos! É uma circunstância exigente e carregada de sentido, o serdes ordenados na Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, no encerramento do Ano Paulino, modelo vivo de apóstolo e no início do Ano Sacerdotal. O ministério sacerdotal que recebeis, mais do que o resultado da vossa generosidade e entrega, é manifestação do amor de Cristo pela Igreja. Vivei-o assim. É urgente que as pessoas e as comunidades se sintam amadas por Jesus Cristo através do vosso ministério. A partir deste momento, o ministério sacerdotal e a maneira de o exercer marcará o ritmo do vosso caminho pessoal de fidelidade e de santidade.

Este Ano Sacerdotal oferecerá a toda a Igreja o desafio de se confrontar com a profundidade do seu mistério: a Igreja é o fruto precioso do amor com que Deus amou o mundo, em Jesus Cristo: nasce e alimenta-se da Sua Palavra, que é sempre uma palavra de amor; reencontra-se, sempre de novo, na Eucaristia, que oferece como Povo Sacerdotal e donde é enviada, sempre de novo, para construir a comunhão de amor e anunciar a alegria da redenção. O sacerdócio apostólico é um dom, para que toda a Igreja seja Corpo de Cristo e Povo Sacerdotal. Este ano desafia toda a Igreja a olhar os sacerdotes, não apenas na perspectiva humana das suas qualidades ou defeitos, mas manifestação do amor de Deus pela Igreja.

Para nós os sacerdotes, este ano é um convite a identificarmos a nossa vida com este mistério de que somos portadores, na fragilidade da nossa natureza. Todo o nosso ministério é santo; a nossa maneira de viver em tudo, ao serviço da Igreja, deve fazer resplandecer a santidade do nosso ministério. Como o Santo Cura d’Ars, devemos orar constantemente, para que as nossas fragilidades não toldem a santidade do ministério de que somos ministros, isto é, servidores.

JOSÉ, Cardeal-Patriarca


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